Firme apoio internacional ao povo brasileiro

A- A A+
 

Na segunda quinzena de junho, as manifestações internacionais em apoio aos protestos no Brasil prosseguiram, bem como a repercussão nos meios de comunicação de diversos países. Todo o planeta acompanhou as notícias da luta do povo brasileiro por mais direitos, contra a repressão policial, por saúde, educação, melhores condições de vida e contra os gastos bilionários nos megaeventos da grande burguesia: Copa das Confederações, do Mundo e Olimpíadas.

http://www.anovademocracia.com.br/113/14.jpg
Brasileiros protestam em frente a sede do consulado do Brasil, em Lisboa, Portugal, no dia 18 de junho

Na última edição de AND havíamos divulgado as manifestações de apoio em cidades importantes como Dublin (Irlanda), Nova Iorque (USA) e Londres (Inglaterra). Longe de terminarem, as manifestações de apoio vindas dos cinco continentes prosseguiram.

Em 18 de junho, cerca de 500 pessoas se manifestaram em Buenos Aires, capital da Argentina. Com cartazes e palavras de ordem, eles fecharam a Avenida 9 de Julho, uma das principais da cidade, e seguiram caminhada até a Embaixada do Brasil, onde foi entregue uma carta ao ministro conselheiro Julio Bitelli.

Um trecho do documento condenou a repressão policial, destacando que "Essa violência foi marcada pelo uso abusivo das armas 'não-letais'…  A repressão, somada à negligência do Estado, teve o efeito de fortalecer o movimento, que tomou proporções inimagináveis e hoje transcende as fronteiras nacionais".

No mesmo dia, centenas de brasileiros que residem em Lisboa, capital de Portugal, se reuniram em frente do consulado brasileiro na Praça Luís de Camões, localizada na zona turística. Os manifestantes criticaram o preço das tarifas do transporte público e o gasto excessivo de dinheiro público nos estádios para a Copa do Mundo, além de exigirem mais verbas para a educação e saúde. Mais de 10 mil brasileiros moram na capital portuguesa. Também em Londres, Barcelona e Copenhagen o dia foi marcado por mobilizações.

No dia 20, pelo menos 300 pessoas se reuniram em Frankfurt, na Alemanha, e realizaram uma marcha de dois quilômetros até o consulado brasileiro. Quatro dias antes, 16, um ato com 400 pessoas já havia ocorrido em Berlim.

No dia 21, a comunidade brasileira em Roma, capital da Itália, se manifestou no Coliseu. Além de brasileiros que vivem no país, alguns que estavam fazendo turismo também marcaram presença. "Estamos distantes, mas não inoperantes" foi a palavra de ordem dos manifestantes.

Já em 27 de junho, estudantes da cidade de Nápoles, também na Itália, ocuparam, por alguns minutos, a sede do consulado brasileiro. Além do apoio às manifestações, eles pediram melhorias nos serviços públicos prestados à população brasileira. Uma faixa com a inscrição 'Somos todos revolucionários' foi colocada em uma janela do edifício.

Em nota pública, membros dos movimentos 'Laboratório Ocupado Insurgência' e 'Mezzocannone Occupato', que tiveram participação no protesto, afirmaram ser "solidários ao povo brasileiro, que saiu às ruas pedindo modelos de desenvolvimento diferentes e investimentos em hospitais, escolas e serviços sociais... O protesto dos brasileiros vem de longe e agora há uma revolta contra a gestão do Mundial de 2014, caracterizada por especulação, devastação ambiental e, sobretudo, enormes quantidades de dinheiro que são investidas [na Copa] e não nos serviços sociais".

Os protestos que vêm ocorrendo em nosso país também serviram de inspiração para outros povos. No dia 27 de junho os trabalhadores portugueses realizaram uma greve geral. Um dos organizadores dos protestos deu a seguinte declaração: "O que se passa no Brasil nos dá mais ânimo, nos dá mais incentivo e também foi um fator mobilizador para a greve geral que hoje realizamos".  Uma grande manifestação também ocorreu no México, no dia 1º de julho, em apoio aos protestos no Brasil e na Turquia.

A maioria desses atos foi convocada pelas redes sociais na internet. Milhares de pessoas confirmaram presença nos eventos dos protestos que foram realizados em pelo menos 73 cidades de 23 países diferentes.

Na última semana de junho e início de julho, diversos jornais internacionais publicaram reportagens, vídeos e fotos das gigantescas manifestações e dos confrontos que tomaram as ruas do país e reuniram mais de um milhão de pessoas em centenas de cidades brasileiras.

