Operários presos e julgados por fazer greve

Conteúdo exclusivo para assinantes do jornal A Nova Democracia

Uma comissão de entidades sindicais e de defesa dos direitos do povo esteve em Porto Velho, Rondônia, entre os dias 22 de fevereiro e 1º de março para acompanhar a audiência dos 24 trabalhadores grevistas de Jirau, que ocorreu em 27 de fevereiro. Esses trabalhadores são alvo de brutal campanha de criminalização e repressão desatada após a grande revolta operária de março/abril de 2012, quando milhares de operários se levantaram em luta por direitos elementares como melhores condições de trabalho e salários.

Fizeram parte da comissão: a Liga Operária; a Rede de Comunidades e Movimentos contra a Violência, do RJ; o Grupo Tortura Nunca Mais, do RJ; o Centro Internacional de Direito e Justiça, que faz as representações da América Latina junto à Comissão de Justiça da OEA; o Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos – Cebraspo; o Sindicato dos Trabalhadores da Construção de Belo Horizonte e Região – Marreta; o Instituto Helena Greco de Direitos Humanos; a Federação Nacional dos Trabalhadores na Empresa de Correios e Telégrafos; o Sindicato dos Trabalhadores dos Correios de MG; a Federação dos Trabalhadores da Construção de MG; a Comissão de Direitos Humanos da OAB de Porto Velho; a Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de Porto Velho; e o Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal de Rondônia.

A audiência do dia 27 de fevereiro ouviu apenas as testemunhas de acusação e representantes do consórcio Energia Sustentável do Brasil - ESBR, que responde pela construção da usina.

Um representante da Associação Brasileira dos Advogados do Povo - Abrapo informou a redação de A Nova Democracia, por telefone, que a todo momento as testemunhas de acusação e os representantes do consórcio tentaram demonizar os operários e desqualificar a sua luta por direitos, tratando-os como uma “quadrilha”, seguindo o tom já ditado pelo governo federal desde a deflagração da greve. As testemunhas e advogados de defesa dos operários não foram ouvidos e uma nova audiência foi marcada para o dia 26 de abril. A Abrapo fará a defesa dos operários e conta com o apoio do Núcleo de Práticas Jurídicas da Universidade Federal de Rondônia, do escritório Nilo Batista Associados, do Rio de Janeiro, e da Comissão de Justiça e Paz.

Terminada a audiência, a comissão e outras organizações locais que se solidarizam com os operários de Jirau, como o DCE, representantes do corpo docente e da reitoria da Universidade Federal de Rondônia, a Comissão de Direitos Humanos da OAB de Porto Velho, o Comissão Pastoral da Terra - CPT de Rondônia, entre outros, se reuniram na sede da CPT em Porto Velho para debater a situação dos operários, a criminalização da luta pela terra, o assassinato de ativistas e lideranças do movimento camponês na região, além de outros temas relacionados a violações dos direitos do povo, e estudar possíveis encaminhamentos como a representação dessas denúncias a Comissão internacional de Justiça da OEA. 

“Um dos mais graves problemas faz referência a onze dos trabalhadores de Jirau julgados hoje e desaparecidos após serem detidos pela polícia. Em juízo acontecido esta manhã, eles foram considerados fugitivos, porém os nomes constavam como detidos e jamais chegaram a ser internados no presídio conhecido como Pandinha. Quem os prendeu deve responder sobre o que aconteceu com eles. Nem a empresa, nem a família, nem o governo sabem onde eles estão, aumentando as suspeitas sobre a desaparição deles. Acredita-se que pelo menos um deles possa ter sido atingido por disparos, segundo imagens divulgadas durante a revolta. Outro relatos de torturas, espancamentos e maus tratos entre os operários têm acontecido e sido testemunhados” [fonte: cptrondonia.blogspot.com em 27 de fevereiro de 2012].

As entidades e advogados de defesa dos trabalhadores seguem exigindo o cancelamento do julgamento e o fim do processo contra os 24 operários grevistas de Jirau. Em uma próxima edição, AND entrevistará representantes da comissão e trará detalhes.


NÃO SAIA AINDA… O jornal A Nova Democracia, nos seus mais de 18 anos de existência, manteve sua independência inalterada, denunciando e desmascarando o governo reacionário de FHC, oportunista do PT e agora, mais do que nunca, fazendo-o em meio à instauração do governo militar de fato surgido do golpe militar em curso, que através de uma análise científica prevíamos desde 2017.

Em todo esse tempo lutamos e trouxemos às claras as entranhas e maquinações do velho Estado brasileiro e das suas classes dominantes lacaias do imperialismo, em particular a atuação vil do latifúndio em nosso país.

Nunca recebemos um centavo de bancos ou partidos eleitoreiros. Todo nosso financiamento sempre partiu do apoio de nossos leitores, colaboradores e entusiastas da imprensa popular e democrática. Nesse contexto em que as lutas populares tendem a tomar novas proporções é mais do que nunca necessário e decisivo o seu apoio.

Se você acredita na Revolução Brasileira, apoie a imprensa que a ela serve - Clique Aqui

Edição impressa

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Avenida Rio Branco 257, SL 1308 
Centro - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303
E-mail: [email protected]

Comitê de Apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro

E-mail: [email protected]om
Reuniões semanais de apoiadores
todo sábado, às 9h30

Seja um apoiador você também:
https://www.catarse.me/apoieoand

Expediente

Diretor Geral 
Fausto Arruda (licenciado)
Victor Costa Bellizia (provisório)

Editor-chefe 
Victor Costa Bellizia

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas (In memoriam)
Fausto Arruda
José Maria Galhasi de Oliveira
José Ramos Tinhorão (In memoriam)
Henrique Júdice
Matheus Magioli Cossa
Paulo Amaral 
Rosana Bond

Redação
Ana Lúcia Nunes
João Alves
Taís Souza
Gabriel Artur
Giovanna Maria
Victor Benjamin

Ilustração
Victor Benjamin