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Ronaldo, garoto-propaganda da Nike

Quase seis meses depois de aprovado o relatório final da CPI do Futebol e de ter sido encaminhado aos órgãos competentes, Ministério Público, Polícia Federal, Banco Central, Receita Federal, para as providências que ajudem a sanear o esporte, nada mudou.


Os protestos da mídia independente, dos sindicatos de atletas, torcedores, o povo, de um modo geral, ou dos ex-jogadores Zico, Carlos Alberto Torres, Gérson, Tostão e de Sócrates, que rotulou o futebol brasileiro como "um antro de prostituição", da mesma forma, de nada valeram.

Ricardo Teixeira, contra quem a CPI sugeriu 27 pedidos de indiciamento ao Ministério Público e teve pedida a prisão por alguns parlamentares, continua no cargo e fazendo o que bem entende.

O próprio presidente da CBF reconhecia a gravidade de sua situação, ao declarar em reunião com presidentes de federações que "se a CPI do Senado for aprovada, estamos f..." Por acaso, um repórter gaúcho obteve a gravação da reunião, hoje, sob a responsabilidade da Polícia Federal.

Evasão fiscal, fraude cambial, evasão de divisas, sonegação de impostos, apropriação indébita e falso testemunho são algumas das denúncias das CPIs contra os maus dirigentes. O presidente da Federação de Futebol do Paraná, Onaireves Moura, fez pior: foi acusado pela CPI da Câmara, de muitas irregularidades, entre elas a compra de barras de ouro, utilizando-se da entidade.

Estranhamente, porém, o dirigente paranaense não foi sequer citado pela CPI do Futebol no Senado, e, por isso, não será investigado, porque o relatório final da CPI da Câmara não obteve aprovação. A "bancada da bola", boicota, agora, a votação à lei de responsabilidade social para o esporte, proposta e encaminhada pelo governo ao Congresso Nacional.

Acusado como o maior responsável por uma década de corrupção na arbitragem nacional comandada pela CBF, o ex-diretor Ivens Mendes não foi sequer ouvido por nenhuma das CPIs, causando estranheza.

Foram indiciados os presidentes da CBF (Ricardo Teixeira, juntamente com o secretário-geral Marco Antônio Teixeira e do diretor de marketing, José Carlos Salim); das federações do Estado do Rio(Eduardo Vianna), de São Paulo (Eduardo Farah, além do vice-presidente Pedro Yves Simão); de Minas Gerais (Elmer Guilherme); do Flamengo (Edmundo Santos); do Vasco (Eurico Miranda, além do ex-presidente Antônio Soares Calçada, do vice de finanças, Mário Cupello, e do vice jurídico, Paulo Reis); do ex-presidente do Santos (Samir Abdul-Hak, e do ex-vice-presidente, José Paulo Fernandes), além do empresário Reinaldo Pitta e o técnico Wanderley Luxemburgo. Além destes, foram indiciados mais 76 envolvidos com os crimes que levaram o futebol à falência.

Bem público

Ao que tudo indica, nenhum tipo de punição deverá acontecer com qualquer um dos acusados, a não ser devolução de parte do dinheiro sonegado à Receita Federal. Para os milhões depositados nos paraísos fiscais, que se danem clubes e as federações que tiveram desviados alguns milhões "doados" pela CBF, depositados nas contas particulares de 24 dos 27 presidentes, o que garante a perpetuação de Ricardo Teixeira no poder. Isto sem falar nas competições de negociatas, tais como a Copa Brasil e a Copa dos Campeões, que garantem também políticos influentes na defesa da CBF. Os dirigentes alegam que as entidades e clubes são de natureza privada, cabendo apenas aos seus próprios órgãos fiscalizadores as providências. A não ser, é claro, quanto a sonegação fiscal, crime de ordem tributária. Ao assumir, há doze anos, a CBF, Teixeira, "inteligentemente", desvinculou-a de qualquer participação governamental, abrindo mão, inclusive, de um teste da Loteria Esportiva para a disputa de Copas do Mundo. "A CBF não tem que prestar contas ao governo", diz.

