Peru: a matança de Socos segue impune

A- A A+
http://www.anovademocracia.com.br/100/16a.jpg
Mais de trinta corpos foram soterrados em Quebrada Del Balcón Huaycco

Em 13 de novembro completaram-se 29 anos do massacre de Socos, localidade em Ayacucho, a apenas 18 quilômetros da cidade de Huamanga, quando membros da ex-Guarda Civil, a maioria pertencentes ao grupo de elite policial de luta contrassubversiva conhecidos como os "Sinchis", irromperam numa casa onde se realizava uma festa de noivado e, sem motivo aparente, salvo o evidente desprezo desses policiais pelos pobres, camponeses serranos e índios, tiraram a vida de mais de 30 pessoas – homens, mulheres e crianças –, com uma crueldade sem limites.

Esse massacre ficou praticamente esquecido, pois não é funcional para os poderosos meios de comunicação de Lima recordar crimes estatais perpetrados com demência e frenesi macabro. Mais ainda quando se trata das intermináveis "pulsões de morte" entre a Lima "senhorial" e o sul peruano "índio".

Este artigo está baseado quase inteiramente em dados extraídos do subcapítulo 2.1 do Tomo VII do "Informe da Comissão da Verdade e Reconciliação" (CVR) do Peru. Devemos dizer com toda honestidade que grande parte deste artigo é quase uma simples edição de referido subcapítulo, porque neste caso específico, consideramos que a CVR aplicou um trabalho investigativo e metodológico rigorosos, tentando fazer uma descrição rigorosa e imparcial dos fatos. Não obstante, discordamos das explicações conclusivas da CVR, pois não se ajustam à própria descrição dos fatos e, além disso, resultam evidentemente forçadas e direcionadas, uma vez que não questionam a institucionalidade policial, como envolvida nesse horrendo crime, nem tampouco a leniência do Poder Judiciário, que aplica simbolicamente penas drásticas contra os autores, mas na execução penal escamoteou sua atividade punitiva.

O Yaycupacu em Socos

O acampamento policial foi instalado em Socos por decisão do Comando Político Militar da Zona de Emergência de Ayacucho, menos de dois meses antes do massacre. Quase simultaneamente com a chegada dos efetivos policiais – muitos deles provenientes da costa peruana – ocorreram uma série de abusos perpetrados por eles contra a população – a maioria falava quéchua, camponeses pobres, muitos deles iletrados e vivendo em condições precárias. Os roubos dos bens e animais domésticos dos camponeses pelos policiais rapidamente se tornaram algo cotidiano.

Em 13 de novembro de 1983, era celebrada uma festa na qual Adilberto Quispe Janampa pedia Maximiliana Zamora Quispe em casamento, ato tradicional no lugar, conhecido como "Yaycupacu" (pedida de mão).

Edição impressa

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Rua Gal. Almério de Moura 302/4º andar
São Cristóvão - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303
E-mail: anovademocracia@gmail.com

Comitê de apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro
Reuniões semanais de apoiadores
toda segunda-feira, às 18:45

Seja um apoiador você também!

Expediente

Diretor Geral 
Fausto Arruda

Editor-chefe 
Mário Lúcio de Paula
Jornalista Profissional
14332/MG

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas (In memoriam)
Fausto Arruda
José Maria Oliveira
José Ramos Tinhorão 
José Ricardo Prieto
Henrique Júdice
Hugo RC Souza
Mário Lúcio de Paula
Matheus Magioli
Montezuma Cruz
Paulo Amaral 
Rosana Bond

Redação 
Ellan Lustosa
Mário Lúcio de Paula
Patrick Granja