Um pouco de tudo na cultura popular

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Um pouco de tudo na cultura popular

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http://jornalzo.com.br/and/wp-content/uploads/https://anovademocracia.com.br/101/16.jpgMúsico, compositor, ator, contador de histórias e professor de rabeca o carioca Caio Padilha, radicado em Natal/RN desde a infância, realiza todo esse trabalho paralelamente, seguindo uma única linha que é a do cancioneiro folclórico, as histórias contadas por gerações. Filho de um compositor e cantor popular potiguar e uma pianista erudita carioca, Caio seguiu seu próprio caminho e luta pela divulgação da rabeca em todo o país.

— Desde muito cedo tive contato com todo o tipo de música. Meu pai, Almir Padilha, sempre compôs suas canções no violão e as cantou, e continua muito atuante aqui no estado. Ele nasceu em Parnamirim, cidade próxima a Natal, foi morar no Rio de Janeiro e lá conheceu minha mãe, Ana Clara Padilha, que já era pianista erudita. Quando eu tinha 8 anos viemos para Natal, porque minha mãe passou em um concurso para lecionar piano na UFRN — conta Caio.

— Ainda no Rio, meu primeiro instrumento foi o violino, que estudei até a adolescência. Mas aqui no Nordeste tive contato com a rabeca e ganhei, de um amigo do meu pai, minha primeira rabequinha. Logo comecei a ouvir os discos de rabequeiros como Siba, Mestre Salustiano, Antônio Nóbrega, e fiquei cada vez mais apaixonado pelo repertório do instrumento. Fui me aprofundando, estudando e senti a necessidade de passar esse saber para mais gente — expõe.

A partir desse pensamento surgiu o Caio professor, que juntamente com outros companheiros montou um curso com o objetivo de difundir o instrumento.

— Por não estar dentro da escola de música, ela sofre um pouco com a falta de divulgação. Assim compramos vinte rabecas e começamos o curso, que depois se transformou em uma oficina de 15 horas. Nesse tempo os alunos têm uma noção do instrumento, seu manuseio, e terminam tocando o clássico Asa Branca. Tem sido uma experiência muito bacana e itinerante, viajando por outros estados — declara.

— E esse ensino também é muito importante aqui em Natal, porque na cidade tem um movimento de rabeca, porém, o material mais denso mesmo está nos interiores. Lá é que vivem os mestres da cultura popular, aquelas pessoas que passaram a vida inteira dedicados às brincadeiras populares — explica.

— O que acontece é que esses mestres não costumam sair de suas comunidades, e muitos deles já estão idosos e não têm condições e nem uma prática de pedagogia para ensinar na cidade. Então nós vamos até lá para dialogar com essas figuras, resumir algumas informações e tentar passar para difundir ainda mais o instrumento — continua.

O teatro e a contação de histórias

— Meu pai, como um compositor popular que já ganhou vários festivais de música, já tinha me inserido um pouco nesse mundo da cultura popular. Depois passei a me interessar por pesquisar esse cancioneiro todo, compor e gravar canções inéditas — lembra Caio.

— Por conta desse trabalho os grupos de teatro popular, teatro de rua da minha cidade, começaram a me chamar para falar sobre minhas pesquisas, dirigir alguma coisa de música em suas montagens, e quando me dei conta estava atuando. Depois recebi um convite para um espetáculo de contação de histórias e fui entrando nesse universo — diz.

— Posso dizer que minha música começou a virar mais popular na medida em que fui dialogando com esse teatro, que abrange justamente o cancioneiro folclórico. Hoje me sinto super à vontade fazendo a contação sempre de maneira bem musical, compondo as músicas para cada história e seus personagens — declara.

E tem sido, segundo caio, um trabalho de bastante aceitação em Natal, tanto pelas crianças como pelos adultos.

— A contação de história permite uma vivência, uma troca pessoal entre plateia e ator muito bacana. Ela é absolutamente natural, parte do cotidiano na cultura popular. Costumo contar histórias que têm a ver com o povo daqui, algumas anônimas — fala.

— E é muito natural a junção do espetáculo teatral de contação de história e a música, porque a cultura popular é extremamente baseada na cultura oral, justamente da contação de histórias. É a perduração das informações através do pai que contou para o filho, que contou para o neto e daí por diante, vai passando de geração em geração — explica.

— Hoje estou ligado ao Grupo Estação de Teatro, e flertamos também com muitos outros coletivos, principalmente no quesito musical, porque existe uma certa carência de atores músicos. Algumas vezes dirigimos a parte musical, fazemos preparação de ator para tocar em cena, enfim, aquilo que estão precisando para um espetáculo — comenta.

Além de se apresentar em espetáculos teatrais, Caio Padilha também tem os seus shows.

— Me apresento com um quinteto musical que tenho, e também sozinho, participando de festivais como compositor. No momento o maior interesse é de difundir a oficina de rabeca pelo Brasil afora, porque acredito que precisamos difundir e valorizar a cultura popular, de outra forma não podemos evoluir culturalmente finaliza.

Para contatar Caio Padilha: (84) 8820-6577

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