Na Agrishow, Bolsonaro, Tarcísio e Caiado apontam para eleições de 2026, mas não só

Na abertura da Agrishow, no dia 28 de abril, Bolsonaro reuniu crápulas numa agitação de extrema-direita para latifundiários.

Na Agrishow, Bolsonaro, Tarcísio e Caiado apontam para eleições de 2026, mas não só

Na abertura da Agrishow, no dia 28 de abril, Bolsonaro reuniu crápulas numa agitação de extrema-direita para latifundiários.
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No dia 28 de abril teve início, em Ribeirão Preto (São Paulo), a Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação. Conhecida como Agrishow, o evento reúne o “agronegócio” brasileiro em torno de lançamentos de equipamentos agrícolas e tecnologia na produção rural. Ela ocorrerá até o dia 3 de maio e deve reunir mais de 200 mil pessoas, movimentando mais de R$ 14 bilhões.

Logo no primeiro dia, enquanto os representantes do governo federal Geraldo Alckmin e Carlos Fávaro compareciam no de evento de abertura que ocorreu às portas fechadas, a extrema-direita bolsonarista realizou uma agitação para os latifundiários que se reuniram na cidade.

O ex-presidente genocida Jair Bolsonaro subiu no carro de som ao lado de um conjunto de crápulas como Ricardo Salles (o ex-ministro do Meio Ambiente, hoje é deputado e inimigo declarado dos povos indígenas), Tarcísio de Freitas (ex-ministro de Infraestrutura e atual governador de SP responsável por recordes de assassinatos policiais em chacinas nas periferias) e Ronaldo Caiado (governador de GO que foi um dos criadores da UDR). Todos eles criticaram o governo de Luiz Inácio e fizeram acenos aos latifundiários presentes.

O que falou a extrema-direita?

Durante a passeata realizada no domingo, Bolsonaro relembrou o seu governo e também fez elogios direcionados para Tarcísio de Freitas e Ronaldo Caiado, governadores de SP e GO, tidos como favoritos para a disputa presidencial de 2026. Acenando para Tarcísio, afirmou: “Se eu não voltar um dia, fiquem tranquilos porque plantamos sementes”. Quanto a Caiado, o genocida se referiu da seguinte forma: “Semente velha, mas que tem condições de germinar e dar frutos”.

Principal cotado para ser o substituto de Bolsonaro nas próximas eleições presidenciais, Tarcísio de Freitas embelezou o governo responsável pelo genocídio durante a pandemia, chamando Jair Bolsonaro de “visionário”, criticou os “desmandos do atual governo”. Interessado no espólio eleitoral daquele que hoje está inelegível por conta de agitações golpistas realizadas antes, durante e após as eleições de 2022, Tarcísio destacou que Bolsonaro sempre “valorizou e foi parceiro do agronegócio”. Ele aproveitou a ocasião para anunciar um pacote de R$ 1,4 bilhão de investimentos do governo de SP para o latifúndio. O governador de SP foi criticado por não comparecer na abertura oficial, preferindo ir para a manifestação que foi realizada do lado de fora.

Na realidade, Tarcísio já está em campanha eleitoral para presidente em 2026. Seu governo comprova isso: o crescimento de chacinas nas periferias é um aceno para a extrema-direita nas cidades – numa tática eleitoreira já utilizada por assassinos e terroristas como Wilson Witzel e Cláudio Castro, no RJ. Com a atual a promessa de verbas bilionárias para o latifúndio, Tarcísio indica que quer também selar uma aliança com o latifúndio, sobretudo o paulista, que é responsável por mais exportações anuais num valor acima de 70 bilhões de dólares (representando mais de 20% do exportado pelo latifúndio brasileiro no ano de 2023).

Durante os quatro anos do governo Bolsonaro, a extrema-direita também realizou agitações na Agrishow. Em 2019, a Liga dos Camponeses Pobres denunciou que, ao discursar na abertura do evento latifundista, o genocida pregava abertamente uma guerra no campo enquanto anunciava medidas econômicas que beneficiavam abertamente o latifúndio em detrimento dos milhões de camponeses que amarguravam a miséria no campo, sem acesso à terra.

Diante de agitação bolsonarista, Luiz Inácio silencia

Enquanto Bolsonaro, sem ser convidado oficialmente para o evento, fez uma motociata, discursou visando as eleições e agitou sua base de extrema-direita com críticas ao governo, Luiz Inácio decidiu não comparecer pessoalmente, mas sim escalar seu vice-presidente Geraldo Alckmin. Tudo para evitar ser rechaçado pelos latifundiários, que são, hoje, a principal base social do bolsonarismo.

A inauguração oficial do evento (que por ter sido fechada ao público, favoreceu o cálculo de Luiz Inácio) contou, tão somente, com Geraldo Alckmin e Carlos Fávaro. Escalados para representarem a equipe do governo federal na abertura da Agrishow, cumpriram a estratégia de tentar comprar os latifundiários pelo bolso.

O ministro da Agricultura, Fávaro, já ocupou o cargo de vice-presidente da Associação de Produtores de Soja do Brasil. Em abril de 2023, comparou a luta pela terra e ocupações promovidas pelo movimento camponês com a invasão da sede dos três poderes em 8 de janeiro por bolsonaristas.

Ele afirmou que o governo têm se dedicado a investir no setor de máquinas agrícolas: “Ano passado foram R$ 2 bilhões, esse ano será ainda mais”, afirmou o ministro, que também prometeu que as taxas de juros serão ainda menores que o patamar do plano Safra em curso (que variam de 8% a 12%, muito abaixo do que paga o conjunto do povo brasileiro).

No ano passado, o ministro Carlos Fávaro decidiu não comparecer na cerimônia de abertura da Agrishow por ter se sentido “desconvidado” devido à presença de Jair Bolsonaro. Luiz Inácio, então, cortou o patrocínio do BB ao evento, mas logo entregou uma bolada de R$ 363 bilhões ao latifúndio através do Plano Safra. Bolsonaro e os sequazes, naquela ocasião, fizeram o de sempre: agitação de extrema-direita para os latifundiários.

O maior risco do silêncio de Luiz Inácio não é que a extrema-direita atinja as pretensões eleitorais do PT e critique o governo federal. O que está em jogo aqui é uma tarefa fundamental, já assumidas pelas massas de camponeses, quilombolas e indígenas: o combate aos grupos paramilitates do latifúndio – que crescem ano após ano conforme se avolumam as agitações bolsonaristas.

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