Para o deputado Aldo Rebelo, ex-presidente da CPI da Câmara, não é bem assim: "quem construiu o Maracanã, o Morumbi, o Serra Dourada? Quem dá segurança aos torcedores nos jogos? Não é a Polícia Militar, paga pelo governo? Nenhuma empresa está livre da fiscalização do governo. E outra coisa: os dirigentes esportivos têm que entender que a Seleção Brasileira é um bem público que deve ser cuidado pelo Estado. O futebol é o nosso embaixador. Por causa da seleção, o Brasil passou a gozar do respeito, do carinho, da admiração e da consideração do resto do mundo. A CBF tem que ser fiscalizada, sim", disse o deputado.

"Dono" do futebol

Ricardo Teixeira

O presidente da CBF continua manipulando da forma que bem entende os milhões de dólares dos contratos com patrocinadores da Seleção Brasileira. Mais ainda: estipula altos salários a seus assessores e garante para si, quase R$ 300 milhões anuais de salários. Tudo isso contrariando o próprio estatuto da entidade.

Só de doações para políticos, Teixeira ultrapassou os R$ 5 milhões. Enquanto isso, quem produz a matéria prima que possibilita contratos bilionários à CBF, os clubes, nada recebem a não ser a isenção de pagamento dos salários dos convocados para a seleção brasileira.

Muitos clubes têm deixado até de participar de divisões inferiores do Campeonato Brasileiro, pois o presidente da CBF alega não ter dinheiro para ajudá-los. Mas tem para fretar um avião, pintá-lo de verde e amarelo e deixá-lo à disposição da seleção brasileira durante a Copa do Mundo, tornando-a a única com esse privilégio. A administração do dinheiro? Ele é quem decide, ditatorialmente, como se tivesse qualquer parcela de contribuição.

O "dono" do futebol brasileiro, conforme rotulou a maioria dos deputados e senadores das CPIs, voltou a demonstrar o seu poder ao colocar no cargo de diretor-técnico da CBF, o ex-presidente da Federação Baiana, Virgílio Elísio, acusado de desvio de verba na própria entidade que dirigiu. Tudo é feito cinicamente, tipo, quem manda aqui sou eu e ponto final.

A CPI descobriu até incêndio criminoso na concentração da Granja Comary, em Teresópolis, em 1999, quando foram destruídos vários documentos importantes da contabilidade da CBF, entre 85 e 94. Apesar da CPI ter solicitado a reabertura do caso pela polícia, nada foi feito. E os deputados também nada cobraram.

Projeto de lei

Houve de tudo contra a atuação das CPIs, principalmente pressões dos próprios colegas da Câmara e Senado. Mentiu-se muito; vários atestados médicos foram usados para o não comparecimento a depoimentos; mil artimanhas foram "armadas", chegando-se até mesmo à ameaça de morte ao senador Álvaro Dias.

As "armações" dos parlamentares ligados à bancada da bola e ao grupo dos "presos" às mordomias e doações de Ricardo Teixeira, se direcionam, agora, para impedir qualquer aprovação pelo Congresso Nacional da lei de responsabilidade social para o esporte. Certo de que o projeto de lei enviado há quase dois meses ao Congresso, não seria submetido à votação, o presidente Fernando Henrique Cardoso recorreu a uma MP(Medida Provisória), publicada neste dia 17 no Diário Oficial da União. Com a providência tomada pelo governo, os parlamentares terão que votar a nova lei do esporte em, no máximo, 120 dias. Mesmo assim, a "bancada da bola" não foi de todo derrotada, pois poderá fazer emendas, tornando nula a possibilidade de moralização do esporte.

"A partir de agora, não haverá chance para quem praticar irregularidades ou crimes contra o futebol. Os clubes terão que virar empresa ou, no mínimo, serem dirigidos por alguma empresa. Além disso, se submeterão a auditorias externas e prestação de contas através de balanços. Também será criada uma agência reguladora do esporte. Faremos tudo que for possível para moralizar o esporte no Brasil", garantiu o secretário executivo do Ministério dos Esportes, José Luís Portela.

