Voz que canta o Brasil

https://anovademocracia.com.br/92/12b.jpg
https://anovademocracia.com.br/92/12b.jpg

Voz que canta o Brasil

Print Friendly, PDF & Email

http://jornalzo.com.br/and/wp-content/uploads/https://anovademocracia.com.br/92/12b.jpg

Um dos intérpretes brasileiros que ousa trabalhar um repertório requintado, com harmonias, orquestrações e arranjos refinados, em um tempo de músicas descartáveis, Gonzaga Leal se preocupa em resgatar obras de grandes compositores brasileiros, principalmente as menos conhecidas. Com discos temáticos que incluem maxixe, boi do maranhão, samba-canção, marchinhas de carnaval, moda de viola, choro, maracatu, música erudita e outros, Gonzaga se declara mais um entre muitos resistentes em favor da cultura brasileira.

— Faço parte de um grupo de artistas interessados na manutenção desse patrimônio cultural brasileiro. Somos pessoas que não estamos interessados em fazer concessões, e sim em continuar a ser artistas, fazendo um trabalho em que apareça a verdade de cada um. Somos os resistentes que estão na contramão da mídia, na contramão do mercado — afirma Gonzaga.

— Nasci em Serra Talhada, no interior de Pernambuco, em uma família muito musical. Meus pais cantavam no coral da igreja da cidade, e para isso minha mãe fazia preparação vocal com a cantora Rosa Pau-Ferro. Ainda bem menino, convivi com o maestro Moacir Santos, sempre tocando informalmente na casa dos meus avós. Assim, por volta dos treze anos comecei a estudar teoria musical com o maestro Edésio e também fazer preparação vocal com a Rosa Pau-Ferro — conta.

Aos dezoito anos de idade Gonzaga foi morar em Recife, que na época, final da década de 1960, segundo conta, vivia uma efervescência musical.

— Havia muitas oportunidades para artistas, principalmente na televisão. Com isso participei do programa Cidade Encantada, que recebia cantores iniciantes, e conheci o Luís Vieira, que vinha semanalmente do Rio de Janeiro fazer outro programa. Ele me convidou para cantar e me apresentou a Marlene, que foi uma escola para mim. Ela me ensinou a usar a voz e foi a primeira pessoa a me dizer que o bom cantor é aquele que emociona — declara.

— Depois conheci um músico que foi outra escola para mim, o Canhoto da Paraíba, um dos mais importantes violonistas do Brasil. Ele me apresentou repertório, me ensinou a ser um artista ousado, e me levou para cantar na noite. Viajei e fiz inúmeros shows com o Canhoto, tanto que o ultimo que fez antes de ter o AVC foi comigo em Recife — comenta.

— Através do Canhoto conheci pessoas importantes, como Paulinho da Viola e Raphael Rabello, e pude definitivamente me iniciar na carreira discográfica. Lamentavelmente ele já estava bastante atingido pelo AVC quando gravei meu primeiro disco, Olhar Brasileiro, em 1998, e não pode participar, mas me indicou parte do repertório — continua.

Passeio pelo Brasil musical

— O disco é uma espécie de mosaico interpretativo do Brasil, mostrando o cancioneiro brasileiro através do popular e erudito, interpretando de Paulinho da Viola a Villa-Lobos e Carlos Gomes. Já meu segundo CD, Minha Adoração, foi uma homenagem ao centenário do maestro Nélson Ferreira. Ele tinha um belíssimo repertório de carnaval, mas descobri um repertório de percurso repleto de valsas, sambas canções, baladas, boleros lindíssimos, e o escolhi — fala.

— Dois anos depois fui convidado para fazer um disco em homenagem ao Capiba, Gonzaga Leal cantando Capiba… e sentirás o meu cuidado. Mais uma vez preferi gravar o repertório de percurso, me deparando com algo absolutamente original, de choro, sambas canções, e algumas adaptações que ele fez de temas populares, o que resultou em um trabalho absolutamente original, forte e poético sobre o Capiba — expõe.

— Depois dessas homenagens, resolvi fazer algo com um frescor novo, E o nosso mínimo é prazer, que é um passeio por São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, através de compositores como Itamar Assumpção, Luiz Tatif, Zé Miguel Wisnick, Siba Veloso, e outros, com samba, toadas, temas de folias de reis, sempre tentando juntar meus interesses musicais e essas diversas linguagens — comenta.

O quarto disco de Gonzaga, Para sempre sonhar, foi a convite do maestro Ademir Araújo, o Formiga, da Orquestra Popular do Recife.

— Entramos em estúdio para gravar um repertório de marchas, ranchos e frevo de bloco. É um disco de carnaval que eu jamais imaginei fazer, até porque não sou cantor de carnaval e aqui temos grandes intérpretes desse cancioneiro, mas o maestro quis que fosse eu. Nesse disco resgatei a Woleide Dantas, uma cantora que conheci na época que fiz televisão. Ela dividiu uma música comigo — conta.

O trabalho recente de Gonzaga é fruto das viagens pelo país, e o contato com culturas diversas onde aparece a viola.

— Conheci as rodas de viola e comecei a me aproximar desse repertório, presente nas folias de reis, nos reisados, nos sambas de rodas de Santo Amaro da Purificação, nos cânticos de lavadeiras lá do Vale do Jequitinhonha, nas modas de viola, nos temas afro-brasileiros, e muito mais. Isso foi acordando o homem do interior, guardado dentro de mim — expõe.

— Por conta disso fiz E o que mais aflore, um CD com um repertório composto de temas da tradição brasileira, e no momento sigo com os meus shows. Mas já me preparo para gravar mais dois discos, um só com músicas de viola e outro só com temas de teatro — conclui Gonzaga.

Para contatar: (81) 3463-4635 / 8712-5110 [email protected]  

Ao longo das últimas duas décadas, o jornal A Nova Democracia tem se sustentado nos leitores operários, camponeses, estudantes e na intelectualidade progressista. Assim tem mantido inalterada sua linha editorial radicalmente antagônica à imprensa reacionária e vendida aos interesses das classes dominantes e do imperialismo.
Agora, mais do que nunca, AND precisa do seu apoio. Assine o nosso Catarse, de acordo com sua possibilidade, e receba em troca recompensas e vantagens exclusivas.

Quero apoiar mensalmente!

Temas relacionados:

Matérias recentes: