Indígenas novamente despejados da Aldeia Maracanã

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Na tarde de sexta-feira, dia 26 de abril, indígenas de diversos povos reocuparam o prédio da Aldeia Maracanã, na zona Norte do Rio de Janeiro. O prédio foi desocupado pela PM no final de março, quando cerca de 50 indígenas foram violentamente expulsos do local pela tropa de choque da polícia militar. Do lado de fora, apoiadores do movimento foram atacados com bombas de gás lacrimogêneo, spray de pimenta e tiros de bala de borracha. Imagens feitas pela equipe de reportagem de AND dão conta da violência aplicada pela PM contra manifestantes, incluindo agressões e prisões arbitrárias.

O despejo faz parte do cronograma das obras de reforma do complexo esportivo Maracanã. O estádio está sendo adaptado aos padrões da Fifa e do COI — Comitê Olímpico Internacional — para a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016. Em seus 150 anos de existência, o imóvel onde, em 2006, indígenas criaram a Aldeia Maracanã, abrigou o SPI (Serviço de Proteção ao Índio), a Funai (Fundação Nacional do Índio) e o Museu do Índio, fundado pelo antropólogo Darcy Ribeiro em 1953. No entanto, no dia 22 de março, toda a história e a luta da Aldeia Maracanã foi manchada pela ação criminosa das tropas de repressão do velho Estado.

Revoltados, cerca de dez indígenas, na sua maioria mulheres, pularam os muros da Aldeia Maracanã — policiados 24 horas por dia, desde o despejo do dia 22 de março — e tentaram retomar o prédio. O grupo apressou-se em subir para o terraço do imóvel, de difícil acesso sem o uso de uma escada.

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No início da tarde, cerca de 150 PMs da tropa de choque e do Batalhão de Operações Especiais - Bope chegaram ao local para promover um novo despejo contra os indígenas da Aldeia Maracanã. Do lado de fora, o entorno do prédio foi fechado ao fluxo de pedestres — inclusive à imprensa. Jornalistas que tentaram se aproximar foram rechaçados por policiais com spray de pimenta. Utilizando um veículo, nossa equipe tentou fazer imagens do que acontecia dentro do prédio, mas foi interceptada por um policial que, de forma truculenta, nos abordou exigindo documentos e pedindo que nos retirássemos da área de isolamento. Mais tarde, o relações públicas do BOPE, major Ivan Blaz, negou o ataque da polícia a manifestantes e jornalistas, que protestaram contra as declarações do militar.

Os indígenas aceitaram deixar o local sem resistir e foram levados para a 18ª delegacia de polícia. Dois apoiadores do movimento também foram presos do lado de fora. Segundo denúncias, uma das pessoas presas, a atriz Raíssa Vitral, teria levado um tiro de bala de borracha no pé quando já estava algemada dentro da viatura da polícia. Outro preso, Franklin Francislei, de 26 anos, apesar de não ter reagido à prisão, estava algemado e apresentava vários hematomas no rosto e no corpo. Depois de cinco horas detidos, os indígenas foram liberados.

Hoje, nós da Aldeia Maracanã, voltamos ao lugar que é sagrado para nós indígenas. Os amigos que estão aqui na delegacia foram reprimidos pelo Bope como se fossem criminosos perigosos. Dois companheiros nossos foram agredidos dentro do camburão da polícia. Eu fui atacado com spray de pimenta quando estava prestando solidariedade aos meus companheiros de forma pacífica do lado de fora. Realmente essa Copa só está trazendo violência para a cidade do Rio de Janeiro. Todos os acordos nacionais e internacionais em favor dos indígenas sendo violados aqui, na frente de todos. A Dilma e demais governantes não respeitam os direitos dos povos indígenas. Exigimos que parem de tratar com violência os índios, os moradores de comunidades e os movimentos sociais — reclama o indígena Ashaninka.

Encerrando sua declaração, o major Ivan Blaz foi enfático ao dizer como serão tratados os movimentos sociais que interferirem nos obscuros planos dos gerenciamentos de turno em concluio com a Fifa, o COI e as inúmeras transnacionais, todos famintos por uma fatia do bolo.

É importante frisar que as forças de segurança do Estado, a polícia militar, têm atuado em inúmeros treinamentos rotineiros para coibir qualquer ação que venha a atentar contra os grandes eventos — diz o major.

O vídeo da reportagem pode ser visto no blog da redação de AND: http://anovademocracia.com.br/blog/?p=5380


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