Greves sacodem o Peru

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Mais de 1,8 milhão de trabalhadores cruzaram os braços no país. Desesperado, Alejandro Toledo decreta "estado de emergência" e suspende liberdades no país.

O presidente peruano
Alejandro Toledo

Nos últimos dias do mês de maio, uma onda de greves e manifestações de trabalhadores vem sacudindo o Peru, mobilizando milhões de pessoas e levando quase todos os dias multidões às ruas das principais cidades desse país. Há também bloqueios de estradas em vários pontos-chave do tráfego local. Sindicatos e associações de trabalhadores rurais, professores e funcionários públicos estão na linha de frente do movimento.

Preocupado com o rumo dos acontecimentos, o presidente peruano Alejandro Toledo decretou, a partir das primeiras horas do dia 28 de maio, o "estado de emergência" (ou de "exceção") no país, suspendendo as liberdades individuais, o direito de livre trânsito e de reunião, entre outros, da população do Peru. Com essa medida, a direção do país passa, efetivamente, às mãos do comandante geral das Forças Armadas, Victor Bustamante, que será encarregado de reprimir as movimentações dos grevistas.

Paralisações

Até o fechamento da presente edição, haviam se declarado em greve geral por tempo indeterminado as seguintes categorias profissionais: os professores e funcionários das escolas estatais (que paralisaram as aulas de mais de 8 milhões de alunos), os pequenos e médios agricultores (incluídos os assalariados rurais) e os médicos, enfermeiros e demais funcionários da rede pública de saúde. Toda essa grande massa de trabalhadores é também reforçada pelo cada dia maior contingente de desempregados peruanos, sem outra saída que não lutar por postos de trabalho. O principal motivo da greve geral é a insatisfação do povo com a administração Toledo. Eleito em meados de 2001, com promessas de recuperar a economia do país e retirar da miséria os mais de 60% dos peruanos que vivem abaixo da linha da pobreza, Alejandro Toledo até agora nada fez de concreto. Suas ações na área social e o apoio que deu às privatizações de estatais têm sido reprovadas por milhões de pessoas.

Repressão

Com a suspensão das garantias individuais, decretada no último dia 28, o governo peruano espera conseguir controlar mais facilmente os protestos que tomam conta do país. A polícia militar e o alto comando do exército local estão autorizados a realizar operações conjuntas - utilizando qualquer meio possível - para normalizar a situação de vários locais, especialmente das estradas, nas quais os manifestantes se concentram para impedir a circulação normal de ônibus e caminhões carregados.

Segundo declarou Alejandro Toledo, "o estado de emergência foi decretado porque tolerância tem limite, e o país não pode ficar mergulhado num caos (...), temos de fazer respeitar as leis no país." Como já é conhecido de todos, no Peru a violência estatal contra o povo é gigantesca, sempre resultado em prisões em massa e até mortes. Os acontecimento verificados na cidade de Arequipa, em abril de 2002, quando milhares de pessoas que se manifestavam contra a privatização de uma empresa estatal de energia foram barbaramente reprimidas a tiros, constituem exemplo brutal desta situação.

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