Brasil afunda na orgia da especulação

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A decisão do Copon de manter a taxa de juros em 18,5%, o dólar ensaiando um novo surto de alta, chegando a R$ 2,80 em junho, e a perda de credibilidade dos fundos de investimentos — os primeiros cálculos apontavam para perdas de cerca de R$ 4 bilhões, são as demonstrações maiores da corrida maluca em que os tecnocratas de plantão se meteram para girar a dívida pública estratosférica gerada em função da manutenção da paridade do real com o dólar no governo FHC.

A divulgação pelo IBGE da queda do PIB pelo segundo trimestre consecutivo, desta feita em 0,73%, com a queda na produção industrial, em março houve queda de 5,7 na indústria de transformação e 10,4% para o setor de bens de consumo duráveis, enquanto que na construção civil foi de 9% e nos serviços de utilidade pública foi de 12% , jogaram para baixo a já baixa expectativa de expansão da economia de 3% para 2%.

Como sempre, é do lado dos trabalhadores que a crise apresenta seus aspectos mais cruéis quando o desemprego chega ao nível mais elevado dos últimos dezessete anos, atingindo 20 pontos percentuais em algumas regiões de S. Paulo. Para os que estão trabalhando, com carteira assinada sobrou uma queda nos rendimentos reais de fevereiro a fevereiro de 6,3% implicando, logicamente no aumento da inadimplência das pessoas físicas, em abril, em cerca de 15,1% e fecha-se o círculo vicioso: diminuem as vendas no comércio (4% em abril), cai novamente a produção industrial e aumenta o desemprego, isto se chama recessão.

Novamente as informações privilegiadas salvaram grandes investidores, deixando o prejuízo nas costas do pequeno investidor que, apavorado, correu para a poupança.

Os bombeiros entram em ação; o FMI elogia o Brasil; Armínio Fraga e Malam avisam aos especuladores que o BC tem oito bilhões de dólares em caixa e mais dez que o FMI resolveu liberar, para queimar até dezembro. No início, afirmavam — "o Brasil nada tem a ver com a crise Argentina", mas, a partir do momento que não deu mais para segurar e, aproveitando o momento eleitoral, passaram a colocar a verdade em forma de chantagem: "O Brasil pode virar uma Argentina ...se o candidato do governo não for eleito"

Fhc, ao saber do nervosismo do mercado, de pronto, recomendou um calmante. No dia seguinte Armínio e Malan trataram de ministrar a receita do presidente encurtando ainda mais o perfil da dívida e aumentando o corte nos repasses dos governos estaduais e municipais. Como sempre, os especuladores fazem a farra e o povo paga a conta

A Nova Democracia traz as análises dos professores Ademar Mineiro, Lauro Campos e Décio Munhoz, que nos ajudam a entender algumas indagações como: Que balanço pode ser feito, hoje, sobre o processo das privatizações e de liberalização da entrada de capitais estrangeiros no país? Porque de repente passamos da farra importadora para o, novamente, exportar é o que importa ? Brasil e Argentina têm ou não têm algo em comum em suas crises?

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