As últimas armas do império agonizante

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Na guerra quimico-biológica, nem sempre o imperialismo tenta ocultar como oriundas de seu arsenal determinadas drogas lícitas e as consideradas ilícitas

A partir da Primeira Guerra, as potências imperialistas, na condição de forças em dispota pela partilha do mundo e, ao mesmo tempo, em conluio, estenderam a ação de suas armas contra a população civil, já que a luta de libertação dos povos nas colônias e semi-colônias se desenvolviam em direção a uma nova e superior etapa. Não se tratava mais de dominar governos e respectivos exércitos nativos, mas as massas desejosas de governar.

Por essas razões, quanto mais se aguçam as contradições de classe, mais proliferam as armas mortais lançadas contra povos inteiros. Em conseqüência, tanto os agentes químicos como os biológicos se revestem de uma nova importância para os imperialistas. Se as armas atômicas surgiram para destruir continentes inteiros, as biológicas e químicas não são concebidas com intuitos mais modestos. Esse é o procedimento do imperialismo: sustentar a guerra contra o povo. É justa a afirmação de que a lógica do imperialismo é provocar distúrbios e fracassar, voltar a provocar distúrbios e fracassar novamente até a sua completa ruína.

No fundamental, até hoje, a guerra imperialista, desencadeada contra as amplas massas (principalmente contra os povos da Ásia, África e América Latina), impôs quatro novos tipos de armamentos: nucleares, espaciais (de longo alcance, como os artefatos intercontinentais, de águas profundas etc., e os engenhos cósmicos), biológicos e químicos.

Armamentos da fase imperialista

O primeiro tipo se baseia no efeito destruidor da liberação da energia nuclear, como as bombas atômicas e de hidrogênio. A bomba de nêutrons produz radiação ampliada (privilegiando-a ao provocar reações em cadeia), havendo menor emissão de calor e impactos diretos, se comparada às duas primeiras, e dirige o seu poder mortal para os seres vivos, principalmente. Ambas resultam na imensa concentração de energia distribuída em pequenos volumes que, imediatamente liberada, produz um efeito destruidor, incontrolável no organismo da vítima, ainda que tenha recebido menor impacto ou carga de irradiação e logrado sobreviver.

Já o centro de aplicação da guerra espacial (com o fim da bipolaridade, em 1991, são abolidos em definitivo os Estado, governo, bandeira etc., da URSS) foi, em grande parte, deslocado dos programas do tipo "guerra nas estrelas" para os projetos de saque e pirataria em todo o processo de produção material dos povos; para os satélites que controlam as emissões televisivas, radiofônicas, vôos internacionais e domésticos, navegação, sondagens para fins agrícolas, exploração de riquezas naturais, conservação da biosfera etc. As armas cuja produção é baseada na liberação da energia nuclear, ou a dos pesados armamentos da guerra espacial com o objetivo de destruir principalmente satélites, poderosas estações de radar, imensas naves que transportam mísseis, bombardeiros supersônicos, meteoritos artificiais, bombas cósmicas etc., segundo as necessidades das potências imperialistas, apenas em parte permanecem garantindo a manutenção ou disputa de hegemonias.

Um terceiro tipo de armamento é construído com substâncias tóxicas subtraídas de seres vivos para destruir parcial ou totalmente o inimigo, ou seja, incapacitar ou exterminar as forças oponentes. As armas biológicas têm claro propósito de dizimar populações civis, nenhuma utilidade para destruir postos ou posições fortificadas. Por se tratar de armas genocidas, com determinadas características, seus efeitos não são conhecidos a priori, mesmo quando testadas, o que dificulta o uso de antídoto e equipamentos especiais. As propriedades genocidas que assumem essas armas residem no efeito destruidor sobre toda a natureza, porque são "planejadas" para produzir violentas perturbações no equilíbrio natural, com os germes produtores de moléstias, os hospedeiros, introduzindo milhões desses organismos no corpo humano onde, antes, não se verificara tal fenômeno.

Em quarto lugar, entre os armamentos mais utilizados na guerra contemporânea, surgem as substâncias químicas que aparecem em forma de gases, manifestando irritações e queimaduras insuportáveis, podendo chegar a convulsões até sobrevir a morte. Outras vezes, surgem na condição de psicoquímicos etc. Incluem-se entre esses armamentos muitas drogas consideradas lícitas e tantas outras ilícitas.

Cabe esclarecer, o surgimento da indústria química militar data da aplicação da pólvora para fins militares. Com o tempo, as armas químicas de grande poder explosivo tornaram-se, então, necessárias para conter multidões e não apenas os poderosos contingentes armados e fardados. Nos limites dessa conceituação, se incluem os gases tóxicos mortais e muitos outros que atuam sobre o sistema nervoso e a sua utilização aparece na Primeira Guerra imperialista (1914 a 1918). Sucedem-se o cloro, o gás de mostarda (iperita), disfogêneo, fosgêneo, a adamita, o monóxido de carbono, o cianeto, herbicidas como o napalm, amplamente empregados na Guerra do Vietnam (1964 a 1975) etc. e, na década de 70, aplicados na Amazônia brasileira pelos grandes latifundiários. Em 22 de abril de 1915, os alemães lançaram contra os franceses 168 toneladas de gás cloro sob pressão, com um saldo de 5.000 mortos. Somente naquele ano, três novas experiências foram levadas a cabo.

Agentes incapacitantes para o alvo civil

A guerra contemporânea utiliza substâncias tóxicas como agentes, o que tem de comum com as armas químicas e biológicas. Embora agentes químicos incendiários, lança-chamas, agente laranja etc., sejam tóxicos, dependem de outras substâncias não-tóxicas e são armas de pequeno poder se comparadas às de aplicação essencialmente tóxicas, a exemplo dos inseticidas sintéticos ou, no caso dos agentes biológicos: bactérias, vírus, fungos.

