1º de maio - Protestos radicalizados em todo o mundo

Proletários, às ruas!

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Milhões de trabalhadores foram às ruas nos cinco continentes em celebração ao Dia do Internacionalismo Proletário.

Na Espanha, estima-se que 2013 foi o ano em que aconteceram mais protestos de 1º de Maio desde a "redemocratização" do país. O proletariado espanhol vem sendo duramente golpeado com os planos de austeridade que têm causado a crescente precarização da vida dos trabalhadores e o aumento do desemprego, que ultrapassou os 27%. Os despejos que vêm sendo levados a cabo pelo Estado espanhol contra famílias pobres também foram alvo de protestos nesse dia (ver artigo Espanha: ‘Não toquem em nossas casas!’). Em Vigo, a maior cidade da Galiza, milhares de trabalhadores marcharam pelas ruas com uma enorme faixa com os dizeres: "Classe trabalhadora, organize-se e lute!". Massivos protestos também ocorreram na capital Madri, Malaga, Salamanca e em Barcelona.

Na Inglaterra, os manifestantes levaram vários cartazes, faixas e bandeiras para as praças públicas. Uma enorme faixa com a tradicional imagem de um operário quebrando as correntes foi levantada com a palavra de ordem "Trabalhadores de todo o mundo, uni-vos". Em Torino, na Itália, manifestantes enfrentaram a tropa de choque da polícia e, na cidade de Bologna, grandes lojas foram atacadas com tinta vermelha. Na Geórgia, manifestantes foram detidos pela polícia.

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Em Portugal, as classes trabalhadoras protestaram contra os cortes e as políticas de austeridade em Lisboa, Porto, Coimbra, Évora, Faro e outras cidades, incluindo as regiões autônomas, os arquipélagos da Madeira e dos Açores. Na Rússia e na Ucrânia, as massas realizaram manifestações repletas de bandeiras e faixas vermelhas. Na Alemanha, o proletariado compareceu em peso. Nas cidades de Stuttgart, Hamburgo e Berlim houve confrontos e algumas pessoas foram violentamente agredidas pela repressão. Na capital, edifícios de grandes empresas foram destruídos pela massa.

Na Turquia, o proletariado se agigantou nas ruas. Até o início da tarde, cerca de 30 pessoas haviam ficado feridas (em sua maioria policiais) e 72 presas nos violentos confrontos ocorridos em Istambul, que foi declarada "cidade fechada". Mesmo com as manifestações sendo proibidas pelo velho Estado na tradicional Praça Taksim, as organizações populares marcaram presença e enfrentaram o aparato policial. "Vinte e dois agentes da polícia ficaram feridos nos incidentes", afirmou o governador, Avni Mutlu. Cerca de 22 mil policiais foram mobilizados para fechar o acesso aos manifestantes. Algumas fontes afirmam que foram 40 mil.

http://www.anovademocracia.com.br/109/14d.jpgNas Filipinas, os manifestantes queimaram cartazes com as fotos de Barack Obama e do "presidente" do país, o lacaio Benigno Aquino III. Destacavam-se no meio da multidão grandes cartazes com imagens dos dirigentes comunistas Marx, Lenin, Engels, Lenin, Stalin e Mao Tsetung.

Em Taiwan, a multidão tentou furar um cerco colocando ganchos nas barreiras policiais em protesto contra os planos do "governo" de cortar os pagamentos de pensão e outras medidas antipovo. Em Seul, na Coreia do Sul, os trabalhadores exigiram melhores condições de trabalho. Na Indonésia, entre a multidão destacava-se um bloco de manifestantes encapuzados e com facões.

Em Bangladesh, milhares de pessoas foram ao centro da capital exigindo mais segurança no trabalho. A população quer que o dono da fábrica que desabou na semana anterior seja punido (ver artigo Patrões mandam operários para a morte em Bangladesh, na página 20). Centenas de operários foram vitimados na ocasião. Na Índia, país que passa por uma intensa guerra popular dirigida pelo Partido Comunista da Índia (Maoísta), mulheres protestaram por melhores salários e contra os estupros que vêm ocorrendo com frequência.

