Mourão se encontrou com grande traficante de cocaína quando era vice-presidente

Encontro com criminoso para discutir pauta obscura contrasta com a verborragia do general, que posa como vestal da moral nacional

Mourão se encontrou com grande traficante de cocaína quando era vice-presidente

Encontro com criminoso para discutir pauta obscura contrasta com a verborragia do general, que posa como vestal da moral nacional
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A Agência Sportlight noticiou que Hamilton Mourão, general de quatro estrelas reservista do Exército brasileiro e agora senador, encontrou-se com um grande traficante de drogas, no dia 9 de abril de 2019, no Palácio do Planalto, quando era vice-presidente.

A pauta do encontro era “fortalecimento do patriotismo” e estiveram presentes, além de Mourão, quatro militares reservistas. Dentre esses, estava Milton Constantino da Silva, que em novembro de 2020 acabaria preso por tráfico internacional de drogas, associação ao tráfico e organização criminosa.

Milton, no entanto, não era “ficha limpa” na ocasião da visita, em 2019. Ele já havia sido condenado, em 2011, a 11 anos de prisão por formação de quadrilha, falsificação de documento público e receptação. O ex-militar acabou não sendo punido, por prescrição de pena em 2014. Ele já estava sob investigação da PF, em 2019.

As investigações apontaram que Milton, a ilustre visita de Mourão, era o braço direito do ex-major Sérgio Roberto de Carvalho; este, por sua vez, é considerado o maior traficante de drogas até então em atividade no Brasil.

Na sentença que determinou sua prisão, é assim destacada a função de Milton: “líder de grupo estruturado e de importância estratégica nas atividades realizadas pela organização criminosa coordenada por Sérgio Roberto de Carvalho”. A sentença menciona ainda que, apenas durante o período da investigação, foram monitorados carregamentos de 45 toneladas de cocaína, o que mostra “a complexidade e relevância das atividades realizadas por Milton Constantino enquanto responsável pela criação de empresas fictícias para utilização do tráfico internacional de cocaína e ocultação do patrimônio, a capacidade financeira angariada a partir do proveitos advindos do tráfico internacional, utilização de documentos falsos”. A reportagem da Agência Sportlight ainda destaca que um dos membros da quadrilha encabeçava atividades de garimpo ilegal.

Na agenda oficial de Mourão não há qualquer menção a esse encontro de 2019, no entanto, uma publicação de um dos visitantes, com fotos do encontro, ressaltou que a pauta era discutir “uma série de propostas visando, em especial, uma participação mais efetiva dos reservistas das Forças Armadas Brasileira junto à sociedade brasileira, auxiliando na promoção da cidadania, patriotismo e fortalecendo a Associação de Reservistas”. Sem maiores especificações.

A reportagem da agência não conseguiu contato com Hamilton Mourão.

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