Uma escola que ensine o povo a governar

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A consigna de uma escola ligada à produção já esteve mais presente nas pautas reivindicativas, tanto de professores como de estudantes. Ao que tudo indica os especuladores obtiveram mais essa vitória: incutir na cabeça dos que poderiam ser a vanguarda da luta pela melhoria do ensino e, por um ensino voltado para a realidade brasileira, que produção é coisa do passado. Agora com a "globalização" (palavra chave que esconde a ação do imperialismo), que levou a mais completa internacionalização da economia brasileira, fechando indústrias que empregavam milhões de operários para importar as mercadorias que produziam, a juventude deve entender é de especulação, jogatina, bolsas e papéis, etc., ou, o que talvez seja melhor para eles, não entender de nada.

Em nossa história recente tivemos algumas experiências que, por serem parecidas com o ensino voltado para a produção, podem levar à compreensão de que é a mesma coisa. Trata-se das escolas profissionais, liceus de artes e ofícios e as escolas técnicas industriais e agrícolas, bem como a do chamado ensino profissionalizante, os três primeiros disseminados nas décadas de 50 e 60 e o último na década de 70.

Na verdade o ensino profissional incrementado na década de 50 visava dar suporte ao processo de industrialização do país e, portanto, atender à demanda por mão-de-obra qualificada. Um programa de formação de mão-de-obra, para atender às montadoras que estavam se instalando no Brasil, suas fábricas satélites e oficinas de manutenção mecânica, elétrica, etc. E, muito embora, formassem, treinassem e aperfeiçoassem operários e técnicos, isto não era ensino voltado para a produção.

Na década de 70, para atender à expansão do setor de serviços, vieram os cursos profissionalizantes de contabilidade, administração, secretariado, turismo, etc., cursos montados sobre currículos que, a bem da verdade, nem formavam profissionais por serem quase todos "teóricos" – muitos professores de mecanografia limitavam-se às aulas de datilografia usando cartazes com desenho de máquinas e teclados, como também não preparavam os alunos para o vestibular, na medida em que não ensinava a matemática, a física, a química e a biologia exigidas no concurso. Isto também não era ensino voltado para a produção.

A formação de profissionais cultos, este deve ser o conteúdo da consigna ensino voltado para a produção. Está implícito neste conteúdo que os interesses nacionais estejam no centro da proposta educacional, o que exige, para sua satisfação, que se incorpore os últimos avanços da ciência e se destine às amplas massas, não se descuidando de resgatar as melhores tradições do povo brasileiro.

Escolas em que, ao mesmo tempo se estude os fundamentos da ciência, se debata a sua melhor aplicação em favor da sociedade; escola em que operários fabris sejam chamados a, junto com jovens alunos, discutir o processo produtivo; escolas em que o ensino, o trabalho e a luta em torno das opções, tecnológicas, políticas e sociais estejam integradas e pulsando no dia a dia do coletivo educacional.

É impossível a governos eleitos em cima de plataformas dóceis ao imperialismo, adotarem essa consigna. Suas preocupações estão voltadas para honrar os compromissos internacionais do Brasil, o que significa raspar o tacho para repassar ao FMI, ao BID e ao BIRD o resultado do suor dos brasileiros.

Só resta, então, àqueles que não arriaram a bandeira, organizar escolas populares na cidade e no campo que, correndo por fora das balizas institucionais, iniciem um processo de formação de operários e camponeses cultos, ao mesmo tempo em que, dentro das escolas tradicionais se reintroduza não apenas a consigna, mas se organize, efetivamente, a luta em prol do ensino voltado para a produção.

 

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