Chile: "somos Brasil, somos Turquia, somos rebeldia"

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Estudantes chilenos estão permanentemente mobilizados em favor da educação pública e gratuita. No último dia 26 de junho, a marcha nacional de estudantes e trabalhadores pela educação movimentou o país. Além disso, dezenas de escolas secundaristas continuam ocupadas pelos estudantes.

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Em dois de julho, estudantes ergueram barricadas e fecharam o trânsito de diversas ruas da capital e da região metropolitana de Santiago. Eles protestavam contra a violência policial dirigida aos manifestantes durante a marcha do dia 26 e no processo de reocupação das escolas secundaristas. Gás lacrimogêneo e jatos d’água foram usados para dispersar os manifestantes.

Na mesma data, estudantes também protestaram em Valparaíso, a cem quilômetros da capital, por educação pública e gratuita e foram igualmente reprimidos pela polícia local.

Greve nacional

Estudantes e trabalhadores chilenos convocaram uma greve nacional pela educação púbica no último dia 26 de junho. A convocatória foi feita pelas confederações de estudantes secundaristas e universitários, pelo sindicato nacional de professores, de trabalhadores portuários e dos trabalhadores do cobre.

Em Santiago, capital do país, a marcha reuniu mais de cem mil pessoas, entre trabalhadores, estudantes e famílias inteiras, segundo a Radio Bío-Bío, que exigiam a recuperação dos recursos naturais, fim das administradoras de fundos de pensões e educação gratuita.

A marcha percorreu as principais avenidas da cidade com muita música, intervenções artísticas e palavras de ordem. Os estudantes levam cartazes em referência à luta no Brasil e na Turquia: "Somos Brasil, somos Turquia, somos rebeldia".

No fim da manifestação, vândalos, mais conhecidos como carabineros no Chile ou policiais no Brasil, irromperam contra os manifestantes com carros lança-água e lança-gases. Várias pessoas ficaram feridas e 122 foram presas.

As mobilizações estudantis no Chile voltaram com força desde maio deste ano. Os estudantes protagonizaram diversos enfrentamentos com o aparato repressor do velho Estado chileno por todo o país.

Valparaíso

Em Valparaíso, mais de seis mil pessoas participaram da marcha nacional. A manifestação ocorria pacificamente, mas no final houve enfrentamento entre a polícia e os manifestantes. Vinte e dois foram presos, dentre eles, quatro menores de idade.

Temuco

Em Temuco, a 700 km de Santiago, a marcha levou mais de mil estudantes às ruas. Depois de percorrer o Centro da cidade, eles se uniram à marcha operária que foi realizada no mesmo dia.

Por volta das 15h30min, quando a marcha fechou o trânsito de uma avenida da cidade e tentou ocupar a Universidade Católica de Temuco, os carabineros avançaram contra os manifestantes, prendendo oito estudantes, a maioria secundaristas.

A perseguição policial continuou no campus da Universidad de La Frontera, a principal da cidade, com carros lança-água e lança-gás. Dois estudantes secundaristas e um universitário foram presos. A universidade ficou encoberta por uma nuvem de gás lacrimogêneo deixado pela repressão policial.

Calama

Em Calama, norte do país, durante a madrugada do dia 26, foram erguidas barricadas em diversos pontos e os acessos à cidade foram bloqueados pelos manifestantes. Os trabalhadores dos transportes aderiram ao protesto em sua totalidade, assim como o setor da educação e saúde.

A cidade vive um estado de mobilização permanente, exigindo que os recursos com a extração do cobre sejam investidos no local. As manifestações tiveram, inclusive, o apoio do prefeito da cidade.

A manifestação foi especialmente combativa e contou com amplo apoio popular. A população contestou duramente o governo de Sebastián Piñera e suas políticas econômicas.

Reocupação de escolas

A Coordenadora de Estudantes Secundaristas (CES) do Chile convocou, em primeiro de julho, os estudantes a retomarem todas as escolas das quais haviam sido expulsos pelos carabineros.

A desocupação de dezenas de escolas foi ordenada diretamente pelo ministro da educação, Andrés Chadwik, no último 25 de junho. Segundo ele, os estudantes estariam impedindo a realização das eleições primárias no país, que foi realizada no último dia 30 de junho.

Na madrugada do dia 27, os carabineros ingressaram à força em cerca de 30 escolas que permaneciam ocupadas pelos estudantes. Mais de cem ficaram feridos nos enfrentamentos.

Durante a Assembleia realizada em 1º de julho, os estudantes afirmaram que irão ampliar o número de escolas tomadas.

Até o fechamento desta edição, segundo a CES, 13 escolas já haviam sido retomadas em Santiago. Na primeira escola a ser retomada, o Liceo Alessandri de Providencia, o presidente do grêmio estudantil avisou "Este é o primeiro, mas depois virão muito mais".  


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