Iraque: 10 anos de invasão e resistência

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A resistência não deu um dia sequer de trégua para os invasores

O dia 20 de março marca o 10° aniversário dos primeiros mísseis ianques disparados a mando de Bush filho no Iraque. Os mísseis cruzaram o céu do deserto no Oriente Médio e atingiram a capital Bagdá, iniciando a agressão imperialista no Iraque, então governado por Saddam Hussein, que mais tarde seria enforcado em seu próprio país pelos invasores estrangeiros.

Dez anos depois do começo da invasão do Iraque pelo imperialismo ianque e pelos cúmplices dos crimes do USA, sobretudo a Grã-Bretanha, estima-se que cerca de meio milhão de iraquianos morreram por causa da "guerra", como os invasores e o monopólio internacional da imprensa burguesa gostam de dizer. Só neste ano, 136 iraquianos foram mortos em fevereiro e 177 em janeiro, isto segundo as estatísticas oficialescas.

A "liberdade", palavra alardeada pelos invasores como o grande presente que o USA poderia dar ao povo iraquiano, ainda que com bombas, torturas e estado de sítio, de fato chegou ao Iraque. Mas somente para os monopólios internacionais do setor de energia, que hoje colhem os bilionários frutos da invasão, sentados sobre contratos de 20 anos de vigência, assinados sob regime de ocupação e delineados para repartir entre grandes transnacionais o excelente empreendimento de exaurir recursos naturais do povo local ao longo das próximas décadas.

Os "direitos humanos", expressão com a qual – como as palavras "liberdade" e "democracia" e de patranhas como o "combate ao terrorismo" – costurou-se a cortina de fumaça para escamotear os reais motivos da invasão, não chegam nem perto, no Iraque, daquele mínimo de garantias que ainda é possível supor existirem em um sistema de brutal exploração do homem pelo homem.

Só elas, as transnacionais do petróleo, têm acesso garantido e regular à água e à eletricidade. Já os trabalhadores iraquianos são quem sustentam os lucros auferidos pela rapina, e mal têm água e luz, não têm direito de greve e vivem sob o permanente risco de serem classificados como "terroristas" se tentarem enraizar qualquer tipo de organização sindical.

Só em 2013, o Iraque ocupado pelo imperialismo já chega perto da marca de cem execuções por enforcamento de acusados de "terrorismo" – a acusação de sempre. Só em um mesmo dia de janeiro, 21 pessoas foram enforcadas pelo Estado iraquiano, não obstante os inócuos e demagogos protestos da ONU e de organizações como a Anistia Internacional contra o "alarmante" número de execuções no Iraque. Isso sem contar as execuções extraoficiais cometidas pelos milhares de mercenários das "firmas de segurança" contratas pelo USA para fazerem o trabalho mais sujo da invasão.

Tão ou mais sistemáticas que as execuções por "terrorismo" no Iraque invadido são as torturas de pessoas sobre as quais pesa a mesma e torpe acusação. Estas torturas são levadas a cabo pelos ianques em prisões e centros clandestinos espalhados por todo o território iraquiano. Agora mesmo, às vésperas do aniversário de 10 anos da invasão imperialista, surgiu a informação de que o Pentágono chegou a enviar dois veteranos de guerra (um deles participou das chamadas "guerras sujas" na América Latina) para supervisionar torturas de "insurgentes" no Iraque.

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Resistência desde o 1° dia

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Segundo dados do próprio Ministério do Trabalho e de Assuntos Sociais do Iraque, existem hoje cerca de 4,5 milhões de crianças órfãs no país, sendo que 70% delas perderam seus pais por causa da invasão. Seiscentas mil crianças iraquianas vivem nas ruas, passando fome. Nos poucos orfanatos mantidos pelo Estado, falta o essencial.

O sistema de saúde pública iraquiano, considerado um modelo quando era administrado pelo presidente Saddam Hussein, foi completamente destruído. Doenças consideradas erradicadas antes da invasão regressaram em larga escala, com epidemias de infecções respiratórias, sarampo, febre tifoide e tuberculose. Armas químicas usadas pelo USA no país, como fósforo branco e urânio empobrecido, levaram à disparada de casos de cânceres, como de pulmão e leucemia congênita. A violência generalizada e a deterioração das condições gerais de vida do povo iraquiano levaram a um aumento também das doenças mentais, segundo a Organização Mundial de Saúde.

Enquanto as massas trabalhadoras iraquianas padecem com a pobreza (cerca de um quarto da população), com o desemprego (na casa dos 30%) e a escassez dos mais básicos recursos para uma vida digna, os ianques requisitaram em 2011, e foram prontamente atendidos, que o Estado iraquiano assinasse com companhias do USA um contrato de US$ 4,2 bilhões para a compra de aviões de combate F-16, em apenas um pequeno exemplo, digamos, do cotidiano da invasão desde que ela começou, em 2003.

Cabe ressaltar que este cenário catastrófico no Iraque não é fruto de "equívocos" na estratégia do USA para "libertar" o Iraque, como a imprensa burguesa tenta fazer crer, muito menos "efeitos colaterais" do imperativo de encontrar as "armas de destruição em massa" que estariam em poder de Saddam (armas que jamais foram achadas, porque não existiam). São fruto, isto sim, de uma criminosa invasão levada a cabo para que os monopólios internacionais tivessem livre acesso às terceiras maiores reservas de petróleo do planeta.

Não obstante todas as desgraças levadas pelo imperialismo ao Iraque, a corajosa resistência armada no país segue firme em seu propósito inquebrantável de libertar a nação, realizando ações violentas contra os invasores. Há também um grande esforço de conscientização das massas trabalhadoras iraquianas sobre o fato de que só a organização e a combatividade do povo serão capazes de libertar o país do jugo das potências. Estima-se que a resistência já impôs, nestes 10 anos, cerca de 4.500 baixas apenas às fileiras ianques das forças invasoras.

Se neste 20 de março de 2013 completam-se 10 anos da invasão do Iraque pelo USA e por seus comparsas, completam-se também dez anos da brava resistência no Iraque à infame agressão imperialista. Viva a heróica resistência iraquiana!


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