Venezuela no Mercosul e o falso antiimperialismo de Chávez

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Venezuela no Mercosul e o falso antiimperialismo de Chávez

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A entrada da Venezuela gerenciada pelo coronel demagogo Hugo Chávez no Mercosul é um fato sobre o qual se tem produzido – ou melhor, tem-se reforçado – muita patranha, muita mistificação em torno da realidade da América do Sul enquanto região historicamente explorada que teria em figuras como Chávez a personificação de “governos” que, dizem por aí, enfim representam alguma resistência ao imperialismo ianque após décadas, séculos do mais famigerado servilismo.

Assim é com Hugo Chávez, que pela frente não economiza arroubos verborrágicos sobre “Revolução Bolivariana” e contra o imperialismo ianque, mas por trás assina contratos com um número cada vez maior de monopólios. A cada transnacional expulsa ou estatizada, chegam duas outras para agravar a rapina semicolonial no país. Segundo dados da Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe), o Investimento Estrangeiro Direto (IED, índice com o qual se costuma medir a expansão de transnacionais por meio da criação ou reforço de filiais que remetem lucros para a matriz) aumentou nada menos do que 339% na Venezuela em 2011.

Mas, ainda que a realidade diga outra coisa, há aqueles que insistem na insuflação de Chávez como um revolucionário que ele não é. Exemplo disso foi a manifestação, na forma de um artigo publicado no jornal portenho Página12, sobre a entrada da Venezuela no Mercosul por parte de um dos mais famosos “intelectuais” ditos “de esquerda” de toda a América Latina, o argentino Atilio Borón.

Para Borón, a entrada da Venezuela chavista no Mercosul representa “a maior derrota sofrida pela diplomacia estadunidense desde o colapso da Alca”, referindo-se ao projeto natimorto da Área de Livre Comércio das Américas, infâmia imperialista com a qual o USA pretendia estender até a Patagônia o tratado de livre-comércio que tem com o Canadá e o México, acrescido de cláusulas ainda mais draconianas e intervencionistas.

Borón, entretanto, saúda a entrada da Venezuela (de Chávez) no Mercosul sob um arcabouço argumentativo que, em vez de ser anticapitalista, como seria de se esperar de um cientista político que diz pensar em favor dos povos, é funcional ao sistema de exploração do homem pelo homem.

‘Brasil está com Chávez’? Que Brasil?

O argentino Atilio Borón, um dos gurus da falsa esquerda, parte do princípio de que as nações sul-americanas podem se posicionar melhor na divisão internacional do trabalho, passando ao largo das questões mais profundas de classe, como a emancipação de fato das massas trabalhadoras tanto frente ao imperialismo quanto em relação às elites locais parasitárias e vende-pátria, que por meio da farsa sufragista burguesa, como a que Chávez irá disputar em outubro, são alçados à gerências das semicolônias como verdadeiras alternativas – e não como contrapontos – aos monopólios em crise profunda:

“Em um contexto de crise mundial, como o atual, e ante as políticas protecionistas que cada vez com mais força são adotadas pelo centro do capitalismo, a integração dos países do Mercosul é a única salvaguarda que lhes permitirá resistir nos embates da crise mundial do capitalismo, ou ao menos minimizar seu impacto”.

É o tipo de cacarejo caro a quem participa com entusiasmo da “democracia” burguesa, legitimando-a, tendo como bandeira a demagogia, a empulhação e a inconsequência das ações e opiniões. No Brasil, essa turma é representada, por exemplo, pelas direções de organizações como o PCdoB, o MST e Psol, que no último dia 24 de julho participaram do lançamento da campanha “Brasil está com Chávez”, em apoio ao projeto de reeleição do coronel venezuelano na farsa eleitoral de outubro no país vizinho.

“Uma vitória do Chávez é uma vitória de todo o povo latino-americano”, chegou mesmo a dizer o “líder” do MST João Pedro Stedile, dizendo amém ao sufragismo que tão bem atende à estirpe de “democracia” que vigora na América Latina: a estirpe do revezamento entre as frações do partido único no gerenciamento das semicolônias locais, em uma permanente e grande concertação antipovo que conta com a prestimosa contribuição daqueles que dizem estar ao lado das massas exploradas, mas que participam de eleições, ocupam cargos no velho Estado, recebem verbas dos “governos” e na prática não passam de oportunistas em busca do seu quinhão.

Ao longo das últimas duas décadas, o jornal A Nova Democracia tem se sustentado nos leitores operários, camponeses, estudantes e na intelectualidade progressista. Assim tem mantido inalterada sua linha editorial radicalmente antagônica à imprensa reacionária e vendida aos interesses das classes dominantes e do imperialismo.
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