Greves e luta classista

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Pará: Belo Monte: operários prosseguem luta independente da direção pelega

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Comissão de operários de Belo Monte protesta em Belém - PA

Uma comissão de 90 operários de Belo Monte dirigiu-se até Belém – PA no mês passado com o objetivo de denunciar abusos cometidos pelo Consórcio Construtor Belo Monte – CCBM e pelas forças de repressão durante a última greve deflagrada em 5 de abril.

Em 16 de abril, membros da Comissão de Base dos Trabalhadores da Obra da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, organizada de forma independente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Pesada e Afins do Estado do Pará – Sintrapav, foram recebidos pelo procurador do trabalho Hideraldo Machado, a quem reafirmaram as denúncias contra o CCBM e exigiram rigorosa apuração e punição dos responsáveis pelo consórcio e dos agentes das forças de repressão pelos abusos cometidos.

Durante a greve, soldados da Força Nacional e policiais sitiaram o canteiro de obras, agrediram e prenderam operários. Segundo denúncias feitas pelos trabalhadores, lideranças da greve foram sequestradas e mantidas sob cárcere privado por agentes da repressão (ver box).

 A comissão também protestou contra a presença da Força Nacional de Segurança e de policiais nos canteiros, contra as péssimas condições de trabalho e a demissão de mais de mil operários após a deflagração da greve em 5 de abril.

A comissão de operários de Belo Monte também repercutiu e formalizou essas denúncias no Tribunal Regional do Trabalho, Tribunal Superior do Trabalho, Ordem dos Advogados do Brasil de Belém, Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos, Defensoria Pública do estado do Pará, Ministério Público Federal, Assembleia Legislativa do estado do Pará e Câmara Municipal de Belém.

Entre as conquistas apontadas pela comissão de operários com a sua ida a Belém está o compromisso assumido pelo Ministério Público do Trabalho, que enviará representantes para acompanhar a próxima assembleia geral dos trabalhadores da usina Belo Monte. Essa assembleia irá debater os 35 pontos da pauta de reivindicações levantados durante a greve. A comissão também conquistou a rescisão contratual reivindicada por alguns trabalhadores do CCBM que estavam em Belém e que a recisão fosse efetuada na capital. De acordo com a decisão do MPT, os operários que rescindiram seus contratos também serão encaminhados às suas cidades de origem e serão acompanhados por advogados.

Grevistas sequestrados e ameaçados

Trecho de notícia publicada em mabnacional.org.br

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"Dois seguranças patrimoniais do Consórcio Construtor de Belo Monte (CCBM) e dois guardas da ROTAM mantiveram em cárcere privado três lideranças da greve dos trabalhadores dos canteiros de obras da barragem de Belo Monte (Pará) na madrugada dessa quarta-feira (10 de abril).

O trabalhador pediu para não ter seu nome publicado por questão de segurança. Alojado no canteiro de Belo Monte, que se mantém em greve desde sexta-feira (5 de abril), ele foi surpreendido pelos seguranças às 4h da manhã quando saía para continuar a paralisação.

'Encostaram o carro e já foram obrigando a entrar. Diziam que eu era culpado e que tinha causado um prejuízo de R$ 1 milhão e meio para a empresa', contou por telefone o operário, que se encontra em Santarém (PA). Ele denuncia que foi levado com outros dois companheiros dentro de uma van com a roupa do corpo e deixado no meio da Transamazônica, sentido oeste, a mais de 300 km de Altamira. 'Saímos daí às 6h e nos largaram às três e meia da tarde'. Junto com os seguranças e guardas, estava um homem que se apresentou como oficial de justiça, porém, sem apresentar identificação.

Nesse percurso, sofria violência psicológica. 'Diziam que eu era uma ameaça direta e que só iam nos soltar se acabasse a greve', denunciou. 'Também falavam que eles compravam quem quiserem porque é o CCBM que manda em Altamira'."

"Belo Monte é só escravidão"

Depoimentos de Jamilson Joaquim e Edivaldo (operários de Belo Monte, componentes da comissão de trabalhadores que esteve em Belém em abril de 2013) publicados em vídeo no blog Ananindeua Debates.

"Belo monte está com um clima muito pesado, estamos sendo reprimidos pela Força Nacional. Quando estamos comendo, a polícia também está em cima da gente, quando estamos na frente de trabalho, a polícia está em cima da gente também. O que estamos reivindicando é que aumentem pelo menos nossos salários, e que retire a polícia, porque ninguém merece a polícia coagindo nós (sic.).

Aqui é uma obra do governo, falam que é a maior obra do Brasil, não era para existir polícia no campo de trabalho, é uma coisa feia. Tem um toque de recolher 22:30, se não estiver no alojamento,a polícia te pega, te coloca em uma viatura e já levam para a rua espancando, tem vários colegas nossos todos arrebentados.

Domingo, no horário de lazer, tem gente que dorme na rua com medo de voltar para o alojamento, não tem direito de chegar com sossego no alojamento. Na portaria tomam seu crachá, você já sai do ônibus para a viatura.

Estamos tentando mostrar a verdade, várias pessoas só vêem as mentiras que falam na televisão. Fazem o mesmo com nós (sic.), nos ficham prometendo mundos e fundos e quando chegamos lá não vemos nada que eles falam, só escravidão, já estou lá a seis meses e só vi coisas erradas que eles fazem."