As armas químicas e biológicas num determinado momento de seu desenvolvimento, por razões técnicas se confundem na sua caracterização. As químicas podem levar a uma escalada biológica. Porém, o novo nessas armas para produzir doenças é a intensidade com que são fabricadas e impiedosamente aplicadas, o que, segundo Robin Clarke, em Guerra Silenciosa, Editora Laudes, 1970, esse seria um elemento na história que poderia inaugurar uma era onde as doenças se tornassem incontroláveis e a humanidade acabasse mergulhando numa espécie de Idade Média da medicina. O imperialismo, que as manipula, comporta-se como um assaltante sob os efeitos de drogas pesadas. Seu cérebro responde apenas ao interesse imediato, não pode haver troca de palavras visando negociação, o que diminui sempre mais a possibilidade da vítima sair ilesa. A insânia é mesmo a palavra precisa, a que melhor revela o seu comportamento.

No ideal imperialista sempre residiu a perspectiva de produzir um microrganismo em laboratório, altamente infeccioso, virulento e estável, de tal forma que, armazenado ou espargido, uma pequena quantidade de microorganismos permaneça ativa, capaz de contaminar milhões de homens com uma grave doença, matando ou incapacitando a curto, médio e longo prazo suas vítimas. A infectividade desejada (dose necessária para iniciar a infecção no corpo humano) e a infecciosidade (grau de infecção) podem ser alteradas com técnicas variadas. Também, ser o agente virulento não é o essencial, mas é necessário que o microrganismo, uma vez inoculado, se reproduza numa grande velocidade. Outra propriedade desejável para o militarismo, não importam demais consequências, é que esse microrganismo não dê oportunidade ao exército inimigo de conseguir imunidade ou proteção alternativa. Na guerra convencional, é necessário que o agressor esteja imune à arma que ele utiliza, mas na guerra contra os povos, como agora, isso se torna pouco relevante, no início, porque se as classes exploradoras sempre sacrificaram parte de seus exércitos quando lhes convinha, utilizando os seus soldados (tal como os proletários, ou seja, recebendo a atenção digna de um "componente reciclável"), mesmo não se tratando de força de trabalho excedente. No ataque sistemático aos povos o desprezo do imperialismo pelos seus soldados tende a se acentuar.

A Aids foi criada sem antídoto. Como a humanidade não fornece problemas que não possa resolver, a resistência contra o HIV, ou qualquer arma, ocorrerá de uma maneira ou de outra. Porém, não mais num processo de defesa que, hoje, seria passiva, se restrita aos cientistas. Mas a defesa contra todas as armas que o imperialismo utiliza para esmagar a luta de independência dos povos surgirá no processo de destruição do imperialismo pelos povos e na onda de emancipação das massas trabalhadoras.

Pentágono:
Ministério da Guerra do USA

Nem faz questão de negar

Na guerra químico-biológica, nem sempre o imperialismo tenta ocultar como procedente do seu arsenal determinadas drogas lícitas e as consideradas ilícitas que aterrorizam o mundo. Se merecem especial atenção as drogas ilícitas e as propriedade de reprodução econômica, de dependência orgânica e psicológica, como o alto poder de degradação física e intelectual que as acompanham, como os cloridrato de cocaína, crack, heroína e morfina, além do MDMA (êxtase), o ópio etc., muitas das drogas lícitas têm finalidades identificadas com a dominação imperialista. São incontáveis as drogas ("sob controle") lançadas legalmente no mercado atacadista e varejista dos grandes laboratórios com a finalidade principal de causar sujeição física e psíquica, provocando estados mórbidos, tão danosas quanto as ilícitas. E é desnecessário descrever o incentivo ao consumo do álcool.

Apenas na área de biologia, o monopólio de insumos, de meios técnicos de interferência e alteração de gens, promovem a reprodução híbrida para fins de dominação. As empresas do imperialismo eliminaram (e seguem eliminando) incontáveis espécies de cultivares que a humanidade selecionou, produziu e desenvolveu durante séculos de agricultura. O imperialismo consegue destruir o patrimônio cultural dos povos com seus trangênicos de arroz, batata etc., nada devolvendo em substituição, exceto exploração, miséria e "preço de mercado" . Como sobremesa, cria eufemismos (biotecnologia, ambientalismo) e charlatanismos em todas as áreas do saber humano, chegando a dar nome a ciências que jamais existiram. Juntos, armas químicas, biológicas (como as "sementes milagrosas") etc., e correspondentes técnicas "avançadas" permitem exercer o controle e restrição das atividades agrícolas, industriais e militares; numa palavra, manter sempre mais restritos o monopólio sobre os conhecimentos da produção e inviabilizar a ação medicinal e social entre os povos.

O "humano" do militarismo reside em não poupar técnicas, armas e munições para a contra-insurgência na forma de agentes incapacitantes, cujo emprego intensa e profundamente seja eficaz até mesmo para o controle de populações e territórios com proporções continentais, o que pode acontecer, ao menos enquanto o acirramento das contradições não faça evoluir o quadro de mobilização da esmagadora maioria das populações do Terceiro Mundo. Na guerra contemporânea, os programas de guerra de baixa, média e alta intensidades para combater os regimes democráticos, os movimentos de emancipação das classes oprimidas, de independência e os de reconstrução nacionais, os engenhos biológicos e químicos passaram a gerar diversas modalidades de armas com propriedades letais (morte instantânea) e os incapacitantes, entre os "benévolos" e os letais de ação mais demorada. Ampliar o conceito de incapacitante significa considerar o meio ou técnica de tornar incapaz, inabilitar as faculdades físicas e intelectuais, provocar sensação de desmoralização, debilitar física, psicológica, econômica, política e juridicamente as massas, e não apenas o indivíduo. Importa não só empregar os mais variados recursos no plano objetivo, mas também assegurar a existência plena do ambiente ideológico do fascismo sofisticado; assegurar a força bruta contra os povos ajustados metodicamente com a aplicação das doutrinas de subjugação dos povos. Os incapacitantes, de uma maneira geral, são empregados com armas combinadas, e de seu arsenal faz parte todo o sistema de despolitização das massas.