Pela MP. qualquer sócio ou cotista de clube, federação, liga ou da CBF poderá denunciar dirigentes esportivos ao Ministério Público. O relatório final da CPI previa exigência mínima de 10% de adesão de sócios para a formulação de denúncias. Pelo projeto de lei, dependendo da gravidade do caso, dirigentes serão afastados e impedidos de voltarem a se eleger.

"Temos que permitir efetivamente que o Ministério Público atue para moralizar o futebol", justificou o presidente da República.

CPI desmoralizada?

Para o relator da CPI do Senado, Geraldo Althoff, a Comissão Parlamentar de Inquérito nada mais poderá fazer a não ser cobrar do Ministério Público Federal, da Receita, do Banco Central e da Polícia Federal o aprofundamento das investigações, verificando a ocorrência de crimes de lavagem de dinheiro, de evasão de divisas contra a ordem tributária e de apropriação indébita.

O problema é que os senadores e deputados que integraram as duas CPIs, não estão exigindo providências desses órgãos, mesmo porque há vários colegas envolvidos nos crimes contra o futebol, além da disputa nas próximas eleições. O próprio ex-Ministro de Esportes e Turismo, Carlos Melles, que passou a imagem de querer moralizar o esporte, já entregou o cargo para concorrer à prefeitura de Belo Horizonte.

Para os senadores e deputados que integraram a CPI do Futebol, com exceção da "bancada da Bola", os efeitos moralizadores já se fazem sentir em todo o esporte brasileiro. "Os ladrões do futebol sabem que, agora, há mais vigilância, devido às próprias investigações que o relatório, de acordo com o poder das CPIs, sugeriu serem aprofundadas pelos órgãos competentes, em especial o Ministério Público. Com a aprovação do projeto de lei de responsabilidade social, acreditamos que o futebol seja moralizado".

É o que afirmam os parlamentares que trabalharam corretamente nas CPIs do Futebol e da Nike-CBF. Eles lembram que as investigações também ajudaram ao futebol do exterior, obrigando, inclusive, a que a Fifa e os governos europeus passassem a fiscalizar a emissão de passaportes falsos e o tráfico de adolescentes para experiências em clubes do exterior, sem qualquer proteção.

Entreposto de atletas

Durante 14 meses, através, principalmente, de quebra de sigilos bancários e fiscal e apreensão de documentos contábeis em entidades e clubes, as duas CPIs conseguiram muitas provas dos crimes contra o futebol.

O Flamengo chegou a ser rotulado pelo deputado Aldo Rebelo, presidente da CPI da Câmara, de "verdadeiro entreposto de compra e venda de jogadores". O próprio Conselho Deliberativo do clube rubronegro vem tentando afastar o presidente Edmundo Santos e não consegue.

Por pouco, a corrupção também toma conta do time da Igreja Universal, que, aliás, entrara irregularmente na Segunda Divisão do Estadual do Rio, utilizando-se da compra do Internacional FC, de Jacarepaguá.

O Universal FC era utillizado como nome "laranja", não se sabendo bem como a Federação de Futebol do Estado do Rio permitiu. Pior que isso, passou-se a utilizar mal a verba da igreja e também a se fazer transações, no mínimo, suspeitas. Ao tomar conhecimento, o bispo Edir Macedo mandou acabar com o futebol da igreja, que prometia muito, pois já tinha uma grande torcida, mas também havia sido envolvido pela máfia do futebol.

TV ajuda o caos

Para agravar, há muita desorganização, viradas de mesa, mudanças de regulamentos dentro das próprias competições, favorecimento absurdo aos chamados clubes grandes, sob a liderança da CBF, ao contrário do que ocorre na Europa, onde o descenso não perdoa poderosos.

Há também excesso de jogos e competições para atender ao monopólio de uma rede de TV(Globo), que, além de lucrar muito e pagar mal, determina tabelas e horários absurdos, tipo depois de novelas ou, às 14h, 15h, a quase 50 graus de temperatura. E tudo isso baixando a qualidade técnica dos próprios espetáculos, bem como impedindo o aprimoramento dos jogadores, por falta de tempo para treinamento. Em última análise, praticamente impedindo o surgimento de craques, conforme acontecia até os anos 80.

