MG: Policial executa homem desarmado com tiros à queima-roupa

MG: Policial executa homem desarmado com tiros à queima-roupa

Print Friendly, PDF & Email

Momento em que o PM executa Marcos Vinicius Vieira Couto atrás da Kombi. Foto: Reprodução

A Polícia Militar (PM) de Minas Gerais assassinou o trabalhador Marcos Vinicius Vieira Couto, de 29 anos, com três tiros à queima roupa durante uma abordagem. O crime, que foi filmado por moradores da região, aconteceu na noite do dia 16 de julho, no bairro Vila Barraginha, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Moradores denunciam que esta já é a terceira execução feita por PMs em menos de duas semanas. O motivo para as mortes seria o não pagamento de propina aos militares.

A covarde execução aconteceu na frente de dezenas de pessoas, inclusive familiares de Marcos, que apelavam para que os PMs liberassem o rapaz. As imagens mostram os policiais a todo momento apontando revólveres e fuzis a curta distância contra os moradores, enquanto Marcos e outros moradores estão com as mãos para o alto, não oferecendo qualquer resistência à abordagem. Em certo momento, um dos policiais tentou levar o rapaz para um beco, porém foi impedido pelos moradores que já sabiam que o agente pretendia matar Marcos. Com isso, o policial levou Marcos para trás de uma Kombi e o executou na frente de seus familiares e amigos em plena via pública.

Após o assassinato os moradores se revoltaram, porém os policais continuaram a repressão e atiraram para o alto para afastar as massas em fúria. De acordo com o Hospital Municipal de Contagem, para o qual Marcos foi levado, o homem já chegou morto à unidade.

Posteriormente ao crime, durante entrevista coletiva, a porta-voz da PM de Minas Gerais, major Layla Brunnela, culpou a própria vítima pelo assassinado. Primeiro alegou que Marcos estava armado e ameaçando pessoas em um bar. Depois disse que o homem tentou retirar a arma da mão do policial. Ambas as versões foram desmentidas pelos moradores que presenciaram a ação e pelas imagens gravadas. Além disso, nenhuma arma foi encontrada no local.

A major ainda tentou justificar a ação genocida da PM, alegando que Marcos tinha passagem pela justiça por porte ilegal de armas e tráfico de drogas. Tal fala evidencia o papel de capitão do mato exercido pelos militares dentro de um sistema de capitalismo de tipo burocrático como o nosso, em que meros agentes do velho Estado se acham no direito de sentenciar e executar pessoas “suspeitas” de crimes.

A Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Minas Gerais, acionou o Ministério Público e a Ouvidoria de Polícia do Estado, para denunciar mais essa execução. De acordo com a comissão, a terceira execução no local em menos de duas semanas aconteceu pois “o suposto traficante e outros não pagaram os valores de suposta corrupção cobradas e devidas aos policiais”. A denúncia da OAB é confirmada por moradores da região.

A irmã de Marcos Vinicius,  Daniele Aparecida Vieira, também afirma que os PMs já foram ao local com a intenção de matar o seu irmão. “Ele já veio pra executar o meu irmão. E nós queremos justiça”, afirmou.

Ao longo das últimas duas décadas, o jornal A Nova Democracia tem se sustentado nos leitores operários, camponeses, estudantes e na intelectualidade progressista. Assim tem mantido inalterada sua linha editorial radicalmente antagônica à imprensa reacionária e vendida aos interesses das classes dominantes e do imperialismo.
Agora, mais do que nunca, AND precisa do seu apoio. Assine o nosso Catarse, de acordo com sua possibilidade, e receba em troca recompensas e vantagens exclusivas.

Quero apoiar mensalmente!

Temas relacionados:

Matérias recentes: