O Papa não poupa ninguém

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A cobertura da Rede Globo, "direto do Vaticano", foi digna de uma Copa do Mundo. Fico imaginando como seria a cena de um Galvão Bueno, no lugar da "animada" Ilze Scamparini, narrando a eleição do novo Papa... "E vai sair a fumaça... é branca, é branca, acabou!, acabou!, acaboooooou!!!!". E como seria sua reação, após o habemus papam, ao saber que o novo Papa é argentino: "Bem amigos, é muito ruim perder para a Argentina". Em sua ignorância futebolística, mal saberia que numa disputa entre o brasileiro Odilo Scherer e o argentino Jorge Bergoglio, independente do resultado, quem sairia vencedor seria o setor mais reacionário da Igreja Católica. Se é que podemos assim denominar.

A semelhança entre a cobertura de uma eleição papal e um campeonato de futebol não é mera coincidência. Existem muitos interesses ideológicos nestes eventos. A repercussão, ad infinitum, da expectativa de um Papa brasileiro, procurava, dentre outros objetivos, esconder a grave crise que vive a Igreja Católica e o Estado do Vaticano, como parte da própria crise que assola o sistema capitalista no mundo inteiro. A renúncia de Joseph Ratzinger deixou isto patente. Para nós brasileiros, resta o alívio de não termos um Papa daqui, mesmo com sobrenome estrangeiro. Já nos basta o pastor fundamentalista Marco Feliciano na presidência da Comissão de Direitos Humanos, ladeado pelo defensor de torturadores Jair Bolsonaro.

E por falar em tortura, ditadura e ultrareacionarismo, estes não parecem ser temas estranhos ao novo Papa Jorge Bergoglio. Evidente que a Rede Globo não falou disso. Mas por trás do jesuíta, que escolhe o nome de Francisco como "sinal de humildade", está o cardeal que apoiou o regime militar na Argentina e ajudou a encobrir os 30 mil assassinatos de revolucionários e democratas no país vizinho. Segundo o jornalista argentino Oscar Guisoni, em artigo escrito antes do anúncio do resultado do conclave, por pouco o novo Papa não foi julgado nos tribunais daquele país que puniram os crimes da regime militar.

Muitos católicos sinceros devem estar esperançosos com uma Igreja mais simples e próxima do povo. Devem estar se perguntado se o Papa Francisco retirará o catolicismo de sua crise, acentuada particularmente pela vinda à tona de numerosas denúncias de abuso sexual cometidos por padres em diferentes partes do mundo. Não se iludam uma vez mais. Um cardeal, que deu cobertura ao crime hediondo do roubo de crianças de presas políticas e sua entrega a famílias de militares durante a ditadura argentina, não fará muitos esforços para combater a pedofilia. Como seu antecessor, procurará apenas abrilhantar a imagem da sagrada família protegida da ameaça do "comunismo ateu".

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