Os "incapacitantes benévolos" foram assim denominados pelos ianques para referir-se aos agentes de efeito passageiro entre os gases neurotóxicos, alguns deles lançados sobre o Vietnam, o que nem sempre significou o emprego de gases neurotóxicos que matassem de imediato. De uma maneira geral, entre eles estão os gases asfixiantes, lacrimogêneos e vesicantes (provocam o aparecimento de bolhas de sangue com bactérias e toxinas), intensamente aplicados "na guerra humana" e que, regra geral, inutilizam a vítima por algum tempo. O problema é que o emprego das armas bioquímicas elimina por inteiro a distinção entre as armas incapacitantes e as letais, reduzindo-as aos incapacitantes temporários (letais a longo prazo) e os letais de ação fulminante. Mas, acima de tudo, reside a diferença entre vencer militarmente o exército inimigo e exterminá-lo fisicamente, vencer militarmente as forças nativas e exterminar parcelas sempre maiores das forças produtivas (o homem, os instrumentos de produção, os hábitos, técnicas e tradições do trabalho), mutilando-as gradativamente. Significa tornar inoperante não apenas um povo, mas povos inteiros. Nada tão coincidente com as pretensões expressas no Documento de Santa Fé, nos relatórios do Clube de Roma, nas sucessivas orientações emanadas dos agiotas internacionais etc., etc.

Centuriões recomendam drogas

Por outro lado, a repressão sistemática à luta dos povos teve que produzir compostos que afetassem uns, o corpo e, outros, a mente, algo que ficasse mais em conta, em termos de dominação e ocultação do crime. Em 1965, os ianques iniciaram o despejo de agentes químicos incapacitantes do tipo "benévolo" sobre o Vietnam, começando por gases vomitivos e lacrimogêneos, em seguida inquietantes que inutilizavam os patriotas por durante meia hora a l hora, espaço de tempo em que a infantaria ianque invasora buscava atingi-los com farta munição de efeito menos inquietante. Na aplicação militar de drogas em jovens para estimular sua coragem guerreira, formando feras assassinas, se desconsideradas as experiências de povos bárbaros na América Latina, historicamente os exemplos mais usuais poderão se fixar nas tropas muçulmanas que usavam o haxixe (de efeito sedativo e alucinatório), nos séculos XVI e XVII, de onde provem a palavra assassino, derivado de "hachichins", comedores de haxixe. Nada de espantoso, porque na guerra de agressão, entupir a cabeça dos soldados com maconha é prática do U.S.

Army desde a Coréia, passando pela guerra do Vietnam, quando se tornou mais intensa, ao que o alto comando ianque acrescentou outras drogas (anteriormente pesquisadas) à dieta cerebral da soldadesca visando manter bem elevado "o moral da tropa". Durante a década de 50, os centuriões ianques passaram a recomendar o emprego de produtos químicos que afetassem a mente, se fazendo acompanhar por doutrinas arranjadas que justificavam plenamente essa prática. Tratava-se de algo cujo uso permanente alterasse o equilíbrio mental da juventude, entre os milhões de jovens nas colônias e semicolônias, obrigando-os a conviver com uma espécie de política de penitenciária. O ácido lisérgico (LSD), em 1943, foi sintetizado por dois químicos suíços. Com os estudos sobre o LSD e assemelhados, novas perspectivas foram abertas para a guerra, em 1952, como o B2 (o "gás do medo"), em caráter experimental no campo de Dugway, que permanece sendo a única droga incapacitante padronizada, capaz de produzir um conjunto de efeitos desorientadores que se aproxima dos estágios iniciais da esquizofrenia ou sugere "sensações agradáveis", mudanças na personalidade etc., dependendo das alterações processadas na sua composição, constância e ingestão.

Com essa finalidade, o imperialismo deu início à produção de uma série de compostos psicoquímicos experimentais, cujo uso causam sensações que vão da excitação à depressão. Aí chegam os alucinógenos mais sofisticados, psicoquímicos que afetam o equilíbrio mental da população a ser atingida. O processo de domesticação econômica, ideológica e política, associada ao uso "voluntário" e permanente de drogas completa o ciclo necessário para incapacitar os setores mais combativos da população.

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Na década de 70, os psicoquímicos retornaram como arma, sob a surrada alegação ianque de que sua aplicação na guerra à torna "mais humana". Disso podem discordar os prisioneiros da Al Qaeda, retirados de seu país e submetidos pelos bandidos ianques à "privação sensorial" na prisão de Guantânamo, base naval dos USA encravada em solo cubano. O tratamento consiste em manter as mãos e os pés dos prisioneiros de guerra imobilizados, não reconhecendo tratar-se de prisioneiros de guerra, obviamente. Além disso, durante horas de joelhos, os prisioneiros afegãos são obrigados a usar luvas, máscaras que vendam seus olhos, tapam suas bocas e orelhas, permanecendo privados da visão, audição, olfato e tato. São mantidos dentro de um uniforme calourento, "sob o sol escaldante", chega a reconhecer um jornal de direita, The Mail. Não obstante, permanecem sedados, estão sob constante interrogatório perpetrado por agentes do FBI, CIA, militares das três armas reunidos na "Força Tarefa Conjunta-170".

Difícil sustentar que as feras nazistas conseguiam dar pior tratamento aos prisioneiros.

O subdiretor para pesquisa e tecnologia do Centro Químico do Exército, do Arsenal de Edgewood, em Maryland, instituição reputada como "maior responsável pelo desenvolvimento os agentes anestésicos", nos USA, reclamava em 1964 das dificuldades decorrentes de contratação de técnicos, e que trabalhavam para obter o auxílio dos mesmos cientistas (dito sem maior precisão, todavia) que operavam nas pesquisas sobre o câncer (no Fort Detrick?), isso quando, também, não se escondia que o objeto de intensa investigação era "converter as drogas de utilidade médica em armas de guerra" (Clarke, citado). Pesquisas sobre produtos químicos letais e incapacitantes progressivos jamais foram interrompidas pelos militaristas ianques.

