MT: Mais de 70 famílias são expulsas a mando do judiciário para beneficiar latifundiária

MT: Mais de 70 famílias são expulsas a mando do judiciário para beneficiar latifundiária

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Pertences da escola da comunidade são retirados do local em início da ação em 4 de fevereiro. Foto: Banco de dados AND

Uma ordem de despejo assinada pelo juiz Alexandre Paulichi Chiovitti, no dia 22 de janeiro contra cerca de 70 famílias na comunidade rural Vale Abençoado, foi posta em prática pela Polícia Militar no dia 4 de fevereiro pelas forças de repressão. A área, que antes da chegada dos camponeses era improdutiva, está localizada no município de Santo Antônio do Leverger.

Em meio ao despejo dezenas de famílias desoladas ainda estavam desabrigadas, as escolas da comunidade foram desmontadas e tiveram seus equipamentos, como cadeiras, armários e mesas, retirados. Em entrevista ao monopólio R7, uma das camponesas afirmou: “Vamos para o meio da rua. Eu não penso só em mim. Tem muita gente que também não tem para onde ir”.

As famílias travaram uma luta de quase 30 anos pelos títulos das terras, sendo estas regularizadas apenas em 2017. O conflito se iniciou quando o antigo latifundiário fez um acordo sobre as terras improdutivas, a fim de valorizar a área para negociar com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) a venda da propriedade, porém, não alcançou seu objetivo e acionou a justiça para a retirada das famílias. 

A ordem assinada pelo juiz da Comarca de Santo Antônio de Leverger determinou a expulsão das famílias para a “devolução” de cerca de 1,6 mil hectares à viúva do que se alegava proprietário, Tânia Marisa De Castro Monte. 

A comunidade atualmente abriga moradias, escola e posto de saúde, além de estradas, pontes, demarcação e loteamento da área ocupada. Forças políticas da região se posicionam, assim como nas demais tentativas de despejo, contra a expulsão das famílias.

Um vídeo produzido pelo portal Gazeta MT apresenta relatos das famílias sobre a vida na área e o que poderá acontecer caso sejam despejadas.

Pertences da comunidade são retirados do local em início da ação em 4 de fevereiro. Foto: Banco de dados AND

Escola desmontada a mando do judiciário. Foto: Banco de dados AND

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