Corrupção globalizada

Em entrevista publicada no jornal El Clarin, de Buenos Aires, em janeiro de 2001, o ex-craque Maradona garantiu que a Fifa é uma máfia."Os dirigentes do futebol mundial como Joseph Blatter, João Havelange e o presidente da Associação Argentina, Julio Grondona, só estão preocupados em roubar". O maior ídolo argentino também sugeriu que os atletas se rebelassem "para acabar com o roubo antes que ele acabe com o próprio futebol".

Em fevereiro, também do ano passado, o ex-atacante da seleção francesa, Eric Cantona, falou de sua decepção com o futebol, em entrevista à revista France Football: "se um dia pensei em voltar a jogar, essa idéia já passou. Devido a todos os interesses em jogo, o futebol está se tornando uma máfia".

Zindani, craque da seleção francesa, se surpreendeu com os US$ 64 milhões pagos pelo Real Madrid, da Espanha, a Juventus, da Itália, por seu passe: "eu não valho tanto". Zindani deu a entender nas entrelinhas que as transferências têm mesmo que ser muito caras, a fim de permitir astronômicas comissões aos próprios dirigentes. Simples revelação da Seleção Brasileira Sub-20, Eduardo Costa foi contratado pelo Bordeaux, da França, ao Grêmio, por US$ 8 milhões;

As três declarações são uma boa amostra de que a corrupção e o roubo não afetam apenas o futebol brasileiro. Só que na Europa, pelo menos por enquanto, ainda se pune. É o caso do ex-presidente do Benfica, de Portugal, João Vale e Azevedo, preso desde o ano passado, embora negue as acusações de inúmeros delitos por parte da atual Diretoria. No Brasil, ex-presidentes e conselheiros tentam, sem sucesso, há meses, afastar o presidente do Flamengo, Edmundo Santos e Silva. Para deputados e senadores que integraram as duas CPIs, tanto ele quanto o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, deveriam estar presos, a exemplo do ex-presidente do Benfica.

FIFA sem credibilidade

Joseph Blatter

A manchete dos principais jornais europeus e brasileiros, "Fifa é envolvida no escândalo da ISL", também serviu para provar que a entidade máxima do futebol mundial perdeu a autoridade e credibilidade. A ISL é a mesma empresa que largou também o Flamengo, após ter a falência decretada por um tribunal do Cantão de Zoug, na Suíça, e acusada pelos jornais alemães, "Berliner Zeitung" e "Sueddeuteche Zeitung" de possuir um fundo secreto para subornar dirigentes esportivos.

A ISL havia adquirido os direitos de TV dos mundiais deste ano e de 2006 por US$ 1.273 bilhões. Segundo os dois jornais alemães, Blatter teria sido pressionado por executivos da ISL a não romper os contratos, sob a ameaça de ver "publicados incômodas informações sobre suas atividades comerciais". O jornal suíço "Weltwoche" chegou a anunciar que se a ISL naufragasse. Blatter iria junto", o que não aconteceu, deixando claro que o presidente da Fifa tem cúmplices importantes em toda a podridão.

Foi a própria Fifa, então presidida pelo brasileiro João Havelange, o mesmo que deu a idéia de implodir o Maracanã para a construção de um estádio "moderno", que iniciou o caos ao criar os agentes-Fifa, ou seja, credenciar empresários para todos os tipos de transações entre os clubes, o que era feito até os anos 80, entre os próprios dirigentes, o que evitava salários e comissões astronômicas.

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Sistema mafioso

No caminho do presidente da Fifa, também segue a Confederação Sul-Americana. Atendendo a interesses financeiros, a entidade não pára de aumentar o número de clubes na Taça Libertadores, depois de também bagunçar a extinta Copa Mercosul, facilitando o acesso de clubes inexpressivos como o Petroleiro, da Bolívia, ou o Once Caldas, da Colômbia, entre muitos outros. Estratégia semelhante a da Fifa, em relação à Copa do Mundo, chegando ao absurdo de realizá-la simultaneamente em dois países, conforme ocorre hoje, na Coréia do Sul e Japão e com a participação de seleções inexpressivas.

