35 mil operários em greve nas usinas do PAC

A- A A+

Trabalhadores contra patrões, pelegos e repressão

Jirau e Santo Antônio

http://www.anovademocracia.com.br/108/11a.jpg
Imagens feitas por canal de TV mostram a luta e o sofrimento dos operários de Belo Monte
http://www.anovademocracia.com.br/108/11b.jpg

Como noticiamos em edições anteriores, a insatisfação dos operários nas usinas do Rio Madeira, em Rondônia, era crescente, e particularmente em Jirau era grande o burburinho de que uma nova revolta poderia explodir a qualquer momento. E foi justamente o que ocorreu no dia 2 de abril.

As greves deflagradas nos canteiros de obras das usinas hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio foram uma resposta dos operários frente ao iminente (e repetido) golpe acertado entre patrões e oportunistas. Pela manhã circulou entre os operários dos dois canteiros um boletim assinado pelo Sticcero – Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil do Estado de Rondônia/Cut –, que anunciava: "Trabalhadores das usinas têm mais uma vitória!". Mas a lebre que o oportunismo tentava vender era um gato magro e sorrateiro.

Como o próprio Sticcero reconheceu, "durante 25 dias", três meses antes da data-base da categoria (que é 1° de maio), os dirigentes da Confederação dos Trabalhadores na Indústria da Construção – Conticom/Cut – e do sindicato tramaram um acordo com o Consórcio Santo Antônio Energia1 e o Consórcio Energia Sustentável do Brasil2 estabelecendo a proposta patronal de 10% de reajuste e aumento da cesta básica de 270 para 310 reais, valores muito abaixo dos exigidos pela categoria.

Conforme anunciava o Sticcero em seu boletim, a proposta patronal representaria uma "vitória", "o maior acordo salarial da construção civil do Brasil".

Mas os operários deram mais uma prova de que estão atentos e prontos para defender seus direitos. Na tarde de 2 de abril, a assembleia geral dos trabalhadores rechaçou a proposta patronal. Há relatos de que quando o carro de som do Sticcero se aproximou, foi recebido com uma vaia geral e que quando a proposta patronal foi apresentada os dirigentes da Conticom e do Sticcero foram denunciados pelos operários com gritos de "mentirosos!" Revoltados, mais de 25 mil trabalhadores das usinas Jirau e Santo Antônio deflagraram greve paralisando totalmente as obras, exigindo 18% de reajuste sobre seus vencimentos brutos e a elevação dos valores da cesta básica, dos atuais R$ 270 para R$ 400, entre outras reivindicações.

No dia 5 de abril, houve uma audiência de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho 14ª Região (Rondônia e Acre) e não houve acordo. A greve nas usinas do Rio Madeira foi mantida.

Edição impressa

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Rua Gal. Almério de Moura 302/4º andar
São Cristóvão - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303
E-mail: anovademocracia@gmail.com

Comitê de apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro
Reuniões semanais de apoiadores
toda segunda-feira, às 18:45

Seja um apoiador você também!

Expediente

Diretor Geral 
Fausto Arruda

Editor-chefe 
Mário Lúcio de Paula
Jornalista Profissional
14332/MG

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas (In memoriam)
Fausto Arruda
José Maria Oliveira
José Ramos Tinhorão 
José Ricardo Prieto
Henrique Júdice
Hugo RC Souza
Mário Lúcio de Paula
Matheus Magioli
Montezuma Cruz
Paulo Amaral 
Rosana Bond

Redação 
Ellan Lustosa
Mário Lúcio de Paula
Patrick Granja