Trabalhadores espanhois em intensa mobilização

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Bombeiros se recusaram a fazer despejos

A Espanha, uma das nações onde os trabalhadores mais vêm sendo castigado pelos cortes requisitados pelo comando da Europa do capital monopolista, tem sido também um dos palcos principais da onda de protestos que varre o continente.

No último dia 23 de fevereiro, novamente milhares de pessoas participaram de protestos em Madri e em diversas cidades espanholas contra as medidas de austeridade impostas contra os trabalhadores pelo gerenciamento Mariano Rajoy. Somente em Madri, 40 manifestantes foram detidos após confrontos com a polícia.

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Em Madri, o slogan dos protestos foi a palavra de ordem "Não ao golpe de Estado financeiro. Não devemos, não pagamos". Cartazes com os dizeres "Não falta dinheiro, sobram ladrões!" também foram expostos. Diversas medidas de Rajoy foram duramente criticadas, como os cortes na saúde, na educação, a privatização de empresas públicas, etc.

Entre as ações grandiosas do proletariado espanhol no mês de fevereiro estão a realização da maior greve da história da companhia aérea Ibéria e os massivos protestos contra os despejos a que as famílias trabalhadoras da Espanha vêm sendo submetidas em todo o país. Segundo uma estimativa feita em 2012, desde 2007 mais de 350 mil famílias foram vítimas de execuções hipotecárias e tiveram que entregar suas casas aos bancos.

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Em 12 de fevereiro, um casal de aposentados se suicidou deixando uma carta dizendo que iria perder a casa onde viviam. Com esses, aumentou para cinco o número de suicídios ligados aos despejos nos últimos meses. O casal tomou uma overdose de remédios em sua residência na ilha mediterrânea de Mallorca. Os corpos foram encontrados pelo filho.

Bombeiros se recusam a atuar em despejos

No dia 16 de fevereiro, milhares de pessoas foram às ruas em pelo menos 80 cidades em manifestações contra toda esta infâmia dirigida ao proletariado, sob as palavras de ordem "Resgatem as pessoas, não os bancos".

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Diante dos trágicos fatos e das retumbantes mobilizações populares, o Congresso espanhol já admite rediscutir os despejos. O Partido Popular, de Rajoy, retrocedeu, e votou a favor de admitir no Parlamento uma Iniciativa Legislativa Popular que recebeu a assinatura de mais de 1,4 milhão de espanhóis e que regula a doação em pagamento das casas, de forma a que as pessoas que entregam as suas residências não fiquem com dívidas, paralisa os despejos e promove as rendas sociais.

Os bombeiros de Madri e da Catalunha se juntaram aos da Galiza anunciando que deixarão de prestar qualquer apoio às forças policiais em processos de despejos. Os efetivos de bombeiros e policiais são constantemente acionados para prestar apoio às ordens judiciais de despejo. Em comunicado, os bombeiros dizem que não vão "contribuir para alimentar as desigualdades e misérias da classe trabalhadora".

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Milhares de trabalhadores de diversas categorias vêm se mobilizando em combativos protestos contra o gerenciamento Rajoy

Foi comovente e inspirador o episódio em que bombeiros de La Coruña, município da comunidade autônoma da Galiza, recusaram-se a participar do despejo da idosa Aurelia Rey, de 85 anos de idade. No dia 18 de fevereiro, centenas de pessoas foram até a casa de Aurelia e impediram o despejo. Houve confrontos entre os manifestantes e a polícia.

Os espanhois também saíram às ruas em defesa da saúde pública, com marchas de médicos e enfermeiros (as "marés brancas", que vêm sendo realizadas na Espanha desde novembro de 2012) na capital Madri e em outras 15 cidades contra as privatizações e os cortes orçamentários. Coletores de lixo e até juízes e procuradores, além da greve geral de estudantes no início do mês, com manifestações em mais de 100 cidades do país, também saíram às ruas para denunciar os absurdos da contra-reforma na educação pretendida pelo gerenciamento espanhol.

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100% de adesão

A greve de maior repercussão foi realizada por cerca de 20 mil funcionários da companhia aérea transnacional Iberia, com quase 100% de adesão dos trabalhadores, sendo a maior greve da história da empresa. No primeiro dia da greve contra os planos da direção da Iberia de demitir 3.800 funcionários, em 18 de fevereiro, cerca de oito mil trabalhadores enfrentaram a polícia açulada contra os grevistas no principal aeroporto da capital espanhola Madri.


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