São implacáveis os relatórios que comprovam o envolvimento do governo ianque na produção e disseminação de substâncias, na sua maioria alucinógenas, o que há muito faz parte das armas extraídas do arsenal imperialista para destruir a juventude dos países semicolonizados e a de seu próprio país.

Ao fazer a guerra tradicionalmente suja, o imperialismo ianque apoiou os contra-revolucionários da Nicarágua, via armamentos e drogas (com que também inundaram os bairros pobres da capital), episódio que se tornou amplamente conhecido na administração Reagan. Em seu próprio país, no início de 70, o governo ianque havia sufocado o movimento dos Panteras Negras encharcando os bairros miseráveis com toda a sorte de corrupção, principalmente drogas, numa ação conjunta do FBI (a polícia federal ianque, aquela a quem deram permissão para abrir uma agência no Brasil, país que desde 64 é tratado como uma espécie de possessão dos USA, agora com direito a tolerar todo o jurisdicismo e a extraterritorialidade ianques) com os grandes e declarados traficantes. O resto ficou por conta das infiltrações e a colaboração dos oportunistas e revisionistas praticando toda a sorte de dissensões internas como o separatismo, o racismo, o nacionalismo particularista etc. e, por fim, torturas e assassinatos em massa. Com os golpes de Estado na América Latina, promovidos pelos USA e as classes reacionárias internas, foram instaladas gerências militares brutais, substituídas tempos mais tarde por "governos civis" com administrações "eleitas", onde floresce uma espécie de belle époque, um momento de esplendor do oportunismo. Coincidentemente, a grande ofensiva das drogas alcançou esses dois tipos de administração na América Latina. Ao contrário do que repete o governo dos USA, " os laboratórios de refino só excepcionalmente se situam nos países produtores de matéria-prima (pasta de cocaína, morfina-base etc.); um padrinho, chefe supremo de um cartel, viverá muito raramente na região onde operam os atacadistas; a lavagem do dinheiro sujo, sua reciclagem, seu entesouramento se fazem nos Estados onde o consumo da droga, e portanto, a bastante vulnerável organização de venda a granel, são fracos". (A Suíça Lava Mais Branco, Jean Zigler, Brasiliense, São Paulo, 1990).

Festival de Woodstock

Quando, na segunda metade da década de 60, os USA desencadearam uma terrível contra-revolução cultural, três consignas eles dedicaram à juventude que pretendiam dominar: droga, sexo e Rock' and Roll'. O fiel e degradante Woodstock, de 1968, se comparado à enxurrada de campanhas imperialistas antijuventude com que diariamente bombardeiam o povo, não passará de uma inconsequente e inofensiva manifestação. O uso involuntário, mas sistemático dessas drogas, também pode ser obtido de novos hábitos alimentares em produtos que contenham determinadas substâncias: na cerveja, refrigerantes, iogurtes, cereais etc. O uso de recursos para fins de dominação dos povos não conhece limites.

Os agredidos não tem como fiscalizar

"Segundo consta, teria sido esta empresa que ‘para concorrer' com a morfina (do ópio), inglesa, teria ‘descoberto' a cocaína (da coca)". Nota do tradutor, na primeira edição de Biotecnologia; Muito Além da Revolução Verde, de Henk Hobbelink, editora Riocell, Porto Alegre, 1990, pág. 119, referindo-se todavia à Bayer.

É nesse terreno que as forças militares do Imperialismo vêm empregando substâncias naturais e sintéticas, desenvolvidas através de técnicas sofisticadas, destinadas às aplicações específicas de destruição e incapacitação do ser humano, generalizando novas e resistentes epidemias de cólera, febre porcina, tuberculose, encefalite, dengue hemorrágica, Aids (Sida), ebola, antrax, os psicoquímicos "lícitos" e ilícitos etc. A bioquímica vai se tornando a arma de maior flexibilidade na guerra de agressão. Sua preferência é explicada, em parte, porque determinados agentes bioquímicos não têm grandes efeitos sobre edificações e máquinas, substituindo as demais armas quando se trata de eliminar dirigentes nacionais ou mesmo nações inteiras.

Premeditadamente é ocultada, através dos mecanismos de "esquecimento", a aplicação de duas outras armas lançadas na fase imperialista para destruir populações inteiras. A primeira delas são os pesticidas, como o Zyklon B, utilizado em câmeras especialmente fabricadas para assassinar membros da oposição nazista nos campos de concentração (comunistas, socialistas, democratas, ou mesmo dissidentes do Reich e prisioneiros judeus capturados pacificamente e que, juntos, somaram a milhões de seres humanos), arma desenvolvida nos Laboratórios Leverkusen pelo consórcio alemão (uma reunião das empresas Bayer, Hoechst e Basf) IG Farben (Farbenindustrie), criado às vésperas da Segunda Guerra.

Os primeiros agentes tóxicos dos nervos, incolores e inodoros, foram produzidos ainda na década de 30, na Alemanha, como o tabun, depois o sarim, sendo que, até 1939, eram monopólio alemão. Em 1944 surge o soman. Nos USA, o tabun é conhecido como GA; o sarin, como GB e o soman como GD. Há um terceiro, mais poderoso, sem informação, o GC. Mais tarde, surgiu o agente V (VE e o VX) e a fábrica US Montain Arsenal, de Denver, produziu o GB em grande quantidade. A fábrica de Newport, Indiana, trabalha 24 horas por dia em munições químicas, sob contrato da Food Machinery Corporation. O emprego tático dessa arma inclui o míssil Corporal e o Sergenat para lançamento de cápsula química convencional ou nuclear. Em 1960, o governo ianque iniciou o programa de lançamento de ogivas químicas para disseminação desses agentes em pequena escala.

A aplicação continuada de armas químicas mortíferas pelo Imperialismo teve sua divulgação interrompida, exceto no que se refere à execução de prisioneiros com auxílio de um gás, o cianeto de hidrogênio. Nesse caso, a preferência atual é por injeções letais, onde o paciente é submetido a um suplício de 10 minutos, com a devida cumplicidade da corte ianque, que profere sentenças para exercer o terror e a vingança sobre a vítima, inocente ou criminosa, seja de seu país, latino-americana, asiática etc., desde que pobre.