Em última análise, é o que disse o juiz da magistratura francesa, Eric Halphen, ao Le Monde, de Paris: "Todos sabemos que há uma abundância de dinheiro sujo circulando nos bastidores do futebol mundial. Com as transferências, muito dinheiro oculto atravessa as fronteiras. Dá para admitir que existe um sistema mafioso no futebol mundial e sem que a Fifa e a Uefa tomem providências".

O incrível Blatter...

Mesmo ameaçado pela maioria dos países africanos e de ter sido acusado como um dos beneficiados pelo esquema de suborno de dirigentes, pelo presidente da Uefa, Lenart Johansson, Joseph Blatter foi reeleito por mais quatro anos para presidente da Fifa. O pior é que o próprio Blatter disse ter conhecimento da "caixinha" da ISL, antes da falência da empresa.

Contra Blatter, havia também uma auditoria criada pelo próprio Comitê Executivo da entidade, para apurar as irregularidades, entre elas, a compra de votos na eleição de 98, além da ameaça de processo na Justiça da Suíça, por má utilização de recursos, de acordo com a acusação de 11 dos 24 integrantes do próprio Comitê Executivo da entidade e do vice-presidente, o sul-coreano Mong Joon Chung.

Com um rombo calculado em US$ 300 milhões, o suíço Blatter foi reeleito mais uma vez, ao ganhar do camaronês Issa Hayaton, por 139 votos a 56. Após a eleição, realizada às vésperas do início da Copa do Mundo, na Coréia do Sul, o presidente da Fifa culpou a imprensa "dirigida" pelas acusações, com o objetivo de "me derrubar". Amigo fiel e defensor de Ricardo Teixeira, Blatter ameaçou tirar o Brasil da Copa do Mundo, como forma de pressão para impedir o trabalho das CPIs. A alegação era a de que o governo não pode interferir nas administrações dos "filiados" da entidade.

Blatter surpreendeu, mais ainda, ao admitir a contratação de Maradona pela Fifa, pois, conforme argumentou, "é tão respeitado quanto Pelé, Michel Platini e Beckenbauer"... Foi uma espécie de "cala boca" para o jogador não voltar a chamá-lo de ladrão.

Falidos e milionários

Os salários astronômicos, produto da necessidade de empresários e dirigentes faturarem os "por fora" ou comissões maiores, forçosamente terão que acabar, pois a própria falência começa a atingir o futebol europeu, que era considerado um modelo de organização.

.Oficialmente, Zidane (Real Madrid), com US$ 7 milhões, é quem mais recebe, seguido de Rivaldo (Barcelona) – US$ 5,5 milhões; Raul (Real Madrid) – 5,l milhões; Batistuta (Roma) – 5 milhões; Del Piero (Juventus) – 4,9 milhões; Vieri (Internazzionale) – US$ 4,4 milhões; Figo (Real Madrid) – US$ 4,1 milhões; Ncmanamon (Real Madrid) – US$ 4,l milhões; Leboeuf (Real Madrid) – 2,3 milhões; Roberto Carlos (Real Madrid) – 2 milhões. Pôr imposição da Nike à Internazzionale, de Milão, o salário de Ronaldinho é mantido em sigilo, mas se calcula em torno dos US$ 12 milhões anuais.

Falidos, os clubes brasileiros foram obrigados a baixar os salários e dispensar os que ganhavam mais. Até o ano passado, acreditava-se que o futebol-empresa, uma exigência da Lei Pelé, fosse a salvação do futebol brasileiro. O pior exemplo foi a parceria do Palmeiras com a Parmalat, que abandonou o clube paulista tão logo garantiu a conquista do mercado de laticínios no Brasil.

Com a ISL foi pior, conforme foi descoberto posteriormente: já chegou falida ao Flamengo, que representava a esperança de se recuperar.