No México, manifestantes foram às ruas e enfrentaram a repressão nos protestos contra as "reformas" laborais e educacionais que estão sendo promovidas pelo gerenciamento Enrique Peña Nieto.

No Chile, a juventude enfrentou os carabineros (policiais) na capital Santiago. Carros com jatos d’água foram usados pela tropa de choque. Os jovens responderam com paus, pedras e bombas caseiras.

Em Bogotá, na Colômbia, também houve confronto e a multidão lançou coquetéis molotov. Alguns ativistas foram presos e agredidos. Em Seattle, no USA (onde o dia não é feriado), os manifestantes foram atacados pela polícia. Em Montreal, Canadá, um aparato repressivo desproporcional foi enviado para cercar a manifestação de 1º de Maio. Na Costa Rica, os jovens queimaram cartazes com fotos de Obama.

Além dos protestos, deve-se ressaltar também o lançamento de manifestos de diversos partidos e organizações revolucionárias de todo o mundo em celebração ao Dia do Internacionalismo Proletário, conclamando o proletariado a lutar contra o imperialismo, pela revolução proletária e em apoio às guerras populares e lutas de libertação nacional que vêm sendo levadas a cabo em diversos países.

No Brasil, as centrais sindicais chapa-branca repetiram o menu de peleguismo, alienação e conciliação de classes, com seus sorteios e shows. Pelegos de quatro costados, ex-pelegos ocupantes de postos no velho Estado e aspirantes à gerência semicolonial, todos disputaram os palanques das farras promovidas com muito dinheiro solapado dos trabalhadores através de contribuições sindicais e outros milhões dos patrocínios de grandes empresas, empreiteiras, grandes burgueses, latifundiários... Receita antiga, já aplicada pelos gerenciamentos fascistas do "Estado Novo" de Vargas, de 1937 a 1945, e dos gorilas militares, de 1964 a 1985, que nessa data sorteavam brindes e promoviam jogos de futebol enquanto impunham interventores, infiltravam espiões nas organizações sindicais, torturavam e assassinavam lideranças operárias.

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Mas o verdadeiro sentido do 1º de Maio, construído ao custo do sangue da classe, encontrou seu lugar na sede do Sindicato dos Trabalhadores da Construção de Belo Horizonte e Região, o Marreta.

Dirigentes sindicais, ativistas dos movimentos populares, jovens proletários e estudantes se reuniram no 1º de maio classista e internacionalista convocado pela Liga Operária e pelo Marreta.

Honrando as melhores tradições de luta da classe, foi resgatada a história dos mártires das batalhas operárias de Chicago em 1886. A Internacional, hino dos proletários de todo o mundo, abriu a cessão solene dedicada à memória do líder operário, militante comunista e um dos fundadores da Liga Operária, Sesnando Alves Brito, falecido em 2009.

Também foram rendidas homenagens ao também falecido comunista Diniz Cabral Filho, por sua dedicação à causa do proletariado e do comunismo (ver matéria na página 13) e a lideranças que tombaram na luta pela terra e pela revolução em nosso país.

Rompendo com a alienação, o 1º de Maio classista debateu a necessidade de persistir no caminho da luta, de desafiar as dificuldades e de fortalecer a organização da classe.

Um dos oradores destacou: "Afirmamos que vamos destruir esse sistema de opressão porque são as massas que fazem a história, as massas que fazem tudo: estradas, máquinas, ferramentas, que plantam o que colhem. As massas fazem tudo e não têm nada! Recebemos migalhas depois de produzir as riquezas do mundo inteiro ao longo de séculos. A herança que temos é continuar sendo escravos, a ter que se sujeitar? É esse sistema que está aí, e passou da hora de ser destruído!"

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