A plenária no Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania (IHG) estava lotada! Mais de uma centena de ativistas de diversos movimentos populares da capital e região denunciaram os crimes cometidos pelo regime militar e as ameaças fascistas dos militares golpistas hoje. Ex-presos políticos, lutadores populares, professores, ativistas, jovens, estudantes repercutiram um forte repúdio ao golpe militar e seus crimes contra o povo e a Nação.
Valéria Costa Couto, irmã de Walquíria Afonso Costa, guerrilheira do Araguaia e estudante de Pedagogia na Universidade Federal de Minas Gerais, apresentou um vívido e emocionante relato da trajetória de sua família em busca do seu direito aos restos mortais e pela memória dessa heroína do povo brasileiro.
O representante do povo Krenak denunciou o genocídio colonial continuado contra os povos originários. Douglas Krenak trouxe muitos exemplos sobre os crimes de guerra cometidos pelo velho estado brasileiro contra o seu povo no Vale do Rio Doce, região hoje alvo da sanha latifundista predatória das mineradoras.
A fala do chargista Nilson trouxe uma riquíssima reflexão sobre o papel da arte e da imprensa na luta de classes e o seu papel na luta contra o regime que infelicitou o país durante longos 21 anos.
Um ponto marcante do vento foi a fala do Comitê Mineiro de Solidariedade ao Povo Palestino, seguida da emocionante leitura de um belíssimo poema de uma criança palestina exaltando a moral elevada e a coragem indômita do bravo povo palestino.
Miriam Abou-yd, psiquiatra e psicóloga integrante do Fórum Mineiro de Saúde Mental, destacou como o regime militar utilizou dos “manicômios” como instrumentos de sua guerra sangrenta contra os lutadores do povo, como ficou comprovado com os trágicos e revoltantes episódios em Barbacena.
O Comitê de Apoio ao AND de BH repercutiu o apelo anunciado no vibrante ato político no Rio de Janeiro dois dias antes. Dezenas de manifestos foram distribuídos condenando o golpe “ontem e hoje”. O Comitê de Apoio conclamou todos presentes a se somarem à campanha pela reabertura da “Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos”.
O evento foi encerrado com apresentações musicais diversificadas, das músicas de protesto e clássicos da luta contra o regime com a banda AJOTAMINA ao som avant-guarde rock do Trem Doido. O grupo de rap Sem Meias Verdades fechou o evento com rimas combativas em defesa da luta popular e revolucionária.