Coisas da "guerra humana"

Mas até a guerra do Vietnam, os ideólogos do militarismo, bem mais irascíveis, sanguinários e cínicos que seus antecessores nazistas, afirmavam que as armas bioquímicas eram mais humanas, sob a alegação de menor custo e de que elas não danificam as edificações, maquinários etc. Naqueles dias, enquanto o imperialismo e o social-imperialismo russo faziam alarde de acordos sobre o fim da ameaça nuclear, novas experiências com armas químico-bacteriológicas se sucediam, bem como eram ampliados e atualizados os seus estoques, porque o desarmamento jamais passou de uma falácia, já que somente a destruição do imperialismo pode tornar realidade a destruição das armas espaciais, nucleares, químicas e biológicas, fazendo com que a química e a biologia se voltem para a produção de alimentos e o combate às moléstias, contribuíndo para a longevidade do ser humano.

A produção de agentes da guerra química e bacteriológica somente é mencionada pelo imperialismo quando se trata de desencadear uma contra-propaganda e ofensiva guerreira de grande porte contra algum país, levantando "suspeitas" de que ele possui arsenais químicos e bacteriológicos. O pretexto serve tanto para invocar o acesso aos segredos de defesa de um Estado estrangeiro que se apresente insubmisso (situação que procura induzir a opinião mundial na tentativa de torná-la favorável a uma pronta intervenção militar), quanto se defender por antecipação às denúncias de que os USA e Inglaterra utilizaram amplamente agentes químicos no Iraque, em 1991, o que explicaria, por exemplo, o fato dos veteranos da curra no Golfo estarem proibidos pelo governo inglês de fazerem doações de sangue ou órgãos.

Tanto a infectividade (quantidade de agentes químicos ou biológicos necessária para se estabelecer no corpo humano e começar a se reproduzir), quanto a infecciosidade (grau de infecção e virulência), podem ser alteradas com técnicas que aceleram as mutações, tornando os agentes mais resistentes aos medicamentos. Os agentes bioquímicos tem a característica de serem os mais virulentos, enquanto que a guerra de agressão baseia-se no princípio de empregar aqueles inteiramente desconhecidos, tornando difícil, por muitos anos, concluir sobre a intervenção que leve à cura ou paliar efeitos nas vítimas. Sem dúvida, esse tipo de guerra é mais barata porque suas vítimas são encarregadas de reproduzir e disseminar doenças que contraem, é claro, contra a sua vontade, como também não destroem os meios de produção concentrados nas mãos do imperialismo, enquanto que humano, ético etc., é o nome que ele dá ao lucro máximo.

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Contra os poderosos não se aceitam provas

Provas de que gases tóxicos seriam largamente empregados, no caso de fracassar a blitzkrieg nazista, foram descobertas em 15 de julho de 1942, em Sitnia e Pskov, localidades situadas na antiga URSS, em mãos da equipe 1521 do regimento químico comandado por um coronel da Reichswehr que abandonara o campo de batalha. Instruções de uso, expedidas diretamente pelo Alto Comando, redigidas em 1940, revelavam que as armas e os planos da guerra química foram entregues onze dias antes da repentina invasão de 11 de junho de 1941. À época, enquanto os ideólogos do imperialismo ianque tratavam de diminuir a exatidão das denúncias do povo soviético, dos povos e personalidades progressistas do mundo inteiro, ao considerarem as armas químicas e biológicas como uma possibilidade apenas remota, centenas de laboratórios clandestinos espalhados no mundo cobriam de solícitas atenções os germes causadores das mais devastadoras moléstias então conhecidas, fabricadas em larga escala, com baixo custo de produção e fulminante ação. Em construções subterrâneas de Paris e de Londres, por exemplo, se instalaram agentes alemães para surpreendentes experimentos de disseminação de micróbios, conforme revelou antes da Segunda Guerra o bravo jornalista inglês Wickham Steel, com base em documentos interceptados da seção secreta de ofensiva química aérea do Ministério da Guerra Alemão, sobre as atividades da Luft-Gas-Angriff.

Em 29 de março de 1938, o general Chu Te, dirigente do Exército de Libertação da China, denunciava a aviação japonesa de disseminar germes infecciosos sobre as zonas libertadas nas províncias de Shansi, Shensi, Honan e Suyan, ficando a United Press, a Cruz Vermelha Internacional e a Liga das Nações, imediatamente notificadas. O Japão era signatário do Convênio de Genebra (de 17 de junho de 1925) que declarava ilegal a arma bacteriológica (os veículos de contágio afetam do mesmo modo seres humanos e animais), por reconhecer que ela infligia de forma automática, descontrolada e continuada, uma imensa quantidade de vítimas civis. Embora essa destruição japonesa e outras, a rigor tenha conhecido graves revezes, nada parece afetar uma das mais conhecidas sentenças dos estrategistas do Imperialismo, desde aquela época: a "rápida e completa destruição do exército inimigo é essencial para o bem-estar da outra parte, ainda que esta última deva sacrificar o próprio exército para alcançar seu fim", afirmava o alto comando nazista.

Do estudioso da guerra mecanizada, Lucien Zacharoff, ucraniano de origem, radicado nos USA, foi publicada pela Editora Inter-americana (de Buenos Aires), novembro de 1942, uma impressionante coletânea de seus comentários, sob o curioso título de "Nos Hemos Equivocado"— Hitler. Ali, Zacharoff dizia que a libertação dos micro-organismos no campo de batalha de países cujos territórios fossem mais isolados ou extensos era a tática que as potências imperialistas adotavam por considerá-la a mais simples e a que propiciava maior segurança, evitando que a disseminação mortífera contagiasse as tropas agressoras. Desde aquela época, lançavam-se sobre os plantios, rebanhos e reservatórios de água os mais diversos agentes infectuosos dos cólera, antraz (já se produzia o bacilo dessa infecção, com idêntica finalidade, em 1915), febre amarela, meningite, varíola etc., por intermédio de granadas de artilharia, de bombas aéreas etc., formando uma neblina bactereológica de bilhões de microorganismos.

