Lutas de libertação nacional

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Curdistão: Turquia amplia repressão a curdos

Ana Lúcia Nunes

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Cerca de quarenta pessoas participaram do funeral de Alisan Sanlinin

No último 1º de fevereiro, um homem-bomba se explodiu na embaixada do USA, em Ankara, Turquia. O militante que explodiu a bomba e um guarda da embaixada morreram, outras três pessoas ficaram feridas, uma delas em estado grave.

O Partido Frente da Liberação do Povo Revolucinário (DHKP-C) assumiu a autoria da ação. Em comunicado divulgado na internet, a organização afirma que a Turquia se tornou uma "escrava" do USA. O DHKP-C existe há mais de 30 anos e figura na lista de organizações consideradas como terroristas pelos ianques.

O homem-bomba

Segundo a página informativa Hakin Sesi, Alişan Şanlı'nın, o homem-bomba, foi enterrado no dia 3 de fevereiro, em sua aldeia natal.

O funeral e o enterro do ativista foram acompanhados fortemente pela polícia. O clima era de tensão, pois havia a possibilidade de mais prisões no local. Cerca de 40 pessoas participaram do enterro, cantando, lendo poemas e gritando palavras de ordem como "Abaixo o imperialismo ianque" e " Alişan é imortal". O túmulo do mártir foi decorado com cravos vermelhos e flores amarelas.

A ação foi comemorada em diversas partes da Turquia e da Alemanha, segundo a Hakin Sesi, onde também fizeram homenagens a  Alişan Şanlı'nın.

Alişan Şanlı'nın tinha 40 anos e os jornais turcos afirmam que ele estava gravemente doente, por isso teria sido escolhido para a ação. O ativista havia fugido da Turquia há dez anos e, segundo as autoridades turcas, ingressou no país com documentos falsos. Şanlı'nın foi preso em 1997, acusado de "terrorismo". Em 2001 foi liberado após a realização de uma greve fome, como parte de um grande protesto realizado por vários presos políticos curdos. O protesto foi reprimido pela polícia e 20 membros do DHKP-C foram assassinados. Alişan ficou gravemente doente após o protesto e nunca mais se recuperou. Os jornais turcos afirmam que ele estava com os dias contados.

Mais prisões

Em 17 de janeiro, cem pessoas foram presas acusadas de pertencerem ao DHKP-C. Uma semana depois, mais 34 pessoas foram presas, de acordo com a Agência de Notícias Diacle. Os jornais turcos afirmam que o atentado realizado em fevereiro foi uma resposta a essas prisões.

Após a ação na embaixada ianque, a polícia turca aumentou ainda mais a perseguição aos ativistas e, principalmente, aos supostos apoiadores e militantes do Partido Frente de Liberação do Povo Revolucionário.

Advogados presos

Entre as cem pessoas presas em janeiro, estão oito advogados da Associação de Advogados Progressistas da Turquia (CHD). A Associação trabalha pelos direitos civis, defende ativistas curdos e é perseguida e acusada pelo governo turco de estar contra os interesses nacionais e ser espiã de estrangeiros.

Os advogados presos são defensores históricos dos lutadores populares da Turquia e do Curdistão. Em seu trabalho, defenderam revolucionários torturados, buscaram justiça para assassinatos de ativistas e defenderam mulheres, camponeses pobres, trabalhadores, turcos e curdos, além de denunciar as contradições do sistema judiciário turco.

Um carta de apoio aos advogados curdos está circulando e afirma "Sim, eles são advogados das justas causas do povo! Eles nos defenderam desinteressadamente até hoje. Agora é nossa vez de defendê-los!".

Jornalistas presos

Iniciou-se esta semana o julgamento de 46 jornalistas curdos acusados de pertencerem ao KCK, considerada a "parte urbana" do Exército Popular de Libertação do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK).

O presidente da Federação Europeia de Jornalistas, Arne Konig, afirmou: "Para nós é escandaloso ouvir que uma atividade jornalística normal pode ser considerada um ato terrorista e ilegal".

