Pinheirinho um ano depois: 1,5 mil famílias continuam sem casa

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O sr. Ivo discuntiu com PMs pouco antes de ser atacado

No dia 22 de janeiro de 2012, a equipe de AND foi a São José dos Campos acompanhar o violento despejo de 1,5 mil famílias que viviam na favela Pinheirinho. Um ano após a covarde ação do Estado reacionário, o terreno que pertence à massa falida da empresa Selecta SA — uma das empresas do megaespeculador Naji Nahas — continua vazio, e as famílias despejadas seguem desamparadas, muitas delas vagando pelas ruas de São José à mercê de todo o tipo de violência.

Um dos casos que marcaram a ação da PM de São Paulo, foi o do aposentado Ivo Teles dos Santos, de 72 anos. Espancado por policiais da tropa de choque, Ivo morreu no hospital semanas depois. Na ocasião em que a reportagem de AND esteve no Pinheirinho, o idoso ainda estava desaparecido. Um ano depois, nossa equipe conversou novamente, dessa vez, por telefone, com a viúva do aposentado, dona Ororina dos Santos.

Até hoje, quando eu durmo, tenho pesadelos com o que aconteceu. Sei que não tenho mais muito tempo de vida, mas enquanto eu viver, vou lembrar desse dia. Eu também não posso escutar barulho de fogos que eu começo a me tremer. O Ivo era tudo pra mim. Nós estávamos separados na época, por isso, fui para a Bahia. Mas quando eu fiquei sabendo do que estava acontecendo, peguei um ônibus e voltei. Pena que já tinham feito o que fizeram com ele. Ele ficou com o corpo todo marcado. Nas costas, tinham marcas de cassetete e de choque e as pernas dele estavam queimadas. Até hoje não sei como pode um ser humano fazer isso com um idoso, não sei como uma pessoa assim pode ser policial. Não recebemos ajuda de ninguém do governo. Não teve lei do idoso para o Ivo, nem Cohab [Conjunto habitacional] para o povo. Eles prometeram, mas não teve nada — diz dona Ororina. Abatida, ela pediu para desligar o telefone.

No último dia 22 de janeiro, em São José dos Campos, foi realizado um ato para lembrar o aniversário do episódio, que ficou conhecido como o Massacre do Pinheirinho. No portal do Catarse na internet — sítio que disponibiliza fundos de orçamento participativo para produções independentes — o historiador José Rogério Beier está promovendo o documentário “Pinheirinho um ano depois”. Sobre o ato, que aconteceu no Centro Poliesportivo, ao lado do terreno onde ficava a favela, o pesquisador comentou:

O ato foi muito importante para marcar um ano desde a reintegração de posse do Pinheirinho. O terreno, desde então, continua vazio e as pessoas que ali moravam, seguem desabrigadas. A data não podia passar em branco e a organização do evento está de parabéns por relembrar ao Brasil que a luta do Pinheirinho ainda continua. Porém, foi impossível não sair com uma sensação de desapontamento ao constatar que, tal como alguns moradores haviam nos adiantado, o ato do Pinheirinho no Poliesportivo acabou dando muito mais um espaço aos políticos do que aos ex-moradores — disse na internet o historiador.


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