MS: Povos indígenas bloqueiam rodovias contra “Marco Temporal” do latifúndio

MS: Povos indígenas bloqueiam rodovias contra “Marco Temporal” do latifúndio

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Nota da Redação: Seguem notícias sobre as manifestações indígenas ocorridas nos últimos dias no Mato Grosso do Sul e a nota do Comitê de Solidariedade aos Povos Indígenas de Dourados (CSPID) contra o ‘Marco Temporal’ do latifúndio.


 

As manhãs de 15 e 16/08, em Mato Grosso do Sul (MS), foram marcadas por mobilizações indígenas reivindicando o reconhecimento e demarcação de suas terras e de remanescentes de quilombolas.

Nas manifestações os povos originários rechaçaram o criminoso “Marco Temporal”, mais um ataque do velho Estado em conluio com o latifúndio, que quer restringir a demarcação das terras indígenas somente aos caso em que essas populações tivessem ocupado-as em outubro de 1988, data em que foi promulgada a Constituição Federal.

Esse “Marco Temporal” defendido pelos lacaios do latifúndio e do imperialismo visa atender cada vez mais os interesses do latifúndio e do agronegócio, que dia após dia vem ampliando a concentração de terras e riquezas em suas mãos, deixando milhares de indígenas carentes de um lugar para trabalhar, viver e conservar a sua cultura.

Mais informações serão publicadas em nossa próxima edição impressa.

 

Taunay ergueram barricada e bloqueiam a BR- 262 por durante cinco horas em defesa de suas terras

NOTA DO CSPID SOBRE AS MOBILIZAÇÕES NO MATO GROSSO DO SUL ACERCA DO MARCO TEMPORAL

Hoje, dia 15 de Agosto, uma série de rodovias foram paralisadas no Mato Grosso do Sul em protesto contra o Marco Temporal, o qual define que os indígenas que não estivessem comprovadamente ocupando suas terras no dia 5 de outubro de 1988, data da promulgação da constituição, não tem direito à terra. Na prática, inviabiliza demarcações e, para além disso, torna possível rever terras já demarcadas.

A tese está em vias de consolidação através da votação de Ações Civis Originárias (ACOs), a ser realizada amanhã (dia 16) em Brasília. A ACO trata de conflitos de interesses entre Estado e território, ou seja: entre os interesses do latifúndio e da burguesia e povos indígenas, quilombolas e camponeses. Através de ações integradas, os Guarani Kaiowá, Nhandeva, e Terena da Terra Indígena Taunay Ipegue, se alinham ao anúncio de um novo tempo de resistência, que agrega os povos indígenas de todo o país contra uma tese ruralista que põe em risco o futuro das demarcações de terras indígenas e quilombolas.  

Os bloqueios ocorreram próximos aos municípios de Miranda, Japorã e Antonio João, cortando rodovias fundamentais para o escoamento da produção ensanguentada da monocultura. Além dos bloqueios, grupos de retomadas reuniram-se com suas bases e lideranças para elaborar planos de luta e debater o Marco Temporal, alimentando a esperança no espaço comum propiciado, entre outros, pelos Tekoha de Nhandeva, em Caarapó, e Sucuri’y e Yvy Katu, na fronteira com o Paraguai.

Em Brasília, as diversas delegações de indígenas provenientes de todos os cantos do Brasil se posicionam em frente ao Congresso Nacional com o intuito de barrar a aprovação do Marco Temporal.

No entanto, alertamos para a importância das mobilizações locais, articuladas na base, como um instrumento fundamental para a continuidade desta grande batalha. O Comitê de Solidariedade aos Povos indígenas de Dourados declara total apoio aos levantes dos povos da terra contra as apunhaladas do Estado burguês. Compreendemos que independentemente da aprovação do Marco Temporal, seguirão os massacres, despejos e as mais diversas formas de violência militar e paramilitar, articulada pelos de cima contra os indígenas sublevados. Mas sobretudo, temos convicção que a nova onda de ataques não irá ficar sem resposta. Se abre um período de guerra: as flechas já apontam para o alvo correto.

Que avancem novas retomadas para a destruição do latifúndio! 

Comitê de Solidariedade aos Povos Indígenas de Dourados

 

Manifestação bloqueia BR- 163 em Caarapó – Mato Grosso do Sul

Povos indígenas protestam na frente do prédio do Supremo Tribunal Federal em Brasília contra “Marco Temporal” e em defesa da demarcação de suas terras. Foto: Bianca Marinho

 

 

 

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