Um retrato da escalada fascista

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Estudante de direito realiza 'trote' racista

Ao ligar a TV, na manhã de 19 de março, as imagens do trote realizado contra os calouros do curso de direito da Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG estavam em todos os telejornais. Na internet, esse assunto era obrigatório.

Uma pessoa teve seu corpo totalmente pintado de preto, foi acorrentada. No pescoço uma placa com os dizeres: "Caloura Chica da Silva", aludindo a Francisca da Silva, uma escrava alforriada de Minas Gerais que se casou com um rico comprador de diamantes no século XVIII. Em outra foto, um jovem amarrado cercado por outros que com o braço direito erguido faziam uma saudação nazista. Um deles estava com um bigode postiço como o de Adolf Hitler. Há denúncias na internet de que um dos jovens que aparece fazendo a saudação nazista seria integrante de um movimento fascista ligado a organizações de extrema-direita em outros países.

No dia seguinte, cerca de 400 estudantes se reuniram em assembleia na Faculdade de Direito da UFMG. Uns cobravam a expulsão dos executores do trote, outros pediam a sua suspensão temporária, alguns diziam que "tudo bem, foi uma brincadeira".

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Dois dias depois do trote, uma aula inaugural de outro tipo foi realizada na UFMG pela Frente Independente pela Memória Verdade e Justiça – FIMVJ. Foi promovido um debate sobre "A luta dos trabalhadores e da juventude por memória, verdade e justiça" em que se discutiu a necessidade de levantar uma grande luta pela punição dos criminosos, militares e civis, do regime militar fascista e também a luta contra a criminalização dos movimentos populares. Um dos temas centrais desse debate foi justamente o modo como "nunca na história desse país" as forças de repressão do velho Estado têm perseguido, prendido, torturado e assassinado ativistas dos movimentos populares no campo e cidade.

Nessa mesma semana duas mulheres, mãe e filha, foram vítimas de policiais que, em oito viaturas e três motocicletas, as prenderam e agrediram em uma plataforma da estação José Cândido da Silveira, na zona Leste de Belo Horizonte. O grave "delito" cometido por elas foi errar o caminho e entrar com o carro em uma área de acesso permitido apenas para ônibus.

O "trote" na UFMG não foi brincadeira. Ele é um retrato da fascistização, de como tem se disseminado de forma crescente a violência entre o povo.

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Saudação nazista é usada por estudantes da UFMG

Cada vez que o povo se levanta, recai sobre ele brutal repressão. O monopólio das comunicações alardeia, repete mil vezes para que a opinião pública repita: Polícia! Linche! Prenda! Arrebente! E quando a repressão é desatada, fazem de tudo para que a opinião pública suspire aliviada: Prenderam os arruaceiros! Pacificaram a favela! Mataram os "terroristas"! Está tudo em paz!

Na conclusão do debate da FIMVJ, uma ativista do Movimento Feminino Popular (MFP) pediu a palavra e denunciou que, há algumas semanas, duas ativistas do movimento foram presas enquanto faziam uma pichação em um muro da cidade exigindo "Cadeia para os torturadores do regime militar!". Os policiais ameaçaram: "Agora vocês vão ver o que é tortura!". As levaram para o camburão e, em alta velocidade, aos trancos, fizeram as ativistas se debaterem no carro ao ponto de se ferirem.

Aí está o aparato de repressão do velho Estado, intacto desde o regime militar.

Por fim, a representante do MFP na mesa de debates propôs aos jovens presentes: "Não podemos nos calar frente a nenhuma forma de opressão. A universidade sempre foi um local de luta, resistência. Convoco todos a realizarmos uma grande campanha de pichações na universidade. Os muros são os jornais do povo e devemos falar através deles a nossa justa revolta".

Que os aplausos que seguiram essa proposta se convertam em ações e contribuam para a luta do nosso povo!


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