O julgamento, que começou no último dia 9 de fevereiro, durará até a sexta-feira, 14.

O Ministério Público deve apresentar as provas em 800 páginas de denúncias. Os telefones de vários jornalistas e ativistas foram grampeados e o Ministério Público está utilizando qualquer conversação sobre política para acusá-los.

Omer Celik, editor da Agência de Notícias Dicle, é acusado de encobrir suas atividades no PKK com a atividade jornalística, mesmo que nas ligações telefônicas que foram grampeadas, ele deixe claro que as decisões sobre coberturas políticas são tomadas pelo conselho editorial da Agência. Outro repóter, Deniz Tekin, da Agência Dicle, foi preso no último dia 13 de fevereiro.

Atualmente, 75 jornalistas curdos estão presos e enfrentam processos que os acusam de apoiar ou pertencer a organizações terroristas.

Crescente repressão

Com informações de secoursrouge.org

O relatório da Associação de Direitos Humanos informou que pelo menos 4.418 pessoas, entre estudantes, jornalistas, advogados e defensores dos direitos humanos foram presas pelo velho Estado turco nas regiões curdas em 2012. Os dados também apontam que 56 civis foram mortos em situações não esclarecidas ou execuções extrajudiciais e 228 foram mortas a tiros. Também foram registrados 876 casos de torturas e maus-tratos, bem como 3.236 casos de violações de direitos humanos nas prisões. Nesse mesmo período, o relatório aponta que os moradores de doze aldeias foram violentamente expulsos e tiveram suas casas queimadas pelas forças de repressão turcas. Cerca de 37 corpos foram descobertos após essas atrocidades. Treze covas clandestinas com 80 corpos de cidadãos curdos foram encontradas nesses territórios.

Prisão de curdos na França

Com informações de secoursrouge.org

Em 13 de fevereiro, a polícia francesa prendeu 15 curdos em Bordéus e Toulouse, alegando "suposta investigação de atividades políticas" na comunidade curda. Dados apontam que, em 2007, cerca de 250 curdos foram presos na França "por motivos políticos". Preso em outubro de 2012, Adem Uzun, membro do conselho executivo do Congresso Nacional do Curdistão (KNK), com sede em Bruxelas, ainda está na prisão.


Afeganistão: Ataque da Otan assassina dez

Um bombardeio da Otan assassinou dez pessoas, incluindo cinco crianças, em 13 de fevereiro, no leste do Afeganistão.

O ataque genocida realizado em Shigal, província de Kunar, foi confirmado pelo comando das tropas invasoras, mas, um porta-voz alegou "desconhecer vítimas civis", pois, entre os mortos, estavam quatro membros da resistência. Mais cinco pessoas ficaram feridas.

Este novo massacre contra o povo afegão ocorreu algumas horas depois de o gerente ianque Barack Obama anunciar a intenção de retirar 34 mil soldados de suas tropas assassinas até o final de 2014.

Segundo a página na internet Democracy Now, "o ataque foi realizado contra o que a Otan afirmou ser um suposto esconderijo talibã em Kunar. A maioria dos mortos era mulheres e crianças".

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Iraque: ataque contra quartel-general da polícia

No dia 3 de fevereiro um ataque contra o quartel-general da polícia iraquiana em Kirkuk, no norte do país, deixou pelo menos 30 mortos e 70 feridos. O ataque contra o centro policial, cercado de muros resistentes a explosões, não foi oficialmente reivindicado por nenhum grupo da resistência, mas supõe-se que tinha como alvo exatamente as forças de "segurança" lacaias.

Um homem estacionou um carro disfarçado para se parecer com o da polícia no portão principal do quartel e detonou a carga de explosivos. Outros três homens, disfarçados com uniformes policiais, invadiram o complexo lançando granadas e foram mortos durante o ataque. Entre os feridos está o general Sarhad Qader, que comanda forças policiais na periferia de Kirkuk.


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