São Paulo: A centelha incendiou a pradaria

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Nas primeiras semanas de junho, dezenas de milhares de estudantes e trabalhadores de São Paulo participaram das manifestações contra o aumento da tarifa no transporte público que tiveram início após um aumento de R$ 3 para R$ 3,20. Nos quatro protestos realizados até o dia 13 de junho, a combatividade e a disposição de luta foram peça-chave para que as manifestações ganhassem repercussão nacional e internacional, além de grande apoio popular.

Após as combativas manifestações de seis e sete de junho, no terceiro grande protesto, realizado no dia 11, uma multidão ocupou as ruas da cidade e, de forma corajosa, protagonizou diversos confrontos com a polícia. Segundo os organizadores, cerca de 12 mil pessoas participaram da manifestação. Um imenso aparato policial com 400 soldados foi enviado para reprimir a passeata com bombas e tiros de balas de borracha. Os manifestantes responderam à repressão policial com pedras, paus e barricadas em chamas. Agências bancárias, grandes lojas, uma estação do metrô e mais de 80 ônibus foram quebrados e pichados. Uma cabine policial foi incendiada e oito policiais ficaram feridos. As ruas da capital paulista se tornaram uma praça de combate da juventude.

Pelo menos 20 pessoas foram presas, segundo a Secretaria da Segurança Pública, 18 delas foram levadas ao 78º Distrito Policial, nos Jardins, e duas para o 1º DP, na Liberdade. Numa tentativa de intimidar os manifestantes, a fiança foi arbitrada no valor absurdo de R$ 20 mil para cada um dos presos.

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Dois dias depois, 13 de junho, nova rebelião popular. Antes mesmo do início da quarta manifestação contra o aumento, a polícia já estava prendendo e agredindo manifestantes. Fontes oficiais afirmam que 232 pessoas foram presas, 198 delas levadas ao 78º Distrito Policial e 34 ao 1º DP. Quatro manifestantes foram mantidos presos sob as absurdas acusações de "dano ao patrimônio público" e "formação de quadrilha", um crime inafiançável. Cerca de 12 policiais ficaram feridos durante os protestos.

Giuliana Vallone, repórter do jornal Folha de S. Paulo – que um dia antes havia cobrado ações enérgicas contra os manifestantes – ficou gravemente ferida ao ser atingida no olho quando registrava a ação da PM. Ela denunciou ter visto o policial militar mirar em sua direção antes de atirar. A professora Maria Carvalho também foi atingida por uma bala de borracha no rosto ao sair da igreja da Consolação. Há um flagrante em vídeo de policiais atirando em apartamento no sétimo andar onde os moradores filmavam o protesto. Em outro momento, um policial foi flagrado quebrando o vidro de uma viatura para poder justificar a violência desencadeada contra os manifestantes.

O fotógrafo Sérgio Silva, da agência Futura Press, foi atingido por uma bala de borracha no olho. Ele foi internado no hospital Nove de Julho e mesmo após receber alta corre risco de perder a visão do olho esquerdo. No dia 17, milhares cercaram o Palácio dos Bandeirantes e, no dia seguinte, 18 (dia de fechamento desta edição), uma nova manifestação estava sendo realizada.

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Cidade rebelada

Colaboração de Rodolfo Souza

A noite de 13 de junho foi marcada pela violência no 4º grande ato contra o aumento da passagem em São Paulo. Mais de 12 mil pessoas estavam presentes para exigir a revogação o abusivo aumento da passagem do transporte público.

Esse ato é totalmente legítimo. É um absurdo a situação degradada do ônibus, metrô e trem; a grande imprensa nos chama de vândalos, mas vandalismo é a condição humilhante que os trabalhadores enfrentam nesses transportes; isto nos dá todo o direito de protestar ― coloca Rosana Freitas; que participou das quatro manifestações realizadas.

Acossado por sua própria crise e pela ameaça de um processo acelerado de elevação da consciência política dos jovens, o Estado recorre ao sangue e ao fogo.

Vendo o que está ocorrendo ao meu redor, me pergunto se isto não é semelhante a uma política fascista. Mas, se não é, está no caminho; já que presenciamos em todo lugar repressão e pavor, imposto pelo poder das armas, e claro, pela corrupção financeira de enriquecimento de alguns― argumenta Irineu Soares, que tentava chegar em casa, mas era impedido pelas bombas e pelo spray de pimenta.

O Movimento Passe Livre de São Paulo e outras organizações informaram que não irão interromper os atos e que já estava programada uma nova manifestação para a próxima semana.


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