Vivendo Bezerra da Silva

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Vivendo Bezerra da Silva

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Grupo pernambucano apaixonado pelo trabalho de Bezerra da Silva, o Bando da Silva faz homenagem a esse que é um dos mais importantes expoentes do samba e do estilo partido alto, em cada canção tocada e cantada. Composto por jovens da atual cena do samba de Pernambuco, o Bando da Silva foi formado no ano passado com o objetivo de reviver ainda mais as canções e a história desse artista que, segundo defendem, não podem ser esquecidas.

Malandro é malandro, Mané é Mané, A semente, Cocada boa, Malandragem dá um tempo, são algumas das suas canções bem conhecidas. Nossa ideia é dar vida à saudosista e irreverente música do Bezerra. Nesse sentido, pegamos as músicas do Bezerra e criamos novos arranjos, não perdendo sua originalidade, e as apresentamos celebrando a obra de um dos mais ilustres músicos pernambucanos, ajudando a dar mais vida ainda à cena do samba de Pernambuco — conta Júlio Reis, idealizador e vocalista da banda.

O cantor, compositor, violonista e percussionista Bezerra da Silva nasceu em Recife, PE, em 1927, e migrou para o Rio de Janeiro, onde desenvolveu sua carreira musical com muita irreverência, humor e crítica, fazendo canções que expõem, em grande parte, os problemas sociais dentro das favelas cariocas, o cotidiano do povo do morro. Por esse motivo, ficou conhecido por muitos como o embaixador dos morros e favelas. Bezerra da Silva faleceu em 2005 no Rio de Janeiro.

— Minha paixão pelo samba e pelas canções de Bezerra da Silva nasceu por influência do meu avô, que faleceu há alguns anos, e amava contar as músicas do Bezerra. Como não sabia cantar as músicas, ele as contava e morríamos de rir. O Bezerra não tinha papas na língua e brincava com o que via a sua volta, era muito crítico e nunca falou sobre amor, que era muito mais comum entre os sambistas — fala Júlio.

— Desde sempre, minha relação com o samba foi estritamente pelo meu avô, que na verdade não escutava música com frequência, mas apreciava e muito as histórias de Bezerra da Silva. Essa ligação de infância com os contos das canções do Bezerra fez com que o cantor fosse tão marcante em minha vida — revela.

Consta na história da vida de Bezerra que o motivo de ter migrado para o Rio não foi exatamente em busca de uma melhoria de vida, uma carreira musical. Ele veio tentar encontrar o pai, que tinha saído de casa quando era ainda pequeno. Descobriu o seu paradeiro no Rio, chegou a encontrá-lo, não deu certo a aproximação, e ele acabou ficando. Foi morador de rua por um longo tempo, depois conseguiu uma residência no Morro do Cantagalo, em Copacabana, e trabalhou como pintor de paredes. Paralelo, era instrumentista de percussão, participava de um bloco de carnaval e de programas de rádio. Sempre bem humorado e politizado, seguiu pelo caminho do samba até ver seu talento reconhecido.

— Bezerra era do tipo que comprava qualquer briga em prol da comunidade e sempre transformou a revolta dele e do povo em canções cheias de sarcasmo e muito humor. Não era nada sutil ao dar recados através de seu discos. ‘Presidente Caô Caô’ é o seu álbum mais politizado de todos e, na capa, Bezerra aparece vestido como um presidente, com faixa e tudo, dando uma ‘banana’ para quem o vê.  ‘Candidato Caô Caô’ é a principal faixa deste álbum e a maior prova de como Bezerra da Silva deixava a sutileza de lado para abrir os olhos da população sobre as eleições’ — comenta Júlio.

Projeto antigo

Idealizei o grupo há alguns anos, mas não havia conhecido ninguém que pudesse me acompanhar na jornada de um grupo segmentado como este. Ano passado, quando botei na cabeça que teria que montar o grupo de todo jeito, chamei alguns amigos que formei através de meu trabalho em produção de eventos — conta Júlio.

— O fato de Bezerra ser meu conterrâneo também pesou na hora de prestar essa homenagem. Como todos que conhecem sabem, a cena de samba de PE é muito vasta e com artistas fantásticos, mas pouquíssimos cantam Bezerra da Silva. Minha intenção também é mostrar que, apesar de ter se formado como cantor no Rio de Janeiro, Bezerra era pernambucano e teve suas raízes no coco — expõe.

Além de Júlio, o grupo tem João Paulo Albertim, Alexandre, Pedro Santana, Junior Teles, Ginga e Elton Sarmento.

— O Junior Teles e o Pedro Santana, ambos percussionistas, faziam pelo menos dois shows por mês no meu local de trabalho, e eles foram os primeiros que chamei para o grupo. O João Paulo Albertim é uma das maiores revelações do cavaquinho brasileiro, conheci-o também em um evento e imediatamente o convidei para o grupo. O Elton Sarmento, que faz violão 6 cordas, é outro destaque na nova leva de sambistas da cidade, e é filho do virtuoso Bozó 7 cordas, que já tocou com o próprio Bezerra e assina a direção musical do grupo, juntamente com o Rubens França, outro grande músico do samba pernambucano — diz Júlio Reis.

— Alexsandro Chaprão, violão 7 cordas, e Alexandre Copinha, clarinete e flauta transversal, foram agregados ao grupo por serem excelentes músicos e por apostarem no projeto, além de já serem parceiros de jornadas nos palcos com João Paulo, Pedro, Junior e Elton. Eu sou o único do grupo a iniciar na carreira do samba recentemente. Posso dizer que enveredei pelos caminhos do samba, que sempre me encantaram — continua.

Estamos com muitas apresentações agendadas para esse segundo semestre, várias casas e bares nos contratando. Além disso, produtores brasileiros de Colonia, na Alemanha, estão cotando o Bando da Silva para uma série de shows na cidade. Quer dizer, mal começamos e já estamos de vento em popa — finaliza.

Para contatar o Bando Da Silva: Lívia Dias [email protected]

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