O que esperar de uma "comissão da verdade"?

Nas últimas décadas foram criadas "comissões da verdade" em mais de 30 países para apurar crimes de lesa humanidade cometidos contra os povos.

Em 21 de maio último, a Comissão Nacional da Verdade (CNV) publicou seu relatório parcial. Nele, a CNV afirma ter ouvido 268 depoimentos: 37 torturadores e colaboradores do terrorismo de Estado, 24 militares reprimidos pelas forças armadas e 207 vítimas ou testemunhas. A Comissão apontou a existência de 250 redes de informação, instaladas em diversos organismos estatais.

Uma das integrantes da CNV, a advogada Rosa Cardoso, apontou a possibilidade de que a CNV recomende a responsabilização penal dos agentes estatais envolvidos nos crimes de lesa humanidade. Mas, o governo se apressou em afirmar que não irá propor mudanças na Lei de Anistia, que garante a impunidade aos torturadores.

Faltando menos de um ano para o término dos trabalhos, muito pouco se sabe sobre os rumos que irá tomar o relatório final da CNV e suas consequências práticas. Mas, pelas experiências de outras comissões na América Latina, o que temos a esperar? Quais caminhos tomaram estas comissões e a que resultados chegaram? AND investigou a atuação de algumas comissões latino-americanas e oferece um panorama a seguir.

Terrorismo de Estado

Em 1954, o Paraguai foi tomado por um regime militar liderado pelo Gen. Alfredo Stroessner. O número de vítimas entre presos, torturados e assassinados é de mais de 128 mil pessoas, enquanto os exilados chegaram a 33 mil.

Em 1964, uma junta militar depôs o governo de João Goulart e instaurou um sangrento regime militar no Brasil. Ainda em 1964, a Bolívia teve o mesmo destino. Não se sabe ao certo o número de vítimas, mas se estima que houve mais de mil assassinados.

No Peru, em 1968, o General Juan Velasco Alvarado inaugurou um regime militar no Peru, que só teria fim em 1980, ano em que se iniciou a Guerra Popular dirigida pelo Partido Comunista do Peru e uma escalada repressiva foi desencadeada contra o povo, deixando mais de 70 mil vítimas em 20 anos.

Em 1972 foi a vez do Uruguai e no ano seguinte, o governo popular de Salvador Allende foi golpeado pelo Gen. Augusto Pinochet. Estima-se que mais de 100 mil pessoas foram assassinadas no Chile. Em 1976, uma junta militar golpeou Evita Perón e assumiu o Estado argentino. Em sete anos, deixaram 30 mil desaparecidos.

A história latino-americana foi marcada a ferro e sangue por regimes militares bancados pelo imperialismo ianque, principalmente. Nos anos que se seguiram ao retorno à democracia burguesa se instalaram comissões da verdade, oficiais ou não, em quase todos os países.

NÃO SAIA AINDA… O jornal A Nova Democracia, nos seus mais de 18 anos de existência, manteve sua independência inalterada, denunciando e desmascarando o governo reacionário de FHC, oportunista do PT e agora, mais do que nunca, fazendo-o em meio à instauração do governo militar de fato surgido do golpe militar em curso, que através de uma análise científica prevíamos desde 2017.

Em todo esse tempo lutamos e trouxemos às claras as entranhas e maquinações do velho Estado brasileiro e das suas classes dominantes lacaias do imperialismo, em particular a atuação vil do latifúndio em nosso país.

Nunca recebemos um centavo de bancos ou partidos eleitoreiros. Todo nosso financiamento sempre partiu do apoio de nossos leitores, colaboradores e entusiastas da imprensa popular e democrática. Nesse contexto em que as lutas populares tendem a tomar novas proporções é mais do que nunca necessário e decisivo o seu apoio.

Se você acredita na Revolução Brasileira, apoie a imprensa que a ela serve - Clique Aqui

Edição impressa

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Avenida Rio Branco 257, SL 1308 
Centro - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303
E-mail: [email protected]

Comitê de apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro
Reuniões semanais de apoiadores
toda segunda-feira, às 18:45

Seja um apoiador você também:
https://www.catarse.me/apoieoand

Expediente

Diretor Geral 
Fausto Arruda

Editor-chefe 
Victor Costa Bellizia

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas (In memoriam)
Fausto Arruda
José Maria Galhasi de Oliveira
José Ramos Tinhorão 
Henrique Júdice
Hugo RC Souza
Matheus Magioli Cossa
Montezuma Cruz
Paulo Amaral 
Rosana Bond

Redação 
Ana Lúcia Nunes
Rodrigo Duarte Baptista
Vinícios Oliveira

Ilustração
Taís Souza