Avançar na luta pela terra, combater a criminalização e o oportunismo

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Dezenas de ativistas compareceram ao Encontro Nacional da LCP

Entre os dias 9 e 11 de março foi realizado, em Minas Gerais, o Encontro Nacional das Ligas dos Camponeses Pobres. Dezenas de dirigentes, ativistas da LCP e convidados reuniram-se para fazer um balanço nas lutas e debater como fazer avançar a luta pela terra em todo o país.

Como destacou a Comissão Nacional da LCP em sua convocatória, "particularmente este ano esta atividade se realiza sob as mais duras condições. Se nas cidades as revoltas operárias, particularmente nas obras do ‘PAC’, são criminalizadas e reprimidas, quando se trata da luta camponesa a situação é mais grave, pois o conluio da gerência Lula/Dilma com o latifúndio contra o movimento camponês já atingiu a etapa da eliminação de lideranças, bem como a sistemática expulsão dos camponeses da terra através das liminares de reintegração de posse, que atingem indistintamente não só os camponeses que lutam para conquistar a terra, como também toda sorte de pequenos agricultores e povos originários ("indígenas"), que trabalham e vivem há dezenas de anos e gerações em terras que se tornaram alvo da cobiça dos interesses estrangeiros".

Escola de combate

O encontro foi uma verdadeira escola de como o movimento camponês combativo enfrenta essa situação, tanto do ponto de vista do desmascaramento das políticas antipovo do velho Estado, como no combate ao oportunismo.

Trabalhadores de usinas de açúcar e álcool do oeste paulista, que enfrentam grave quadro de desemprego com o fechamento de usinas, convidados para o encontro, tomaram a palavra. Uma camponesa dessa delegação denunciou as direções oportunistas do movimento camponês na região e deu seu depoimento. Essa camponesa organizou um grupo de famílias para ocupar uma área e fez contato com dirigentes oportunistas do movimento camponês no oeste paulista. Os oportunistas disseram que poderia contar com eles, que "enviariam um caminhão com 90 pessoas para apoiar, que poderiam esperar".

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Grupo teatral Servir ao Povo encenou a peça A Aldeia de Tachai

Cansadas de esperar, as famílias ocuparam a área e os únicos veículos que chegaram foram viaturas da tropa de choque para despejá-las. A camponesa denunciou o conchavo entre oportunistas e o latifúndio, que armaram uma situação para que a fazenda fosse ocupada, suas terras desvalorizassem e assim um latifundiário pudesse comprá-las a preço de banana. Ela ainda contou que depois desse golpe sórdido, esse dirigente oportunista foi visto na região com uma caminhonete cara, certamente dada pelo latifundiário como pagamento pelo seu serviço sujo.

O sangue rega a luta

A política de criminalização da luta pela terra e extermínio de dirigentes e ativistas do movimento camponês combativo também foi elemento de vários debates no encontro. Quadros com fotos de dirigentes e ativistas da LCP assassinados por policiais e pistoleiros a soldo do latifúndio ornamentaram o local da plenária.

O encontro homenageou a camponesa Alzira, remanescente da heroica Resistência de Corumbiara, militante da LCP, fundadora do Comitê de Defesa das Vítimas de Santa Elina - Codevise, que faleceu no início desse ano em consequência das sequelas das torturas praticadas pelos sádicos policiais que atacaram as famílias em agosto de 1995 na fazenda Santa Elina. Incorporando a proposta apresentada pela Frente Revolucionária de Defesa dos Direitos do Povo – FRDDP, a LCP aprovou o estabelecimento do dia 9 de abril, data do assassinato do professor Renato Nathan (em 2012), como Dia dos Mártires, que deverá ser celebrado todos os anos a partir de então.

Balanço positivo

A Liga fez um balanço profundo e positivo do encontro e das lutas travadas no último período. Analisou que o movimento tem conseguido se manter, persistir e elevar cada vez mais alto a sua bandeira, enfrentando o latifúndio e a repressão que atacam "como nunca na história desse país".

