Luta pela terra

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Rondônia: PF e Exército despejam camponeses em Rondônia

Resistência Camponesa

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Polícia Federal utilizou aparato de guerra para despejar camponeses
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Mais de 200 efetivos da Polícia Federal e Exército fortemente armados realizaram na sexta (12 de abril), o despejo das famílias do acampamento Paulo Freire 3, na área Riacho Doce, em Seringueiras. Mais de 20 viaturas e caminhões do Exército foram utilizados na operação. Soldados do Exército realizaram o controle de pontes e estradas da região, enquanto a tropa de choque da Polícia Federal entrou na área do acampamento utilizando bombas de gás lacrimogêneo e spray de pimenta.

Somente na quarta feira (17) a PF prestou esclarecimentos sobre a operação e inclusive proibiu a imprensa local de filmar ou informar sobre a ação.

Informações do jornal Rondovale, que acompanhava o despejo, desmentem a versão do delegado da PF, Caio Porto Ferreira, que disse ter realizado negociação por mais de 30 minutos antes de atacar as famílias. Segundo o jornal a tropa de choque aguardou apenas 5 minutos antes de começar a usar bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral. Em nenhum momento os camponeses apresentaram resistência, os policiais tinham interesse apenas de provocar terror entre as famílias, não tentaram conversar e apenas invadiram a fazenda.

O relato aponta ainda que os policiais se ajoelhavam nos pescoços dos camponeses e, puxando os cabelos, espirravam spray de pimenta nos olhos dos detidos. A maioria dos acampados saiu apenas com a roupa do corpo e teve ferramentas de trabalho, utensílios e alimentos destruídos.

Os camponeses disseram a redação do jornal que a PF alertou para terem "Cuidado com o fazendeiro e seus comparsas que estão dentro da fazenda": "Se vocês virem eles corram, pois nós não responsabilizamos pelas vidas de vocês". O fazendeiro citado é conhecido como "Timiro". Ele arrendou as terras e colocou gado na área com ajuda da Polícia Militar, mesmo a área estando em poder judicial.

As terras onde está localizado o Acampamento Paulo Freire 3 são terras da União, o latifundiário Sebastião de Péder tenta manter essas terras baseado em título ilegal emitido pelo Incra para o filho do fazendeiro, uma criança de apenas 12 anos na época.

Este já é o sétimo despejo realizado na área. Em janeiro deste ano a PF havia tentado realizar a reintegração, mas diante da organização das famílias não conseguiram.

Em fevereiro os camponeses da área haviam denunciado a atuação de grupos armados de segurança que atuavam na área, inclusive conseguiram prender um dos participantes que confessou ser pistoleiro. Tanto a PF quanto a PM local não tomaram nenhuma providência no sentido de prender estes elementos que atuam a mando do latifundiário.

Depois do despejo as famílias foram levadas para a cidade de Seringueiras e estão acampadas no Incra. As famílias estão se reorganizando para a retomada das terras.


Vídeo mostra situação de camponês torturado pela polícia

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Esquerda: Adimar quando da sua prisão, em perfeitas condições físicas.
Direita: imagem das sequelas das torturas

Em várias ocasiões reiteramos as denúncias dos camponeses de Jacinópolis das brutais torturas sofridas pelo camponês Adimar "Roliço". Ele foi preso, sequestrado por policiais civis de Ouro Preto D’Oeste, barbaramente torturado até entrar em coma e, ainda assim, foi mantido algemado no leito do Pronto Socorro João Paulo II, em Porto Velho, com marcas de espancamentos, asfixia e outros suplícios.

Devido à grande campanha de denúncias da situação de Adimar, o delegado Cristiano Mattos e dois detetives de Ouro Preto D’Oeste chegaram a ser afastados de seus postos pelo Ministério Público acusados como prováveis autores das torturas e responsáveis pelo grave estado de saúde do camponês. Mas, pouco tempo depois, todos foram reincorporados às suas funções.

Em um vídeo gravado pela comissão de advogados e entidades democráticas que visitou Jacinópolis em março desse ano, Adimar aparece com sérias sequelas físicas, dificuldades para se movimentar e para se comunicar. Com extrema dificuldade, ele tenta responder algumas perguntas e se emociona quando fala do líder camponês Renato Nathan, assassinado em 9 de abril do ano passado, segundo denúncia dos camponeses, por policiais civis, também em Jacinópolis.

Segundo nota que acompanha o vídeo publicado em resistenciacamponesa.com, Adimar "teve as suas funções motoras comprometidas, não se comunica nem se alimenta sozinho devido às sequelas das torturas sofridas".

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Cresce o número de camponeses assassinados

Em 22 de abril, a Comissão Pastoral da Terra - CPT lançou, em Brasília, a 28ª edição da publicação Conflitos no Campo Brasil 2012. O relatório dá os dados finais tabulados pela Comissão em 2012 e revela que o número de camponeses assassinados na luta pela terra chegou a 36 no ano passado, 24% a mais que no ano de 2011. Dentre os 36 camponeses assassinados, sete já haviam recebido uma ou mais ameaças de morte. O número de tentativas de assassinato de camponeses também passou de 38 em 2011 para 77 em 2012.

Os números apresentados pela CPT, apesar de não representarem a totalidade dos camponeses e indígenas perseguidos, atacados e assassinados, seja por bandos de pistoleiros a mando do latifúndio ou das forças de repressão, servem para comprovar a política de extermínio do velho Estado contra o movimento camponês, o acirramento e a radicalização da luta pela terra em nosso país.

Camponeses prejudicados pelas usinas do Madeira

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Os Camponeses do Assentamento Joana d'Arc, removidos pela Usina Santo Antônio, vivem em situação desesperadora na margem esquerda do Rio Madeira.  

As associações dos agricultores do Projeto de Assentamento Joana D'arc Aprujoda, Comissão das Agrovilas, ASSTA e Acajod publicaram nota refutando as afirmações do "Consórcio Santo Antônio, publicadas no dia 22/04/2013, que procura dar a impressão de que já fez tudo que podia e devia para os assentados do Projeto Joana D'Arc".

As famílias afirmam não ter recebido nenhum apoio ou indenização, fato já constatado pelo Incra e Ministério Público.

Em sua nota, os camponeses relatam que, com o alagamento, onças e jacarés circulam nas proximidades de suas casas, colocando suas famílias em risco. Já foram registrados ataques de onças aos animais domésticos. Animais peçonhentos como cobras, aranhas e escorpiões são encontrados nas proximidades e no interior das casas. Também há relato de ataques de cobras aos animais domésticos. Os insetos, principalmente mosquitos, colocam em risco a saúde das pessoas.

As associações de moradores denunciam que a Escola Ercília Bigair de Aguiar, da Linha 17, e a escola da Linha 15, foram fechadas, deixando dezenas de crianças sem aulas. O alagamento da área e das estradas dificulta enormemente o trânsito de carros, carroças e demais veículos.

Com a elevação do nível das águas e do lençol freático (subterrâneo), a produção caiu drasticamente. O solo fica permanentemente encharcado, o que pode impedir, inclusive, a permanência das famílias no local.

Os camponeses da área Joana d’Arc finalizam sua nota de protesto exigindo:

a) Ajuda de custo no valor de R$ 1.240,00, igual a que foi paga para os que já foram reassentados;

b) Pagamento de indenização das benfeitorias, da cobertura vegetal e terra nua;

c) Fornecimento de assistência técnica, máquinas agrícolas, correção de solo (adubo e calcário);

d) Reassentamento de todas as famílias na área que o Incra informou ter disponível, próxima a União Bandeirantes;

e) Construção de casa própria na nova propriedade.

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