No final de 1927, os bandidos da quinta-coluna trotskysta-zinovievistas voltaram sua estratégia para a sabotagem, assassinatos etc, sob os auspícios dos serviços secretos estrangeiros, em particular com o apoio da Gestapo nascente. Algum tempo depois, vários agentes especialmente adestrados e infiltrados na URSS, então revolucionária (1917 a 1953), introduziam bacilos mortais em substâncias alimentícias e nos enlatados em geral, nos produtos para tratamento das fontes de água que abasteciam as cidades, nos defensivos agrícolas e quaisquer outros objetos de ampla circulação entre a população de algumas cidades soviéticas, cujo uso pudesse contaminar milhares e até milhões de pessoas. Esses ataques correspondiam à expectativa "muito tentadora" de causar em todo o universo "um sentimento de horror", como recomendava a revista nazista do exército, a Deustsche Wher, no sinistro aprofundamento da moderna guerra de agressão.

O Processo de Tóquio alcançou 12 fascistas japoneses ligados ao seu governo e ao alto comando do pacto firmado contra a III Internacional (Pacto Antikomintern, acordo secreto concluído em novembro de 1936 entre a Alemanha, o Japão e, mais tarde, outros governos, para realizarem ações comuns contra a URSS, países e organizações democráticas) por virem empregando, desde 1931, armas biológicas. Entre 1.500 a 2.000 prisioneiro de guerra, feitos cobaia humanas, morreram em conseqüência de experiências em Harbin, na Manchúria, num centro disfarçado de Cruz Vermelha, descoberto pelo exército soviético. Os fascistas japoneses liberavam agentes bacteriológicos através do espargimento por avião e diversos meios de sabotagem, obtendo a contaminação de água, alimentos e terras. Em 1949, os ianques promoveram uma epidemia entre os esquimós canadenses. Uma comissão científica internacional acusou os fascistas ianques de usarem do mesmo expediente em prisioneiros chineses e coreanos, durante a Guerra da Coréia (o antra-vírus aparece ali pela primeira vez) e de aplicarem as mesmas experiências japonesas.

A varíola, a febre amarela, a tuberculose etc., facilmente debeláveis, retornaram no pós-guerra apoiados em parte pela onda de miséria da crise imperialista e, por outro lado, assumindo formas mais virulentas, que sugerem semelhança com os propósitos econômicos, políticos e militares do Imperium. Em 1991, o cólera se alastrou em algumas regiões do Peru. O imperialismo cinicamente alardeava que os guerrilheiros não permitiam a ação saneadora dos órgãos de saúde do governo semi-feudal e pró-ianque, enquanto que a moléstia, de súbito, tinha aparecido justamente sobre as áreas de maior atuação armada, durante uma grande ofensiva dirigida pelo Partido Comunista do Peru, cujo nome cautelosamente o imperialismo prefere trocar por Sendero Luminoso. Contra os poderosos não se aceitam provas, ao menos enquanto são poderosos, lembram os que combateram os nazistas.

Os centros ianques do terror bioquímico

Quando Robert Clark descrevia, em 1968, o ex Fort Detrick, entre inúmeros outros grandes aparatos nos USA ocupados em tempo integral no programa de guerra biológica e química, o vírus da Aids ainda era uma "pesquisa secreta", mas, há muito, não se fazia segredo do que havia por ali em termos de guerra biológica. "O centro para pesquisas da guerra biológica dos Estados Unidos é conhecido como Fort Detrick e está situado perto de Frederick, em Maryland. Tem 1300 acres e emprega cerca de 700 pessoas treinadas cientificamente. Cerca de 15% dos trabalhos que realiza é divulgado; o resto é classificado como secreto pelo Departamento de Defesa, em boa parte seja acessível a outras nações. Na aparência, assemelha-se muito a qualquer outro grande centro de pesquisas biológicas. Tem uma fazenda com animais para fornecer material para os testes experimentais e o equipamento padrão de qualquer laboratório microbiológico. Mas seus objetivos são inteiramente diferentes. Os departamentos de ataque em Detrick (o laboratório ocupa-se tanto com a defesa quanto com o ataque) procuram meios de tornar os microorganismos mais virulentos, menos sensíveis a drogas e antibióticos e mais capazes de sobreviver por períodos longos quando soltos na atmosfera; trabalho que representa uma negativa frontal àquilo que a Medicina objetiva; é um esforço de pesquisa que insulta a própria Medicina". (Clark, citado).

Arsenais e "centros de pesquisas", equipamentos, organização e munição, ao que não faltam os mais diversos centros acadêmicos, e o Serviço de Saúde dos USA mantém, ainda hoje, uma odiosa e descarada cooperação com o ex Fort Detrick, um aparato que ao final da Segunda Guerra chegou a empregar 5.000 pessoas. Apenas em equivalentes ao Detrick foram lembrados o campo de provas de Edgewwod, também em Maryland; o arsenal de Rock Mountain, em Enver; Muscle Shoals, Alabama; Newesport, Indiana; o desastroso campo de provas de Dugway, no Utah; o arsenal Pine Bluff, no Arkansas etc., etc. A indústria ianque dos ramos da química e biologia, em 1968, absorvia mais de 65% do orçamento total para a mais ampla atividade de apoio à guerra bioquímica, onde o comprometimento com essas armas " alcança a maioria dos centros acadêmicos e industriais" (Clarke, citado). Na Inglaterra, um campo semelhante em trapalhadas ao Fort Detrick é o Estabelecimento de Pesquisa Microbiológica de Porton, Wilthishire. Das duas fábricas em Porton Down, próximo a Salisbury, uma produz armas químicas (The Chemical Defense Experimental Establishment) e a outra, armas biológicas (The Microbiological Research Establishment), sob responsabilidade do Ministério de Defesa.

