Cenas vivas da realidade nacional

Desemprego leva mais de 120 mil pessoas a se inscreverem em concurso público para gari. Além das filas, taxas e humilhações, povo sofre com truculência da polícia militar.

Foto: Aristeu Barbosa

120 mil trabalhadores passaram dez dias de humilhação
na fila de inscrição da Comlurb, Rio de Janeiro

Ao contrário da propaganda oficial, país vai de mal a pior. Segundo recente pesquisa feita pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), 19% da população do estado do Rio de Janeiro - cerca de 2,8 milhões de pessoas - vive numa situação de extrema miséria, em total indigência. A pesquisa usou como critério para definir o número de indigentes da cidade o valor mínimo necessário para uma pessoa se alimentar, conforme os padrões da Organização Mundial de Saúde (OMS), e que seria de R$ 80 por mês. Milhares de pessoas não alcançam essa quantia para sua subsistência, vivendo de restos de comida e coleta de sobras do lixo.

Desemprego recorde

Em São Paulo, o desemprego, em abril deste ano, bateu a casa dos 20%, sem contar os trabalhadores informais e os que já desistiram de procurar emprego, conforme pesquisa realizada pelo DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). E essa situação, nestes primeiros seis meses de administração petista, só tem se agravado.

Estes dois dados ilustram a condição dos trabalhadores apenas nas duas maiores e mais desenvolvidas regiões do país. Nas várias outras pequenas e grandes cidades, muitas vezes a situação é pior. Recentemente, um simples anúncio de emprego divulgado pela prefeitura do Rio de Janeiro pôs a nu, da forma mais contundente e brutal, a terrível face do desemprego: mais de 120 mil pessoas, de diversas idades e origens sociais, se espremeram em busca de uma inscrição no concurso da Comlurb (Companhia Municipal de Limpeza Urbana) para gari.

Filas, taxas e violências

Como se não bastasse essa dificílima situação, os milhares de candidatos às vagas oferecidas no serviço de limpeza da cidade tiveram de enfrentar mais de quatro horas de espera em filas intermináveis na Praça da Apoteose (sambódromo carioca) e a violência da polícia militar — chamada pelos organizadores do concurso para intimidar e reprimir os desempregados —, que acabou agredindo covardemente diversas pessoas, utilizando, inclusive, mais de 10 bombas de gás de efeito moral contra a multidão.

Os mais de 120 mil inscritos no cadastro da Comlurb tiveram de arcar com o pagamento de uma taxa no valor de R$15 e concorrerão a colocações com renda total de R$610. As provas realizadas pelos candidatos abrangerão - além de conhecimentos elementares de língua portuguesa - testes de resistência física, pois o trabalho de recolha de lixo e varrição de ruas é extenuante.

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