União pelo teatro do Vale

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União pelo teatro do Vale

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Com o objetivo de fortalecer o teatro do Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, a RCT — Rede de Coletivos Teatrais, reúne grupos de teatro locais, a maioria com muitas dificuldades financeiras, para lutar em prol das artes cênicas na região.

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Entre os inimigos, além da falta de recursos para montar até um espetáculo simples, está a grande evasão de jovens, obrigados a deixar a região para estudar fora, já que não há cursos de teatro, dança ou música em todo o Vale, apesar do local ser conhecido em todo o país como de grande riqueza cultural.

— A RCT se reuniu pela primeira vez em 2008, quando os grupos de teatro daqui, após chegarem da III Mostra Latino Americana de Teatro de Grupo, em São Paulo, sentiram a necessidade de se unir para fortalecer o nosso teatro. A proposta da rede é uma gestão de baixo para cima, ou seja, dos grupos para os grupos, onde os membros da diretoria recentemente formada nada mais são do que idealizadores, ponderadores e concretizadores — fala Luciano Silveira, presidente a rede.

 — Todavia, as veredas são estreitas e íngremes, temos que caminhar de mãos dadas para não pisar em falso.

A finalidade é ajudar os grupos. A RCT veio para somar, multiplicar e potencializar. Buscamos resultados enriquecedores para a cultura cênica, privilegiando o trabalho e o debate sobre a construção em grupo — continua.

— Além de ser um espaço para debater proposta estéticas, entrar em contato com manifestações teatrais com pouco destaque no circuito tradicional, e sobretudo, dar início a um debate de uma organização regional para discutir políticas públicas de cultura e promover eventos e intercâmbio, parcerias, em escala nacional — acrescenta.

Um dos principais motivos da criação do RCT, segundo Luciano, é a preocupação com o êxodo dos jovens iniciantes nas artes.

— As pessoas são obrigadas saírem para estudar em outras partes, e muitas vezes nem voltam, porque parece que por aqui se requer que a pessoa faça qualquer coisa, menos arte, e com isso o nosso teatro e a nossa cultura em geral fica enfraquecida. A nossa luta é para que as pessoas que mexem com arte fiquem aqui, estudem e produzam na sua terra. O Vale é uma região conhecida nacionalmente pela riqueza cultural que tem, no entanto não forma a mão de obra que produz essa riqueza — explica.

— Queremos que o artista daqui não seja somente um popular autodidata, e sim um profissional, com carteira, participando do seu sindicato, enfim, apto para viver o teatro, a dança ou música, como profissão, ou mesmo ser um artista completo atuando em todos esses campos. Acreditamos que se trata de uma causa justa, que beneficiará o povo daqui e a própria cultura brasileira ao longo dos anos, já que fazemos parte dessa história — expõe.

Segundo Luciano, no momento o RCT tem como grupos ativos: Conversos, de Caraí; Gruted, de Divisópolis; Araçá, de Medina; Curutuba, da Chapada do Norte; É isso é!!!, de Joaíma; Gruteapa, de Pedra Azul; Meninos do Vale, de Medina; Próximo do Real, de Rio Pardo de Minas; Só Riso, de Jequitinhonha; e Ícaros do Vale, de Araçuaí.

— Hoje o Vale do Jequitinhonha é um lugar muito conhecido pelo lado da música, do artesanato, mas que tem aqui organizado politicamente são exatamente os grupos de teatro, apesar de todas as dificuldades que temos — constata.

— E são muitos os grupos, cheios da turma jovem que dá continuidade à vida de qualquer cidade. Esse pessoal quer trabalhar,  produzir arte. Mas os grupos enfrentam muitos problemas financeiros. Eles não tem sede, um trabalho certo, e ficam fora de atividades um tempo, por conta da questão financeira e êxodo dos componentes — constata Luciano, que também está a frente do grupo Ícaros do Vale, um dos maiores da região.

Brota teatro no Vale

Além dos grupos que já estão participando da RCT, Luciano conta que existem muitos outros ainda para aderir ao movimento.

— São grupos de teatro popular, de rua ou não, espalhados por quase todas as cidades do Vale. Inclusive tem uma outra associação que atua na região, mas está enfraquecida justamente pela evasão. Temos propostas para que as duas trabalhem juntas. Quanto mais união, mais forte fica. Nomes como o diretor João das Neves e o professor Fernando Limoeiro são parceiros nossos parceiros nessa luta — comenta. 

Luciano conta que o RCT já conseguiu estrear espetáculos através de parcerias.

— Temos feito apresentações por todo o Vale, porque procuramos incentivar um intercâmbio entre os grupos, numa luta contra a falta de recursos financeiros. Alguns ficam sem condição até mesmo de formar um figurino para realizar o espetáculo que desejam. Então já aconteceu, por exemplo, de dois grupos se juntarem para montar a mesma peça, um trocando o que tinha com o outro. Tem acontecido parcerias também na direção de espetáculos — conta Luciano.

— E a rede está ligada com outras entidades que têm o mesmo pensamento, até de coletividade. Estamos em parceria com o Teatro Universidade da UFMG, onde conseguimos que alguns professores especializados em teatro venham até aqui, fazer um intercâmbio no Vale. E estamos tentando parcerias com entidades ligadas ao teatro, como a própria Cooperativa Paulista, e o Movimento de Teatro de Grupo de Belo Horizonte — continua.

— Desde a criação do RCT fazemos pequenos encontros com os grupos participantes. São três dias, um final de semana, a cada três meses, em diferentes cidades, como Araçuaí, Taiobeiras, Comercinho, Padre Paraíso, Medina, Capelinha, que receberam o encontro dessa rede, que sempre trouxe junto consigo uma programação para a cidade, com shows regionais, passeatas, apresentações teatrais, entre outras — expõe Luciano.

Em outubro a rede participou do FESTA —   I Festival de Teatro de Rua do Vale do Jequitinhonha, em Araçuaí, um evento de grande importância dentro da luta, com peças, danças, shows, oficinas, palestras, lançamento de livros, exposição de fotografias. Para contatar a RCT [email protected]

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