Desemprego e desindustrialização na Europa em crise

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Não obstante a contrapropaganda da Europa do capital monopolista de que as sucessivas e inacabáveis medidas de "austeridade" vêm dando o resultado esperado pelos banqueiros e capatazes políticos que sacrificam salários, direitos, empregos e o patrimônio público em nome da "solvência" e da "liquidez" da economia capitalista; não obstante os discursos oficialescos e rocambolescos que dão conta de uma luz no fim do túnel para a crise geral dos monopólios que se abate sobre a Europa na forma de "crise da dívida", o fato é que esta crise só aumenta, só se aprofunda, ao mesmo tempo castigando impiedosamente as classes trabalhadoras de inúmeras nações e configurando-se, para elas, o momento histórico para o acirramento do processo revolucionário já em curso, rumo ao golpe de morte nos grandes opressores dos povos do mundo.

Segundo os últimos números oficiais sobre o desemprego na Zona do Euro, nada menos do que 18,49 milhões de pessoas estavam procurando trabalho em setembro nos países que adotam a moeda única europeia. O índice bateu em 11,6% da força de trabalho, o maior já registrado na eurozona. Quando se alarga o campo de observação para toda a União Europeia, em setembro eram 25,75 milhões de pessoas atrás de uma ocupação que lhes garantisse ao menos a sobrevivência.

Em relação a setembro do ano passado, são 2.145.000 a mais de desempregados nos 27 países que integram a União Europeia, em um número que traduz muito claramente o processo ora em curso na Europa: a burguesia monopolista, desesperada, em sua ânsia por um sopro de ar, prolongam a própria agonia quando buscam sair da sua crise sem fim a custa da deterioração cada vez maior do mundo do trabalho, em um círculo vicioso de apodrecimento de toda a economia capitalista do continente que, por sua vez, traduz de forma cristalina toda a irracionalidade do sistema de exploração do homem pelo homem.

BCE admite colonialismo

Só em Portugal a taxa oficial de desemprego saltou de 13,1% em setembro para 15,7% no mês de agosto. Sim, no mesmo Portugal apresentado pelo FMI, pelo Banco Central Europeu e pela Comissão Europeia (a chamada "Troika" interventora), como o capacho mais fiel às ordens da Europa do capital monopolista entre as nações do continente onde a crise se manifesta de forma mais agudizada, sacramentando-lhes a condição de verdadeiras semicolônias no seio no "Velho Mundo".

As taxas de desemprego mais elevadas da Europa, entretanto, permanecem sendo as da Espanha (25,8%) e a da Grécia (25,1%). Na Espanha, a taxa de desemprego entre a população com menos de 25 anos alcançou impressionantes 54,2% em setembro, frente a 53,8% em agosto. Em toda a Zona do Euro o índice atingiu a marca 23,3% em setembro, 2,3 pontos percentuais a mais do que no mesmo mês do ano passado.

Fábricas vão fechando às dúzias do Mediterrâneo ao Mar do Norte, no que já se pode chamar de um processo agudizado de desindustrialização da União Europeia. Em outubro o setor manufatureiro da Zona do Euro apresentou retração pelo 15º mês consecutivo. A contração na indústria se dá na Grécia, na Espanha e na Itália, mas também na Áustria e na Alemanha, por exemplo. A Ford anunciou o fechamento de suas fábricas na Bélgica e na Inglaterra. A GM avisou que vai fechar o ano de 2012 tendo colocado 2.600 operários no olho da rua em toda a Europa.

O capital financeiro também agoniza: o UBS, maior banco da Suíça e um dos maiores da Europa, anunciou a demissão de dez mil funcionários nos próximos três anos.

Em outubro, a inflação na Zona do Euro ficou em 2,5%, completando o 23º mês consecutivo em que o índice superou meta de 2% estabelecida pelo Banco Central Europeu.

Em meio a tudo isso, a Europa do capital monopolista não se faz de rogada em admitir o agressivo processo neocolonialista ora em curso dentro das fronteiras da Europa. Em entrevista à revista alemã Der Spiegel, o presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, disse que "se os governos no Sul da Europa continuarem a realizar com sucesso as reformas estruturais como nos últimos meses", os alemães vão ter lucros.


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