Mineradoras requisitam a Amazônia

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A crônica da imprensa burguesa tem dado conta de que o Brasil já recebe hoje um quinto dos investimentos em mineração no mundo. Aos olhos da imprensa popular e democrática, este dado precisa ser noticiado de outra maneira, esclarecendo que o Brasil semicolonial, hoje, funciona como um desafogo para os monopólios em geral – e em crise –, e particularmente para os monopólios internacionais deste setor específico e nevrálgico da economia capitalista: a mineração.

Este é o cenário: o do capitalismo burocrático brasileiro facilitando as condições para o desembarque e expansão de transnacionais mineradoras, famosas pelas condições de trabalho semi-escravocratas que impõem aos operários e pela devastação ambiental que promovem ao extrair e se apropriar das riquezas da terra alheia.

Neste cenário, e sob a perspectiva dos monopólios, a Amazônia brasileira representa o maior potencial de rapina ainda inexplorado do país. E agora mesmo as grandes mineradoras dos países imperialistas, como a britânica Anglo American, já requisitam junto à gerência de turno da semicolônia Brasil os salvo-condutos para suas operações. Operações estas cuja natureza é contrária aos interesses do povo trabalhador.

O Instituto Brasileiro de Mineração, entidade patronal que reúne um sem número de companhias capitalistas do setor, estima que algumas dessas empresas vão gastar até US$ 24 bilhões na infraestrutura de exploração de minério de ferro, bauxita e outros metais na bacia do Amazonas até 2016, o que dá conta da magnitude do retorno, esperando fabulosos lucros no médio prazo às custas das riquezas do povo brasileiro e do suor de um operariado mal pago, sem direitos e sob péssimas condições de trabalho.

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Tudo que eles requisitarem

O presidente do Ibram, José Fernando Coura, já esfrega as mãos. "A Amazônia será a nossa Califórnia", disse ele a um órgão do monopólio da imprensa burguesa.

Estão nessa "corrida pelo minério" na floresta brasileira, além da transnacional britânica Anglo American, a suíça Glencore International; a também suíça Zamin Ferrous; a canadense Belo Sun Mining, que promete transformar o Xingu no "maior programa de exploração de ouro do Brasil"; a russa OAO Severstal; a norueguesa Norsk Hydro, que em 2011 comprou a terceira maior mina de bauxita do mundo, no Pará; e a ianque Alcoa, além de grupos chineses e sul-coreanos e das companhias "brasileiras" Votoratim e Vale, entre outras megacompanhias capitalistas.

As mineradoras vão invadindo a Amazônia no esteio da infraestrutura montada pelo velho Estado à primeira vista apenas para as usinas hidrelétricas, como a abertura de estradas e a expansão da energia elétrica. Agora se vê a quem mais se destinam todos esses recursos do povo empregados na floresta. E as mineradoras já requisitaram mais: mudanças nas leis e dinheiro de "empréstimos" dos bancos públicos para financiar a usurpação das riquezas nacionais, ou seja, mais facilidades para as remessas de lucros com a mineração para as matrizes nos países imperialistas e para a exploração sem limites dos trabalhadores brasileiros.

Enquanto o trabalhador pode ir preso se cortar uma árvore que ameaça cair sobre sua casa humilde, no último dia 20 de novembro a companhia transnacional Vale – ex-Vale do Rio Doce, empresa pública brasileira privatizada em 1997 por FHC –, maior produtora de minério de ferro do mundo, ganhou de presente do velho Estado uma licença ambiental para construir nada menos do que 800 quilômetros de ferrovias no meio da Amazônia para escoar a produção – e azeitar seus lucros – que sai do coração da floresta.


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