Europa já confisca poupanças

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População do Chipre protesta em frente ao parlamento

Nos últimos anos, com o aprofundamento da crise geral de superprodução relativa do capital, tem sido comum ver nos países centrais do capitalismo um sem número de medidas penalizando as classes trabalhadoras. Medidas que até uma década atrás só eram tomadas nas nações dominadas.

Desta forma, os "ajustes" fiscais, arrochos salariais, supressão de direitos trabalhistas do dia para a noite, privatizações levadas a cabo às pressas, enfim, toda a gama de medidas antipovo e pró-capital levadas às últimas consequências têm sido implementadas no seio da Europa afundada na chamada "crise da dívida pública", não obstante a altiva e corajosa resistência do proletariado europeu à draconiana contraofensiva em curso promovida pelos manda-chuvas da União Europeia (UE), em conluio com o FMI.

Em março, a União Europeia deu a primeira ordem ao Chipre (ilha localizada no Mar Mediterrâneo) para o confisco das poupanças dos trabalhadores, em uma medida extremada que denota o absoluto desespero e o caráter irrefreável da crise que se alastra como um rastilho de pólvora entre paióis.

O anúncio foi dado no último dia 16 de março. Os depósitos bancários inferiores a 100 mil euros sofreriam um confisco de 6,75%, enquanto as poupanças com mais de 100 mil euros de extrato seriam subtraídas em 9,99%. Os protestos foram tão grandiosos, que os parlamentares não tiveram outra saída a não ser rejeitar a medida.

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Os bancos do país fecharam e os saques pessoais foram limitados a 100 euros por dia, na tentativa de evitar que os cidadãos retirassem todo o dinheiro, que é deles por direito, das instituições.

No dia 24 de março, após muita pressão, o Chipre fechou um novo acordo com a União Europeia, Banco Europeu e o Fundo Monetário Internacional. Agora, os depósitos acima de 100 mil euros serão taxados em até 40%. Mas para quem pensa que isso foi uma vitória, há o outro lado da moeda. O sistema bancário terá que ser reformado (moldado como desejar a "troika") e vários bancos serão fechados, dentre eles o Banco Popular, o segundo maior do país.

O presidente do Banco Cyprus, o principal do país, pediu demissão no último dia 26 de março. Ele não concorda com as medidas, principalmente com a intervenção direta da "troika" no sistema bancário do Chipre.

'A última palavra é do povo!'

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Polícia cipriota reprime manifestante

Não. Punhaladas desta estirpe nas costas do mundo do trabalho nunca vêm sem covardes "medidas preventivas" tomadas de véspera para deixar o povo de mãos atadas. No caso, a administração do Chipre, marionete da União Europeia, já havia retido as quantias correspondentes às taxas do confisco e já havia proibido transferências internacionais.

Sim, marionete da União Europeia, porque a decisão sobre o confisco sequer partiu de dentro da sede do "governo" cipriota, sequer passou pelo parlamento ou tomou trâmites tais que os demagogos tanto gostam de alardear como processos "democráticos" de tomadas de decisão em Estados soberanos. A ordem partiu de uma reunião entre os ministros da Economia e das Finanças da Zona do Euro.

E a União Europeia e o FMI prometem mais para a pequena ilha do Chipre: aumento do imposto sobre o consumo, o que tornará as mercadorias mais caras, cortes em serviços públicos, onda de privatizações e "reformas" mil, prenunciando que o povo trabalhador cipriota tem pela frente desafios semelhantes, senão maiores ainda, àqueles ora enfrentados com coragem e ânimo para a luta classista pelos povos da Grécia, de Portugal, da Espanha e de outras nações transformadas em verdadeiras semicolônias incrustadas no seio da Europa, tudo para dar sobrevida aos grandes bancos e monopólios da União Europeia.

E o povo cipriota já demonstra que não se curvará ao poder cambaleante da União Europeia nem tampouco ao "governo" lacaio do seu país. Os protestos populares já se avolumaram no Chipre. No dia 18 de março centenas de pessoas se concentraram na frente do inútil parlamento do país para exigir o retrocesso da medida e para avisar que "a última palavra é do povo". No dia 26, os estudantes saíram aos milhares às ruas e se concentraram na porta do parlamento. Eles temem que com o acordo a situação de vida no país piore ainda mais.


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