Entre os principais clubes do exterior com pedido de falência, estão o campeão europeu Nottingham Forest, da Inglaterra, e o Lyngby, da Dinamarca. Neste caso, os próprios jogadores pediram a falência do clube, a exemplo do que ocorreu recentemente com a Fiorentina, da Itália.

Como medida para evitar a falência da Lazio, o presidente Sergio Cragnotti, estipulou um teto salarial para os jogadores e dispensou todos os que ganhavam muito, exemplo do espanhol Mendiate o o italinao Fiore. A Roma também já adotou planos semelhantes, enquanto o Milan decidiu condicionar os salários aos resultados dos jogos. Apenas 15 dos 80 clubes ingleses tiveram lucro operacional na temporada 2000/2001, segundo relatório da auditoria Deloitte & Touche.

Pelo menos, na maioria dos países da Europa, os clubes são obrigados a se afastar dos campeonatos quando não conseguem honrar seus compromissos.

No Brasil, vale a impunidade, conforme demonstra mais uma vez o arquivamento do processo de cassação do deputado federal Eurico Miranda, um dos mais acusados pelas CPIs, principalmente de desvio de dinheiro do Vasco, clube que preside.

Miranda, acusado também de falta de decoro parlamentar, pelos senadores da CPI do Futebol, contou com forte lobby sob o "anônimo" comando do deputado federal Francisco Dornelles, do mesmo partido, o PPB. O presidente do Vasco garante estar preocupado apenas com o seu clube e a reeleição, em outubro, para mais um mandato de deputado federal.

Copa da grana e da grama

No campo de jogo, a grama verde. Fora dele e em toda a sua volta, o comércio que está acabando com o futebol a nível internacional. A própria bola, atendendo patrocinadores, foi colorizada e deixou de ser branca e vísível como antes. Já se admite uma bola toda avermelhada com as iniciais de um fabricante de refrigerante. A grana é o que importa.

Nesta Copa do Mundo que se realiza desde o dia 31 de maio, no Japão e Coréia do Sul, há também péssimas arbitragens, invasões de campo por técnicos e reservas, jogadores tirando as camisas nas comemorações de gols, ao contrário do que anunciou a Fifa. Quanto ao Brasil, ganhe ou não a Copa, será preciso sanear o seu futebol através dos órgãos fiscalizadores e da Justiça, em atendimento às graves denúncias das CPIs, sem o que, morrerá. Ou, na melhor das hipóteses, valerá apenas como programa de TV, sem um só torcedor nos estádios, o que já está bem próximo, conforme provam os números dos últimos clássicos tradicionais, reunindo os maiores clubes do país.

O torcedor, a exemplo do povo de uma maneira geral, não suporta mais tanta corrupção e injustiça social. E também não tem nem mais como se iludir com um novo título mundial, rotulado de penta pelos marqueteiros.

"Show" de 18 bilhões

Enriquecimento ilícito; evasão de renda; calotes generalizados, a maioria há mais de dez anos, especialmente à Receita Federal, INSS e FGTS e, agora, aos próprios jogadores e árbitros; desvios de dinheiro nos clubes, federações e na própria CBF(Confederação Brasileira de Futebol), enviados para contas particulares de dirigentes, em bancos de paraísos fiscais; disputa entre os próprios empresários por comissões; jogadores tratados como mercadoria e, em sua quase totalidade, presos a esses mesmos empresários; alguns jogadores, ainda em atividade, donos de passes de companheiros, exemplo de Romário e o zagueiro Tiago, do Botafogo;

Passes de jogadores estranhamente supervalorizados e, em muitos casos, registrados na contabilidade dos clubes em valores bem abaixo do que realmente custam; recorde de "gatos"(jogadores com idades alteradas); excesso de transações, fazendo, às vezes, um jogador, mesmo de baixo nível técnico, ir e voltar de clubes do exterior, três, quatro vezes, em tempo recorde; técnicos acusados de estarem a serviço de empresários ou de patrocinadores para facilitar transações; alguns até mesmo dirigindo a Seleção Brasileira, caso de Wanderley Luxemburgo, conforme consta no relatório da CPI, o que obrigou o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, a demiti-lo.

