ADIs de Recife lutam por reconhecimento

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"Administrativos" cuidam da educação no Recife

Proporcionar uma educação de qualidade para o povo, nunca foi (e continua não sendo) um objetivo de nossos sucessivos governos! Isso é bem ilustrado pelo descaso manifestado pela Prefeitura da Cidade do Recife com suas creches e CMEI’s (Centros Municipais de Educação Infantil).

Há seis anos, a gestão do PT em Recife, através do prefeito João Paulo, criou mais um cargo administrativo, o de ADI (Auxiliar de Desenvolvimento Infantil), através de lei municipal, cujo pré-requisito para investidura no cargo é apenas Nível Médio. Contraditoriamente, esse profissional atua na sala de aula junto ao professor, participa do planejamento e execução das atividades pedagógicas, sendo avaliado pela execução dessas tarefas, e assume todos os cuidados diretos com a saúde, alimentação e higiene das crianças - o que requer a prática de habilidades que necessitam de conhecimentos sobre o desenvolvimento da criança em diferentes aspectos. Dessa forma, a prática diária de cuidar e educar que os ADI's desenvolvem pode ser vista como administrativa? Por acaso criança se administra?

Fica bem claro que o propósito de tal gestão para a criação de um cargo dessa natureza, que contraria inclusive a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e o Plano Nacional de Educação de 2001 (estabelecem  como requisito mínimo de ingresso para os profissionais que atuariam em sala de aula a formação mínima do magistério) é a diminuição de gastos com a educação e o comprometimento com a consolidação do descaso histórico com os profissionais que nela atuam como também com o público que atende.

Dentro dessa realidade, somada à carga horária de 40 horas semanais, salário base de 400 reais e péssimas condições de trabalho, que 670 ADI's foram convocados em 2006, mas em 2011 haviam apenas 304 profissionais devido aos progressivos pedidos de exoneração.

- Ao perceber que o trabalho estava dificultando o meu bem estar, pois estava com problemas físicos e psicológicos, foi quando resolvi pedir exoneração - depoimento de M.A.R.S..

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Com muita organização e luta, paralisações e greves em 2007, 2009 e 2011, apenas alguns irrisórios ganhos salariais foram concedidos a categoria. Contudo, no que diz respeito as melhores condições de trabalho e valorização do profissional nada foi feito.

Recentemente, em 2012 realizou-se outro concurso para atender o déficit de funcionários exonerados e as novas demandas. Foram convocados 550 funcionários dos quais, ainda no primeiro semestre, quase 150 pediram exoneração, continuando assim a defasagem desses funcionários nas creches e CMEI’s. Sendo cobrados, na prática, para ter uma postura de professores mesmo sem a formação, os auxiliares, no turno da tarde, passam a executar as atividades pedagógicas só com auxílio dos estagiários, como também na ausência do professor no recesso de quinze dias no mês de julho. No período da manhã, único período onde o professor se encontra na sala de aula, muitas vezes ele atua como orientador pedagógico, deixando a prática efetiva nas mãos dos auxiliares.

Dessa forma os ADI’s buscam, há quase 7 anos, sua identidade profissional através reconhecimento pedagógico, melhores condições de trabalho, redução de carga horária, remuneração condizente com a dos profissionais pedagógicos e  inclusão no GOM (Grupo Operacional do Magistério) da rede municipal.

A gestão pública vem prorrogando a indefinição deste cargo na Prefeitura do Recife. Entretanto, não é mais possível permitir a prática de muitos municípios que, para fugir de pagar o piso nacional aos profissionais da educação, criam cargos com nomes genéricos, mas com atribuições semelhantes ou idênticas aos dos professores. Lutamos contra tal prática absurda. Afinal, criança não se administra, se educa!


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