A reportagem de A Nova Democracia teve a oportunidade de cobrir esse importante encontro. Se tivessem o mesmo privilégio, todos aqueles que debatem e buscam compreender com profundidade o problema agrário, que veem a aplicação das políticas antipovo do velho Estado, particularmente as ditadas por Luiz Inácio/Dilma Rousseff, certamente sairiam desse encontro revigorados.

Arte pelo povo

Durante o encontro, o Grupo Teatral Servir ao Povo, formado por jovens camponeses do Norte de Minas, fez uma bela apresentação da peça A Aldeia de Tachai, baseada na história de uma aldeia chinesa que sofreu perdas enormes com desastres climáticos e, com a Revolução Chinesa, se reergueu desafiando todas as dificuldades, tornando-se um exemplo de produção e luta para toda a China. Em uma futura edição publicaremos uma matéria mais completa sobre o grupo teatral e sua produção artística.

Além da apresentação do teatro, os camponeses também assistiram o filme A guerra dos Pelados que conta a história da Guerra do Contestado, luta armada de caráter popular empreendida pelos negros e caboclos nos estados do Paraná e Santa Catarina contra o latifúndio e o velho Estado entre 1912 e 1916.

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Celebrando o dia das combatentes da classe

Movimento Feminino Popular (MFP)

Nesse dia 8 de março, o MFP celebrou o Dia Internacional da Mulher Proletária em ato político em BH. Presentes 200 pessoas: ativistas do MFP; camponeses e camponesas da LCP de diversas regiões do país; grupo teatral Servir ao Povo; Liga Operária; Sindicato dos Trabalhadores da Construção de BH; Escola Popular Orocílio Martins Gonçalves; moradoras da Vila Bandeira Vermelha e de nova tomada de terreno vizinha; Instituto de DH Helena Greco; Frente Independente Pela Memória, Verdade e Justiça de BH (FIMVJ); Moclate; Movimento Estudantil Popular Revolucionário (MEPR); estudantes secundaristas; Associação Brasileira dos Advogados do Povo (Abrapo); a esposa e filha do professor Renato Nathan.

Após o canto do hino A Internacional, seguido de Lutadoras da Revolução, hino do MFP, Sandra Lima falou pelo movimento, dirigindo saudação especial às mulheres trabalhadoras de todo o mundo e às milhões de heroínas anônimas de todos os povos, nomeando destacadas militantes revolucionárias brasileiras e de outros países, as bravas combatentes e as mártires da guerra popular na Índia, Turquia, Filipinas e Peru, e as que lutam contra a opressão imperialista na Palestina, Iraque, Afeganistão e outros países dominados.

Saudação especial à companheira Alzira (Codevise - Rondônia), falecida em 2013, e à companheira Elzita Rodrigues, histórica apoiadora da luta camponesa no Norte de Minas. Ambas ativistas do MFP.

Sandra demonstrou o caráter de classe do dia. Afirmou que são objetivos do movimento mobilizar, politizar e organizar as mulheres do povo para tomarem parte das lutas e movimentos progressistas de transformação da realidade, conquistar os direitos negados e lutar pela revolução, como parte do proletariado e das massas trabalhadoras.

Destacou uma série de ações da luta pela punição dos criminosos fascistas do regime militar que o MFP vem realizando como integrante da FIPMVJ como o rebatismo de instituições e ruas com nomes de revolucionários, debates e atos públicos, o que também foi destacado pela ativista da FIMVJ, Heloísa Bizoca.

A representante da LCP, Vanessa, denunciou os assassinatos, torturas e criminalização dos camponeses em luta pela terra. Porém destacou o crescimento da organização dos camponeses, que vêm desenvolvendo a Revolução Agrária tomando as terras do latifúndio e em todos os passos desta luta a importância da participação das mulheres, garantindo o aumento da resistência.

Uma peça teatral sobre o heroico combate final da militante do Partido Comunista do Brasil, combatente da Guerrilha do Araguaia, Lúcia Maria de Souza (Sônia), contra exército reacionário foi apresentada pela Frente Cultural, formada por jovens e operários da construção civil de BH, emocionando os presentes.

 

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