Enfim, um verdadeiro show dos R$ 18 bilhões que movimentam anualmente o futebol brasileiro, desviados em grande parte para os bolsos de uma grupinho de dirigentes. Tudo facilitado pela supervalorização dos passes dos atletas, muitos com idades adulteradas e com passaportes falsos, com a colaboração de funcionários de embaixadas no exterior, conforme provou a CPI. A "teta" é tão boa que a Diretora de TV, Marlene Matos, empresária de Xuxa Meneguel, também entrou no futebol e é, hoje, proprietária de passes de vários jogadores, entre eles o lateral Athirson e o atacante Roger.

Só ao INSS, os clubes devem quase R$ 250 milhões, grande parte desviado para contas de dirigentes em bancos de paraísos fiscais. Mais de dez anos de sonegação. As irregularidades da CBF ocuparam quase duas mil páginas do relatório da CPI do Senado. A Pelé Sport & Marketing, fechada pelo próprio ex-jogador, que atribui ao ex-sócio Hélio Viana a culpa pelas denúncias da CPI, também foi envolvida na verdadeira lama a que se transformou o futebol. Até no Mundial de Clubes, realizado no Brasil, sob o comando da Fifa, desviaram R$ 45 milhões.

A poderosa Nike

A própria seleção brasileira perdeu a independência com a imposição da Nike em convocar e escalar os seus contratados. Os técnicos já sabem da "orientação" que envolve a marcação de jogos inexpressivos e de alto risco, conforme ocorreu recentemente na Espanha e Malásia. A seleção é também utilizada pela CBF para fortalecer candidaturas em eleições partidárias, conforme consta do relatório final das duas CPIs A proteção da Nike a Ronaldinho, por exemplo, chegou ao exagero de se contratar o seu assessor de imprensa, Rodrigo Paiva, para a própria CBF. Ronaldinho tem que jogar, não importando se esteja bem ou não. E para fortalecer a influência da Nike na seleção brasileira, o seu relações-públicas participa do dia-a-dia dos jogadores nas concentrações em Copas do Mundo. Uma situação que deixou a certeza, em todo o mundo, da imposição da Nike, principalmente na escalação de seu principal garoto-propaganda, sem condições, na final contra a França, contrib uindo para a derrota do Brasil na final do Mundial de 98.

Mantendo-se firme na disposição de ocultar ao máximo os seus negócios escusos, com prejuízo para o próprio esporte, embora ela viva dele, a multinacional holandesa Nike proíbe que a Internazzionale divulgue os números do contrato de Ronaldinho. Da mesma forma, ela age com a Seleção Brasileira, não fornecendo oficialmente os valores reais do contrato com a CBF, sabendo-se apenas extra-oficialmente que chega aos US$ 200 milhões por um contrato de dez anos, até 2010 e, estranhamente, conforme denúncia da CPI, prorrogável automaticamente até 2014.

No contrato com a CBF, analisado e aprovado apenas pelo presidente Ricardo Teixeira, a Nike consegue impor cinco amistosos por ano, à seleção, além da convocação de um mínimo de oito titulares para esses mesmos jogos. Enfim, faz o que bem entende, mudando as características do uniforme, conforme ocorreu nesta Copa, com frisos considerados, no mínimo, ridículos, tipo times de várzea.

Se houvesse independência e a corrupção não dominasse tanto o futebol e a CBF,a Nike teria apenas que colocar a sua logomarca na camisa verde e amarela, que, aliás, já teve inscrita a marca da Coca-Cola em um amistoso no Rio, mas logo proibida, devido à unanimidade de protestos.

Pressionado pela CPI do Futebol e diante da revelação de algumas cláusulas do contrato com a patrocinadora, inteiramente lesivos à seleção de qualquer país, Teixeira admitiu, sem convencer, durante depoimento em Brasília, que "hoje, eu não assinaria o mesmo contrato".

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