Militares praticam nas favelas brasileiras o que aprenderam no Haiti

Foi isso que os senhores generais aprenderam no Haiti. É isso o que estão praticando, agora, nas favelas de todo o País, especialmente as cariocas, através de suas forças auxiliares. O Exército faz isso sem consideração pela verborragia deste ou daquele governo de turno.

Militares praticam nas favelas brasileiras o que aprenderam no Haiti

Foi isso que os senhores generais aprenderam no Haiti. É isso o que estão praticando, agora, nas favelas de todo o País, especialmente as cariocas, através de suas forças auxiliares. O Exército faz isso sem consideração pela verborragia deste ou daquele governo de turno.
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Em 6 de julho de 2005, a Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah), comandada pelo Exército brasileiro e, especificamente, por Augusto Heleno, empreendeu uma operação denominada “Punho de Ferro”. Do amanhecer ao entardecer, durante sete horas, a operação mobilizou 440 soldados, com apoio de 41 blindados e um helicóptero; as saídas da comunidade foram bloqueadas por soldados. Os feridos não foram levados ao hospital, mas antes, foram abandonados pela tropa sanguinária. Estima-se que foram mortas sete pessoas. A operação estarreceu o Haiti e o mundo, e ficou conhecida como Massacre de Cité Soleil.

Quem acompanhou as notícias da operação da Polícia Militar (PM) no Rio de Janeiro, nos Complexos da Maré, Alemão e Penha, no dia de hoje, terá sensação de dejavú. E mais: quem vive em uma favela em qualquer metrópole do Brasil não se estarrecerá com tal brutalidade que chocara o mundo, pois lamentavelmente se trata de uma cena muito próxima do cotidiano das massas populares dos grandes centros urbanos.

A semelhança não é mera coincidência. As forças policiais respondem operacionalmente aos governos estaduais, porém, como forças auxiliares e de reserva do Exército reacionário, são centralizadas pelo Alto Comando dessa instituição genocida. A Inspetoria-geral das Polícias Militares, órgão do Alto Comando do Exército, exerce o comando doutrinário das PMs, seleciona quadros para promoção de cursos, define o material bélico utilizado e formas de organização.

As PMs executam, nas favelas, a doutrina do conflito ou guerra de baixa intensidade. Estabelecem um conflito bélico, com formas não convencionais, sem mobilização massiva e permanente de tropas, mas com operações mais ou menos volumosas em área restrita e calculada simetricamente para não gerar comoção ou resistência política à guerra em curso. É uma forma de fazer a guerra contra o povo, pretendendo não despertar resistência.

Foi isso que os senhores generais aprenderam no Haiti. É isso o que estão praticando, agora, nas favelas de todo o País, especialmente as cariocas, através de suas forças auxiliares. O Exército faz isso sem consideração pela verborragia deste ou daquele governo de turno. Isso não se altera, embora haja sempre alternância do partido no governo federal. Os trabalhadores dos grandes centros, moradores de favelas, seguem morrendo, enquanto os sucessivos governos federais empurram a responsabilidade aos estaduais, porque ninguém enfrenta o governo secreto que funciona dentro das Forças Armadas. Como vemos, nesta republiqueta, as armas mandam na política.

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