Brasileira conta a AIDS

Desde o seu Coréia Sem Paz, Atualidades, RJ, 1957, e de inúmeros outros registros, a jornalista Jurema Finamour trouxe surpreendentes informações acerca do impiedoso emprego de armas bacteriológicas. Ao lançar o panfleto A Insânia; da radioatividade à Aids, 1993, 64 páginas, mesma editora, Finamour destaca os mais esclarecedores depoimentos sobre a produção de armas bactereológicas, entre diversos cientistas, incluindo os do biólogo alemão Jacob Segal.

À revista Basta, numa declaração reproduzida pela Manchete, 1989, Segal atestou que a Aids "foi fabricada pelo homem em laboratório" por volta de 1978, no ex-Fort Detrick, Mariland, costa leste dos USA. Ao tentar defender-se, o Pentágono acabou por reconhecer que, entre 1943 a 1969, o Centro de Desenvolvimento de Pesquisas da Guerra Biológica ("paralelamente aos trabalhos da bomba atômica") foi instalado no Fort Detrick, mas que desde então as pesquisas ali se limitam à "defesa médica contra contaminações". Acontece que o laboratório de Camp Detrick, fundado em 1943, figura nas primeiras denúncias sobre essa forma de guerra, desde o Relatório Merck (que veio a público no final da década de 40), quando o governo ianque confessou estar decidido a empenhar-se no programa de Guerra Química e Bacteriológica GQB, a pretexto de medidas retaliatórias. Da farta documentação, constituída por relatórios e artigos publicados nos mais diversos periódicos dos USA, de 1943 a 1952, vale lembrar alguns trechos breves entre outros registrados por Finamour: "Há 22 meses uma multidão de bactereologistas trabalha em segredo com o objetivo de encontrar um modo melhor de produzir uma chuva de gérmens mortais" (Times, 28 de dezembro, 1947); "As bactérias portadoras da morte podem ser lançadas de avião, ou com projetis teleguiados. A escolha se orienta incontestavelmente da cólera, desinteria e peste bulbônica" (boletim Atomic Scientist, agosto de 1948). Uma outra passagem anuncia que, na ilha de Koje, 125 mil prisioneiros coreanos permaneceram por longo tempo na condição de cobaias, realizando-se 3 mil experimentos por dia, sendo que "1.800 homens ficaram atacados de grave enfermidade" (Associated Press, 18 de março, 1951), ou que "O exército americano utilizou numerosos prisioneiros chineses para fazer experimentos sobre a peste" (Newsweek, 9 de abril, 1951).

Em 25 de janeiro de 1952, um general de nome Willian Creazzy enumerava as vantagens da guerra bacteriológica, destacando o fato de que "as armas químicas e bacteriológicas permitem diminuir as despesas militares e os recursos da resistência inimiga e, permitem, por conseqüência, obter a vitória sem devastações econômicas". Ou então: "O exército americano passa atualmente do estágio da produção em série no domínio de armas bactereológicas e solicitou ao Congresso os créditos necessários para duplicar a importância de seu centro de pesquisa no Fort Detrick, em Maryland" (Washington Post, 3 abril, em 1952).

O "macaco" da AIDS

Modernos laboratórios
de agentes bioquímicos
para a guerra

À revista Manchete, Segal declarou que a Aids foi criada artificialmente pelo orçamento de Defesa dos USA e em 1969 uma comissão do Congresso ianque convocou um tal Donald Macthur, chefe do Departamento de Defesa. Nas atas, em poder de Segal, Donald detalhava o plano de desenvolvimento de um virus com fins bélicos "completamente diferente de todos os outros agentes patogênicos" conhecidos, que ficaria pronto em dez ou 15 anos. Assim, foi liberada uma dotação de 10 milhões de dólares. A recombinação Visna/HTL ficou pronta em 1978, nesse mesmo Fort Detrick. Além disso, os cientistas ianques realizaram experiências com sentenciados decadentes e, ainda, em 1978 quatro novaiorquinos apresentaram os sintomas da Aids. Cerca de dezessete grupos de pesquisadores independentes concluíram que San Francisco e Nova York (Fort Detrick fica a meio caminho de ambas as cidades) foram, na sua origem, palcos da dispersão da Aids. Segal explica que dois virus eram "conhecidos desde meados de 1960". O Madi Visna desencadeia um tipo de pneumonia, letargia e exaustão em ovelhas. O outro, o HL-23, é um virus facilmente transmissível ao homem e foi isolado de um paciente portador de linfoma (câncer). Dos dois virus, portanto resultou o HTLV-3, ou HIV. Se o primeiro virus não é transmissível ao homem a recombinação com o patogênico humano HL-23 deu à máquina de guerra sua mais abominável arma, um veneno cujo antídoto, há mais de duas décadas, a humanidade busca desesperadamente encontrar. E se a arma, pela ausência de defesa trouxe, segundo ele, desapontamentos ao seu patrocinador (o Pentágono) é certo que agentes "mais refinados estão sendo usados como métodos de maior eficácia", ressalta Segal.

A disputa pelo direito de patente, entretanto, tornou mais frágil o lado secreto da produção de uma arma que já fez extinguir, por exemplo, parte considerável do continente africano. O fato é que uma equipe do Instituto Pasteur, na França, em janeiro de 1983, isolou o virus por ela denominada de LAV (vírus da linfodenopatia associada), sendo que a descoberta desse retrovirus foi anunciada em maio, na Science. Robert Gallo, nomeado chefe do Departamento de Pesquisas do Frederick Lancer Resarch, em Fort Detrick, desde 1975, naquele mesmo ano tinha isolado o HL-23 de um paciente portador de linfoma, rebatizando-o, tempos mais tarde, como HTLV-1. Em 1984, Gallo anunciou ter isolado o vírus da Aids, registrando a patente nos USA para garantir sua participação nos lucros sobre a venda de kits, evidentemente sem jamais mencionar a descoberta da equipe francesa, documentada um ano antes. Algum tempo depois, ele foi processado pelos franceses na Justiça dos USA e investigado por instâncias de John Crewdson (Prêmio Pulitzer, 1981), na época ainda repórter do The New York Times. Os artigos de Crewdson, já no Chicago Tribune, aventavam a possibilidade de uma fraude científica cometida por Gallo.

