Editorial - Urge destruir o latifúndio

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A luta pela terra no Brasil, que já é dramática para os camponeses pobres desde o início, está se radicalizando cada vez mais.

A gerência PT-FMI decidiu de uma vez por todas sepultar a fracassada "reforma agrária", interrompendo os assentamentos e tachando os que já existem de "favelas rurais", nas palavras de Gilberto Carvalho, secretário geral da presidência. Dilma então, nem se pronuncia sobre o assunto, e não como omissão, mas sim como sinalização aos latifundiários que o caminho está livre para atacarem o movimento camponês.

O MST, enredado nas malhas do Estado, no oportunismo de sua direção e nas disputas internas entre diferentes "senhores feudais" regionais, nada mais faz do que lançar críticas ao vento e prantear a diminuição do espaço no governo e a drástica redução dos assentamentos.

O monopólio dos meios de comunicação festeja mais esse "ponto de contato" com a gerência oportunista e lança editoriais em série, tentando convencer o povo de que a questão agrária foi resolvida pelo agronegócio e com o conto do "apoio à agricultura familiar". E é conto, porque tal agricultura familiar é necessária para se manter, ainda que sempre como pequena produção arruinada, como formadora do valor da força de trabalho, através do fornecimento dos produtos da alimentação básica da classe operária a preços aviltados, impostos a esses camponeses pelos atravessadores. Daí que o governo, embora tarde, já reconhece que não há mais nenhuma reforma agrária a ser feita.

Enquanto isso, as massas camponesas em luta pela terra e suas lideranças mais destacadas estão sendo caçadas pelo judiciário, polícias, órgãos ambientais e fiscais e, claro, os grupos armados a soldo dos latifundiários, que agem livremente, acobertados pelo velho Estado, e inclusive compostos por policiais.

Os estados do Norte e do Nordeste do país seguem sendo os campeões em assassinatos de lideranças camponesas e dentre eles, Rondônia se destaca nessa triste estatística, ultrapassando em 2012 o Pará, que detinha a dianteira há vários anos, é o que diz a CPT em uma prévia de seu relatório anual sobre mortes no campo.

Toda sorte de violência se abate sobre o movimento camponês combativo: despejos violentos, incêndio de barracos, plantações, animais e pertences, perseguições, cercos militares, prisões arbitrárias, torturas, intentos do governo de jogar massa contra massa e ação de pistoleiros que tem ceifado a vida de combativas lideranças e apoiadores da luta camponesa.

Diga-se de passagem, há um histórico de décadas de ações conjuntas entre policiais e pistoleiros, seja cumprindo mandados judiciais, seja atuando a mando de latifundiários. Vide a Batalha de Santa Elina, em 1995, quando dezenas de pistoleiros se somaram aos policiais na repressão aos camponeses.

Já se passou um ano desde o assassinato do líder camponês e apoiador da Liga dos Camponeses Pobres, Renato Nathan Gonçalves Pereira, no município de Buritis, RO. O que se viu desde então, da parte da polícia e do velho Estado, foi a perversa transformação da vítima em criminoso, com intensa campanha difamatória na imprensa do Estado.

Sobre os sinais de bárbara tortura e de execução, bem como as denúncias da participação de policiais civis na ação que o assassinou, nenhuma iniciativa foi tomada.

Só não contavam com a intensa mobilização, inclusive internacional, movida por várias organizações de luta pela terra e de defesa dos direitos do povo, que promoveram atos políticos e comissões de advogados que pressionam para que o derramamento de sangue de Renato não fique impune. Encurralado, o delegado da ouvidoria agrária nacional, nomeado especialmente pelo ouvidor Gercino Filho, não tem respostas a dar ao movimento camponês e ao povo brasileiro.

Igualmente, o camponês Adimar de Souza, acusado de ter participado de um confronto armado na mesma região de Buritis, foi preso, torturado quase até a morte por policiais de Ouro Preto do Oeste, região central do estado, e permaneceu meses internado entre a vida e a morte numa UTI de Porto Velho. Só não contavam seus algozes com imagens feitas de Adimar gozando de perfeita saúde após sua prisão, inclusive dando entrevista. A Polícia Civil afastou dois policiais que seriam responsáveis e não se sabe também se haverá processo.

Esses são apenas exemplos do que enfrentam os camponeses hoje em Rondônia e, em alguma medida, no país todo. O governo Dilma não apenas lhes virou as costas, como também instruiu o poder judiciário e as polícias a fechar o cerco sobre os movimentos mais combativos. Encorajados, os latifundiários e seus bandos armados promovem todo tipo de atrocidade, com a tranquilidade de quem sempre teve as costas quentes. E com isso pretendem enterrar a questão agrária, num verdadeiro trabalho de enxugar gelo.

Como se trata de uma tarefa democrática de primeira ordem, a questão agrária só será resolvida com o fim do latifúndio, não só o improdutivo, mas de todo e qualquer tipo. É o que registra a história do país em seus ciclos de revoltas camponesas. E é essa a luta de morte que os camponeses sempre travaram, com consciência de seu papel histórico irrenunciável, de levar a cabo a revolução agrária como parte da revolução de Nova Democracia.


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Em todo esse tempo lutamos e trouxemos às claras as entranhas e maquinações do velho Estado brasileiro e das suas classes dominantes lacaias do imperialismo, em particular a atuação vil do latifúndio em nosso país.

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