Editorial - Popularidade máxima e genocídio em toda a linha

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Uma pesquisa do Ibope, feita sob encomenda da Confederação Nacional da Indústria, apontou que 63% da população brasileira avalia como ótima ou boa a gestão de Dilma Roussef na gerência do velho Estado semifeudal e semicolonial brasileiro.

Enquanto o monopólio da imprensa turbina a vultosa propaganda oficial das "realizações" da gerência PT-FMI, passando recibo de um recorde de popularidade a Dilma, o povo, principalmente a parcela mais pobre, segue acossado por todos os lados pela pelas políticas mais fascistas e genocidas.

São matanças cotidianas nas grandes cidades, o latifúndio agindo livremente com seus pistoleiros acobertados pelo Estado, o caos na saúde pública, a epidemia de dengue que mata milhares, o roubo de direitos duramente conquistados, a remoção de populações indesejáveis, o encarceramento em massa, a criminalização da pobreza em geral, entre outros crimes cometidos pelo Estado e, por fim, a chuva...

Em março, o Brasil assistiu estarrecido a mais uma tragédia anunciada, e tanto mais dolorosa por causa da desimportância, inépcia e corrupção com que o velho Estado semifeudal e semicolonial brasileiro trata tudo que diz respeito ao povo e seus direitos.

Pouco mais de dois anos depois das chuvas torrenciais que mataram mais de 900 pessoas na região da serra fluminense em janeiro de 2011, outras 33 vítimas foram contabilizadas (pois são tratadas pelo governo como um número) na mesma região, sem que nada fosse feito para evitar esse tipo de desastre. Além deles, milhares foram desalojadas ou ficaram desabrigadas, sem contar os feridos.

Alguns fatos ilustram a maneira como são tratadas as vítimas de qualquer catástrofe natural (no caso as que tratamos aqui deixaram de ser naturais e se tornaram uma questão social) neste país.

Apenas R$ 2,1 bilhões (36,8%) de uma previsão de R$ 5,7 bilhões foram liberados pelo governo federal através do Ministério da Integração Nacional para o país todo para fins de prevenção de risco de desastres naturais. Do que foi liberado, R$ 224 milhões foram para o Rio de Janeiro, sendo este o segundo estado com maior repasse. A maior parte da verba foi destinada à cidade do Rio de Janeiro, sendo que Petrópolis, palco da mais nova tragédia, recebeu míseros R$ 42,1 mil. É o que diz a organização Contas Abertas.

Até agora, nenhuma das 6.076 casas prometidas saiu do papel nas cidades de Petrópolis, Nova Friburgo e Teresópolis. Segundo números oficiais, 7084 famílias estão recebendo aluguel social de R$ 500,00 (insuficiente para pagar aluguel em qualquer lugar) e outras tantas estão mesmo sem nenhum tipo de ajuda.

A mesma chuva de março expôs mais uma mazela, desta vez em Duque de Caxias, Baixada Fluminense. Dois condomínios do "Minha casa minha vida" que custaram R$ 17,5 milhões ao governo federal foram alagados e apresentavam grandes rachaduras. Todos os moradores aceitaram sair de áreas de risco para se tornarem vítimas de mais um descaso. Ou será que ninguém sabia que o terreno também era uma área de risco?

Março ainda reservava mais uma notícia indignante. Três anos depois da tragédia do Morro do Bumba, em Niterói, região metropolitana do Rio de Janeiro, que deixou 47 mortos em 2010, as famílias dos mortos e sobreviventes seguem desalojadas, 3.200 recebendo o aluguel social, outras nem isso. Nada menos que 80 famílias seguem morando em abrigos.

No fim do mês, foram "descobertas" rachaduras que comprometiam a estrutura de dois prédios, de um total de 11, que estão sendo construídos para as vítimas do deslizamento em Niterói. Os prédios foram demolidos, o que atrasará ainda mais as obras. Será que ninguém fez estudo do solo antes de iniciar a construção?

Ante todos esses casos, apenas exemplos, as "autoridades" insistem em fingir que foram pegos desprevenidos, derramam lágrimas de crocodilo, vão a missas pedir menos chuva a São Pedro, etc.. Mas, principalmente, despejam todo seu preconceito e reacionarismo nas massas pobres e únicas vítimas da habitação em área de risco. Para os gerentes do velho Estado são os únicos culpados pelas tragédias.

Foi o que demonstrou a gerente Dilma Roussef na "posse" do novo papa cúmplice de torturas e desaparecimentos na Argentina. Em declarações à imprensa, ela defendeu a tomada de "medidas mais drásticas" para a retirada das famílias que moram em áreas de risco. E nisso, mais ou menos, se resume o diagnóstico e o remédio do velho Estado para esse tipo de situação.

Ou seja, como serviçais do imperialismo, da grande burguesia e do latifúndio, os gerentes municipais, estaduais e federal punem as vítimas uma segunda vez, uma vez que são tratadas como culpadas pela sua própria morte ou pela perda da família.

Para eles pouco importa se encostas ou áreas alagáveis são as únicas opções de moradia para as populações empobrecidas. Importa menos para onde elas irão após serem expulsas desses terrenos. O que importa é que saiam e deixem de figurar nas estatísticas de "populações expostas a riscos", o que com certeza causa embaraços perante a "comunidade internacional".

O governo paga regiamente a empreiteiras para construir em terrenos que inundam e/ou se movem, casas e prédios que racham mesmo antes de ficarem prontos; o pouco dinheiro destinado à prevenção de tragédias desse tipo é desviado, sobrando apenas o suficiente para a instalação de sirenes. E o povo é que é culpado do que lhe acontece.

Para falar a verdade, trata-se aqui de um crime premeditado, um assassinato em massa, genocídio continuado cometido pelo velho Estado contra as massas mais vulneráveis.

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