Belo Monte: "Ocupamos mais uma vez o seu canteiro de obras"

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Na madrugada de 27 de maio, cerca de 200 indígenas Munduruku, Xipaya, Kayapó, Arara e Tupinambá, povos que vivem na região do Rio Xingu, próximo de Belo Monte (PA), voltaram a ocupar o sítio Belo Monte, em Vitória do Xingu (PA), um dos principais canteiros de obras da Usina Hidrelétrica Belo Monte.

Entre os dias dois e dez de maio, indígenas e ribeirinhos já haviam ocupado o sítio Belo Monte exigindo a paralisação das obras, contra a militarização do seu território, a destruição dos recursos naturais provocada pelas obras e o descumprimento das promessas feitas pelo governo federal aos indígenas e ribeirinhos durante ocupações anteriores.

Seguem trechos da carta de protesto dos indígenas publicada em 27 de maio de 2013:

 "O seu governo disse que se nós saíssemos do canteiro, nós seríamos ouvidos. Nós saímos pacificamente. Mesmo assim, nós não fomos atendidos. O governo não nos recebeu.

Então nós ocupamos mais uma vez o seu canteiro de obras. Não queríamos estar de volta no seu deserto de buracos e concreto. Não temos nenhum prazer em sair das nossas casas nas nossas terras e pendurar redes nos seus prédios. Mas, como não vir? Se não viermos, nós vamos perder nossa terra.

Queremos a suspensão dos estudos e da construção das barragens que inundam os nossos territórios, que cortam a floresta no meio, que matam os peixes e espantam os animais, que abrem o rio e a terra para a mineração devoradora. Que trazem mais empresas, mais madeireiros, mais conflitos, mais prostituição, mais drogas, mais doenças, mais violência.

Nós temos o apoio de muitos parentes nessa luta. Temos o apoio dos indígenas de todo o Xingu. Temos o apoio dos Kayapó. Nós temos o apoio dos Tupinambá. Dos Guajajara. Dos Apinajé, dos Xerente, dos Krahô, Tapuia, Karajá-Xambioá, Krahô-Kanela, Avá-Canoero, Javaé, Kanela do Tocantins e Guarani. E a lista está crescendo.

Nós ocupamos de novo no seu canteiro – e quantas vezes será preciso fazer isso até que a sua própria lei seja cumprida? Quantos interditos proibitórios, multas e reintegrações de posse vão custar até que nós sejamos ouvidos? Quantas balas de borracha, bombas e sprays de pimenta vocês pretendem gastar até que vocês assumam que estão errados? Ou vocês vão assassinar de novo? Quantos índios mais vocês vão matar além de nosso parente Adenilson Munduruku, da aldeia Teles Pires, simplesmente porque não queremos barragem?

E não mande a Força Nacional para negociar por vocês. "Venham vocês mesmos."

Os povos indígenas e ribeirinhos que vivem na região denominada Volta Grande do Xingu denunciam que, se efetivada, a construção de Belo Monte poderá secar cem quilômetros do rio, e que em outras áreas, aldeias situadas há séculos à margem do Rio Xingu, como as aldeias Munduruku, seriam totalmente inundadas.

As reivindicações indígenas são as mesmas já levantadas nas últimas ocupações. Eles afirmam que resistirão contra tentativas do Consórcio Construtor Belo Monte e das forças de repressão de retirá-los do canteiro de obras. Além disso, voltaram a protestar contra a presença da Força Nacional de Segurança que ocupa não somente o canteiro de obras como território indígena.

Rechaçando provocações

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Em 24 de maio o Consórcio Construtor Belo Monte armou mais uma provocação contra os operários, indígenas e ribeirinhos, enviando uma nota ao governo federal e à empresa Norte Energia, responsáveis pela obra, "alertando para riscos de conflitos entre indígenas e trabalhadores nos canteiros de obra da usina na região de Altamira". O documento, endereçado ao Ministério das Minas e Energia, à Casa Civil e à Secretaria Geral da Presidência da República, afirma que "as ocupações nos canteiros de obras têm se tornado mais constantes e os manifestantes têm invadido áreas de alojamento de trabalhadores, o que aumenta a possibilidade de confrontos e colocaria em risco a vida dos próprios índios, uma vez que eles entram em grupos pequenos, em áreas onde estão milhares de trabalhadores, que começariam a se sentir acuados" [fonte: oglobo.globo.com em 24 de maio de 2013].

Os indígenas rechaçaram essa provocação e dirigiram carta aos operários de Belo Monte fazendo um chamamento à luta conjunta. Publicamos a seguir alguns trechos dessa carta. Segundo os indígenas, soldados da Força Nacional estariam impedindo que ela fosse distribuída aos operários:

"Nós, indígenas, escrevemos a vocês trabalhadores da obra da barragem.

Nós viemos de longe e muitos de vocês vieram de longe. Nós sabemos dos problemas que vocês têm, porque durante a ocupação, vários trabalhadores vieram reclamar dos problemas que vocês passam na obra. Por isso, nós dizemos: queremos apoiar a causa de vocês. Queremos juntar as nossas reivindicações com as reivindicações dos trabalhadores.

Nós, indígenas, vocês trabalhadores e os moradores da cidade – estamos todos sofrendo por conta dos mesmos culpados. Nós queremos conversar e trabalhar junto com vocês" [fonte: ocupacaobelomonte.wordpress.com].


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