Egito: presidente cai após protestos

Mohamed Mursi, presidente do Egito entre 2012 e 2013 foi deposto no último dia três de julho, após protestos multitudinários em todo o país. Agora, os conflitos entre o exército, partidários e anti-Mursi continuam e têm deixado mortos e feridos em todo o Egito.

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Apesar da queda de Mohamed Mursi, em 03 de julho, os protestos continuam radicalizados em todo o país

Em três de julho, após dar um ultimatum ao presidente Mohamed Mursi para que deixasse o governo em 48h, o chefe das Forças Armadas egípcias, Abdel Fatah al Sisi, anunciou a deposição oficial do presidente.

Mursi foi preso, a Constituição suspendida, o Parlamento dissolvido e mais de 300 pessoas estão sendo procuradas pela justiça. O chefe da suprema corte constitucional, Adly Mansou, assumiu como presidente interino do país.

Com a deposição de Mursi, o conflito que já estava alastrado pelo país, tornou-se ainda mais violento. No dia oito de julho, pelo menos 42 pessoas morreram e mais de 400 ficaram feridas, após confrontos entre as forças leais a Mursi e o exército. Até o fechamento desta edição de AND, o exército afirmava que as mortes haviam sido consequência de um atentado terrorista, mas o Partido Justiça e Liberdade – do qual Mursi faz parte – denunciou que o exército abriu fogo contra os manifestantes pró-Mursi.

Em 05 de julho já haviam sido contabilizados 12 mortes após confrontos entre o exército egípcio e simpatizantes de Mursi que se aproximavam do quartel general onde o ex-presidente estaria preso.

No mesmo dia, o Tamarod (rebelião, em árabe) – que liderou os protestos da semana anterior – pediu que os manifestantes saíssem às ruas para impedir a volta de Mursi. Os conflitos violentos têm sido registrados em todo o país.

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Nas ruas!

Os primeiros protestos começaram em 21 de junho e foram aumentando dia após dia. O Tamarod, que liderou as mobilizações, convocou uma grande manifestação para o dia 30 de junho, quando Morsi completaria um ano de governo.

No dia 28, manifestantes pró e contra Morsi se enfrentaram nas ruas do Cairo. Desde essa data, o Egito começou a sentir novamente os ventos rebeldes e a agitação foi crescendo.

No dia 30, a Praça Tahrir, no Cairo, foi tomada por 17 milhões de manifestantes. O Egito tem cerca de 82 milhões de habitantes.

Os manifestantes afirmavam que o Egito precisava de uma revolução e que o governo de Morsi, que é do Partido Liberdade e Justiça, braço político da Irmandade Muçulmana, só governa a favor dos islamitas e deixou a economia egípcia afundar.

O local escolhido para os protestos é o mesmo cenário das grandes manifestações que levaram à queda de Hosmi Mubarak, em 2011, no que ficou conhecido como "primavera árabe". Os manifestantes levaram bandeiras e bradaram "Fora Morsi".

As manifestações foram radicalizadas na capital, nas cidades de Alexandria e em Beni Suef. Segundo o Ministério da Saúde, houve mortes em Cairo, Beni Suef, Kafr al Sheikn, Fayum e Alexandria.

Conflitos entre militantes pró e contrários ao presidente ocorreram em Beni Suef em 01 de julho. Os manifestantes contrários ao governo atearam fogo à sede do Partido Justiça e Liberdade, segundo a agência de notícias Mena.

No mesmo dia, a sede da Irmandade Muçulmana, no Cairo, foi incendiada. Os manifestantes ocuparam o local e lançaram os móveis pelas janelas.

Ultimatum

No dia 01 de julho, os manifestantes publicaram um comunicado:

"Damos a Mohamed Morsi o prazo de até terça-feira, dois de julho, às 12h, para deixar o poder e permitir às instituições estatais preparar uma eleição presidencial antecipada. Se Morsi não renunciar, iniciaremos uma campanha de desobediência civil total".

O Tamarod, que é apoiado por diversos movimentos de oposição laica, liberal e de esquerda, conseguiu reunir 22 milhões de assinaturas numa petição por eleições presidenciais antecipadas.

O governo de Morsi começou a desmoronar na segunda, 01 de julho. Neste dia, quatro ministros pediram demissão: os ministros do turismo, meio-ambiente, comunicações e assuntos jurídicos.


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