Em março de 1987, por força do Acordo Chirac-Reagan, tanto a equipe francesa como a ianque foram consideradas co-descobridoras, permanecendo os franceses como pioneiros a isolar o vírus da Aids, " mas que nada teria sido possível sem as descobertas de Gallo". Finalmente, a intricada disputa pelo uso de patentes beneficiou os franceses (segundo o Jornal Ciência Hoje, n º 305, pág. 4, da Sociedade Brasileira Para o Progresso da Ciência SBPC) como únicos descobridores do HIV, ou HTLV-3, ou LAV, acompanhando uma nova e gratificante distribuição de royalts. E ninguém faz questão de abertamente fazer figurar como sua a criação o HIV. Tanto Segal quanto Montagnier atestaram que ocorreu contaminação de culturas no ex-Fort Detrick, ao menos confessando que a Aids foi produzida em laboratório, ocorrendo ou não acidente.

A vez do Antraz

 

Bactéria Antraz

Durante todo o século 20 foram notificadas apenas 18 ocorrências de Antraz nos USA, e nenhuma outra nos 25 anos anteriores. Em outubro de 2001, a partir do dia 5, surgiram confirmados quatro casos. A contaminação ocorreu de maneira criminosa, através de envelopes de correspondência destinados a autoridades e personalidades, contendo o vírus altamente elaborado. No período, cinco pessoas morreram ao inalar o Antraz e outras treze foram seriamente infectadas. Uma das versões do governo ianque é de que o Antraz foi cultivado no Cazaquistão. Coisas desse tipo são prontamente aceitas pela imprensa semicolonial brasileira, a exemplo da versão de que o vírus da Aids é de responsabilidade de macacos na África, simiescas alegações que servem para inocentar os gorilas ianques.

Em abril de 2002, a doutora Barbara Hatch Rosenberg, (bióloga molecular, investigadora de ciências ambientais da Universidade Estatal de Nova York), expert em armas bacteriológicas, denunciou que os autores do ataque, no ano passado, trabalham nos projetos de guerra biológica do governo dos USA, que o FBI, provavelmente, sabia de quem se tratava e que a prisão desses elementos iria contrariar escalões do governo e as forças armadas. Rosenberg, informa o Operário Revolucionário (www.postedatrwor.org , 146, de 14 de abril último), por mais de dez anos, trabalhou com o Programa de Armas Químicas e Biológicas da Federação de Cientistas Americanos FAZ (em 1964 fez o seu mais contundente protesto conta o uso de armas QB, no Vietnam), instituição (na qual atualmente é diretora) que também assegura haver "um compêndio de evidências e comentários sobre a fonte do antraz das cartas" que procedem de laboratórios militares. A sofisticação dos equipamentos necessários para produzir esse tipo de Antraz, fino, puro, muito concentrado e flutuante, comprova tratar-se de um produto made in USA.. Além disso, quatro laboratórios documentaram que o pó "não foi moído", porque, diferente do governo de outros países, os laboratórios do governo ianque empregam uma mescla especial de agentes químicos, encontrada ao se analisar mostras com a ajuda de um espectroscópio de raios X.

O "Antraz que enviaram aos senadores tinha um aditivo sílice, o mesmo que se emprega nos projetos militares estadounidenses", explica Operário Revolucionário, edição citada. A CIA (Central Intelligence Agency, dos USA, o mais terrível aparato terrorista do mundo) também admitiu manter um programa secreto para elaborar armas biológicas como o Antraz. Um porta-voz dos laboratórios do exército em Dugway, Utah (onde, em 1968, morreram 6 mil ovelhas expostas a uma experiência com gases neurotóxicos), confirmou em dezembro a existência desse material de guerra, mas que nada faltava em seus estoques. Em seguida, foi a vez da CIA admitir que dispõe de um programa secreto para elaborar armas como o Antraz, mas que não utiliza o elemento Ames, e em seus depósitos tudo estava conferido. Em resumo, em 30 anos o governo ianque, pela primeira vez, confessou dispor de armas bacteriológicas...

O Washington Post, 16 de dezembro de 2001, divulgava que o FBI estava investigando programas de armas da CIA, em particular um deles, aventando a possibilidade amentos, pura mentira, tudo desmentido. Mesmo assim, desde 11 de setembro, qualquer coisa que sugira sentimento antimperialista ganha conotação de grande ameaça aos USA, passa a justificar represálias arrasadoras contra o Afganistão, o prosseguimento das agressões ao Iraque e (por encomenda, através do exército de jagunços sionistas) o recrudescimento das atrocidades na Palestina etc,etc.

Alguém produziu o Antraz encontrado nos envelopes. Mas, quem? Os laboratórios militares dos USA, em particular a CIA, assegura a cientista ao acusar os chefões de seu país. Um laboratório trabalhou para a CIA e esta é a melhor pista de que esse tipo de Antraz provém do arsenal ianque, informou a BBC de Londres, em 19 de dezembro de 2001. Em 14 de março deste ano, o noticiário da BBC voltou a se referir à possibilidade de que o episódio do Antraz se tratava de uma operação de contra-inteligência da CIA.

A cepa Ames (porque originalmente foi elaborada nos laboratórios do governo, em Ames, Estado de Iowa), mas obtida no Fort Detrick (ver Aids), é um elemento primordial para a guerra biológica ianque, desde a década de 60. Além do mais, somente quatro laboratórios ianques têm capacidade para produzir Antraz de uso bélico. Outra: apenas umas 50 pessoas guardam os conhecimentos necessários para produzir exatamente esse tipo de agente. Assim, as experiências químicas e biológicas não necessitam ser interrompidas. Interrompida deve ser a existência do imperialismo na face da terra.

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