Rondônia: greve na Usina PCH Santa Cruz

No dia 22 de abril, mais de 200 operários da Pequena Central Hidrelétrica (PCH) Santa Cruz, em Monte Negro, na região de Ariquemes, Rondônia, paralisaram as obras exigindo o pagamento de horas-extras, melhorias dos alojamentos e melhores condições de trabalho.
Durante o protesto, os grevistas bloquearam a estrada de acesso a principal área administrativa da usina.

 "Não iremos recomeçar qualquer tipo de trabalho na construção da usina enquanto nossas reivindicações não forem atendidas. Até lá, nem um tipo de veículo irá sair daqui de dentro, além das obras ficarem paradas", declarou um trabalhador ao rondoniavip.com.br.

A responsável pelas obras da PCH Santa Cruz é a Mega Energia, Investimentos e Participações S/A, sediada em Santa Catarina. 


Paraná: greve e ocupação em hospital

Os trabalhadores do Hospital Santa Catarina, localizado em Cascavel – PR, em greve há mais de dois meses, ocuparam o hospital em protesto contra o não pagamento de salários e outros benefícios e contra as péssimas condições de trabalho. O hospital é particular, mas presta atendimento aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).

Os cerca de 120 funcionários denunciam que não recebem parte de seus pagamentos desde fevereiro e estão sem vale-transporte. Além disso, não receberam o 13º salário referente a 2012 e não têm recebido os depósitos do FGTS, INSS, etc.

Até o fechamento dessa edição, os trabalhadores recusavam a proposta da administração do hospital e os funcionários continuavam sem receber seus salários.

Os grevistas ainda se recusam a aceitar um plano de recuperação. Salários de fevereiro e benefícios não foram pagos. O hospital acumula mais de R$ 4 milhões em dívidas trabalhistas.


Rio Grande do Sul: metalúrgicos da GM em greve

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Na madrugada de 23 de abril cerca de dois mil operários metalúrgicos da GM cruzaram os braços em Gravataí, na região metropolitana de Porto Alegre.

Os trabalhadores reivindicam equiparação salarial com os trabalhadores das fábricas de São Caetano do Sul e de São José dos Campos – SP e a redução da jornada de 42 horas semanais para 40. Em Gravataí, o piso salarial dos operários é de R$ 1.022 e, em São Paulo, de R$ 1.712. Somente para cumprir a reivindicação de equiparação salarial, a GM deveria conceder reajuste de cerca 70% nos salários, no entanto, ofereceu apenas 8,3%. Além da equiparação no piso, os trabalhadores também exigem equiparação na Participação nos Lucros e Resultados – PLR.

O complexo da GM em Gravataí emprega 8 mil funcionários, incluindo os das autopeças que atuam no mesmo terreno, e produz mil automóveis ao dia. Os grevistas ameaçam parar toda a produção de vários modelos de automóveis.

Na manhã do dia 24, cerca de 1,5 mil trabalhadores realizaram uma manifestação em frente à fábrica após uma reunião com a direção de empresa. Os operários rejeitaram a proposta da empresa de reajuste de 8,29% e piso salarial de R$ 1.170.


São Paulo: Greve na educação

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Em assembleia realizada no dia 29 de abril, professores da rede municipal de São Paulo decidiram entrar em greve. Até o fechamento desta edição de AND, a greve estava marcada para começar no dia 3 de maio, quando seria realizada uma nova assembleia em frente ao gabinete do prefeito Fernando Haddah (PT). A mobilização dos professores municipais soma-se à paralisação da rede estadual, iniciada no dia 22 de abril.

Entre as reivindicações dos profissionais da educação municipal estão: aumentos salariais, melhores condições de trabalho, valorização, fim das terceirizações e redução do número de alunos por sala. Outro ponto questionado pela categoria é o veto de Haddad ao Substitutivo do PL nº 310/12, que prevê a criação de cargos de assistente de diretor de escola no Quadro do Magistério Municipal.

Neste mesmo dia 29, uma manifestação dos professores ocupou o viaduto do Chá, no Centro da capital. Dez dias antes, em 19 de abril, os profissionais da rede pública também realizaram manifestação na região da Avenida Paulista.

Os professores da rede estadual exigem um reajuste salarial imediato de 13,5% e mais 36,74% do que chamam de reposição salarial, referente às perdas acumuladas com a inflação desde 1998. Eles também exigem medidas para pôr fim a violência nas escolas.

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Mobilização nacional dos professores

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Assembleia dos professores de MG durante a paralisação nacional

Professores da rede estadual de ensino de 22 estados brasileiros realizaram paralisação entre os dias 23 e 25 de abril. Dos 26 estados, somente Amapá, Amazonas, Rio de Janeiro e Roraima não aderiram formalmente à paralisação.

A categoria exige o cumprimento da Lei do Piso Nacional dos Professores da Rede Pública. Pela norma vigente, o piso do magistério da educação básica é de R$ 1.567 para 40 horas semanais de serviço, sendo que um terço desta carga horária deve ser destinado à preparação de aulas e formação continuada do profissional. 

Os professores pedem ainda a aprovação do Plano Nacional de Educação (PNE), que estabelece políticas para a próxima década; a destinação de 100% dos royalties do pré-sal para a educação; e a definição de diretrizes nacionais de carreira para os profissionais da educação básica. Até o fechamento desta edição, apenas os professores de São Paulo e Maranhão continuavam em paralisação. No estado do Nordeste, a principal reivindicação é o Estatuto do Educador que, segundo o sindicato, é esperado ser aprovado há anos e que estabelece as regras da carreira dos profissionais de educação. A categoria também discute a tabela salarial.


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