Goiânia: Revolta popular contra o aumento da passagem

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No último dia 28 de maio, centenas de estudantes e trabalhadores saíram às ruas em Goiânia para protestar contra o aumento da passagem de ônibus. A revolta explodiu em diversos pontos da cidade e vários ônibus foram incendiados.

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Desde que os rumores de que a passagem aumentaria de R$2,70 para R$3,00, em abril deste ano, começaram a explodir revoltas em várias partes da cidade. Os protestos espontâneos da população têm ocorrido diariamente nos diversos terminais de integração do transporte coletivo da cidade.

No dia dois de maio, os motoristas de ônibus estavam em greve e as empresas já se sabiam que o transporte não funcionaria. Mesmo assim, permitiram que a população pagasse para entrar nos terminais, como se nada estivesse acontecendo. Vários ônibus acabaram sendo o alvo da fúria popular e uma agência bancária foi incendiada.

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Maio de protestos

O mês de maio foi marcado por manifestações organizadas pela Frente contra o aumento da tarifa. Segundo o estudante Victor Hugo Viegas, a primeira manifestação ocorreu em oito de maio. Os manifestantes bloquearam o trânsito até que um representante da Companhia Metropolitana de Transporte Coletivo recebesse as demandas do movimento (Box).

No dia 16 uma nova manifestação percorreu as ruas da cidade e foi brutalmente reprimida pela polícia militar. A imagem de um PM dando um soco em um manifestante foi divulgada em vários meios.

Estudantes e trabalhadores voltaram a se manifestar, no dia 21, enquanto uma reunião decidia o aumento da tarifa. A polícia não interveio, mas acompanhou toda a movimentação de perto.

Na última manifestação, em 28 de maio, a polícia voltou a reprimir o protesto com brutalidade. Os policiais utilizaram gás de pimenta e lacrimogêneo, bombas de efeito moral e balas de borracha foram disparadas contra os manifestantes, que responderam com paus, pedras e bombas incendiárias. Dezoito estudantes foram presos, dentre eles seis menores de idade. Vários ficaram feridos e foram agredidos pelos policiais. Também há denúncias de que estudantes teriam sido vítimas de abuso sexual.

Estamos vigiando

A polícia goiana é conhecida por sua truculência em reprimir manifestações e lutas populares e também pelas denúncias de grupos de extermínio dentro da corporação.

Na manifestação do último dia 28, segundo o comandante geral da PM, Cnel. Sílvio Benedito, a polícia já vinha monitorando os manifestantes pelas redes sociais. Em entrevista coletiva à imprensa, ele declarou ainda que a polícia continuará monitorando os protestos pela internet e que identificará os manifestantes, tanto nas redes sociais como através de imagens de câmeras de segurança dos locais pelos quais passaram os manifestantes.

O amanhã será maior

A Superintendência de Proteção aos Direitos do Consumidor (Procon) e o Ministério Público Federal estão questionando judicialmente o aumento da tarifa.

Segundo Victor Hugo Viegas, os estudantes se mobilizarão em defesa dos manifestantes processados e as manifestações devem continuar ainda mais radicalizadas até que a tarifa seja reduzida. Uma nova manifestação já foi marcada para seis de junho

O que querem os manifestantes?

  1. Congelamento do preço da passagem a R$2,70
  2. Publicação da planilha de custos das empresas
  3. Publicação do cálculo utilizado para justificar o aumento
  4. Abertura de um canal de diálogo e negociação com a Frente contra o aumento da tarifa.

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