Conteúdo exclusivo para assinantes do jornal A Nova Democracia

A repercussão

Obviamente, o monopólio internacional dos meios de comunicação fez coro com a imprensa reacionária brasileira e se colocou "preocupado" com os atos de "vandalismo", com o "prosseguimento da Copa das Confederações" e com "a futura realização da Copa do Mundo em 2014". Tamanha foi a violência da polícia semicolonial brasileira, que nem os jornais internacionais do monopólio (coniventes com os crimes imperialistas ao redor do mundo) puderam deixar de noticiar as prisões arbitrárias e os manifestantes e jornalistas feridos por bombas e balas de borracha. Jornalistas de vários países vieram para o Brasil.

"O Japão foi tomado pela surpresa por causa das manifestações. A mídia japonesa vem comparando o que vem acontecendo no Brasil com a Primavera Árabe", disse Shuichiro Haraguchi, repórter da NHK, em declaração a Henrique Almeida, do Jornal do Brasil.

Diferente do monopólio espúrio, na internet diversos sites e blogs independentes, bem como órgãos populares internacionais de imprensa, manifestaram apoio e acompanharam os acontecimentos no Brasil. Alguns deles traduziram e divulgaram amplamente artigos lançados por organizações populares brasileiras. Os vídeos feitos por A Nova Democracia também foram compartilhados por páginas de diversos países, inclusive pela CNN.

TV argentina ridiculariza Rede Globo

Também fizeram "sucesso" no país os comentários de Arnaldo Jabor na Rede Globo. Aquele Arnaldo que um dia afirmou que os "revoltosos de classe média não valiam 20 centavos", apenas 48 horas depois "mudou de ideia" e "exaltou" que os "jovens despertaram porque ninguém aguenta mais ver a república paralisada por interesses partidários ou privados". Já era tarde, pois, como diz a voz das ruas, "o povo não é bobo".

Jabor e a Globo foram ridicularizados pelo programa de uma TV argentina chamado 'Bajada de Línea', o primeiro pela sua 'rápida mudança de opinião' e a segunda pelo repúdio das massas em várias manifestações pelo país: http://www.youtube.com/watch?v=aS7LmKld_mE.

"No, I'm not going to the world cup"

A jovem brasileira Carla Toledo Dauden, que vive no USA, fez um ótimo vídeo chamado 'No, I'm not going to the world cup' (Não, eu não vou para a Copa do Mundo) em que mostra para o planeta as calamidades que o povo brasileiro sofre com a negligência do Estado e critica os gastos com os megaeventos, agravados pelas remoções arbitrárias, a militarização dos bairros pobres e outras mazelas. O vídeo, que utiliza imagens de A Nova Democracia e já tem mais de 3 milhões de acessos, pode ser visto no link: www.youtube.com/watch?v=ZApBgNQgKPU&fb_source=message.

Organizações enviam saudações

Cartas e mensagens de apoio de organizações internacionalistas e revolucionárias também foram divulgadas na internet em blogs internacionalistas como o 'Dazibao Rojo' e o 'Odio de Clase'.

Trechos da nota assinada pelo Comitê de Construção do Partido Comunista maoísta da Galiza (no Estado espanhol) assinalaram que "A revolta popular no Brasil contra os preços das passagens torna-se dia a dia uma clara revolta contra o sistema capitalista e sua falsa democracia.

Enquanto milhões de trabalhadores e trabalhadoras são oprimidos e marginalizados, a burguesia brasileira gasta, em uma orgia de corrupção e esbanjamento, bilhões em estruturas esportivas carentes de toda a utilidade para o povo.

A FIFA e outros organismos imperialistas têm ordenado a seus lacaios da burguesia brasileira esconder a pobreza e a marginalidade, por meio de operações militares e por trás de uma campanha midiática de desenvolvimento e bem-estar e assim facilitar seus negócios, que para o povo são pão para agora e fome para amanhã...

O Comitê de Construção do Partido Comunista maoísta - Galiza mostra a sua solidariedade internacionalista com as massas populares do Brasil, com as suas organizações de classe e revolucionárias e faz um enérgico chamado ao nosso povo e a suas organizações políticas, sindicais e sociais a denunciar a repressão contra o irmão povo brasileiro."

Manifestantes da cidade de Cairo, no Egito, onde atualmente vem ocorrendo as maiores manifestações da história da humanidade, também enviaram uma carta aos manifestantes brasileiros intitulada "Nós podemos cheirar o gás lacrimogêneo do Rio e Taskim até Tahrir", assinada pelo coletivo 'Camaradas do Cairo'.

O trecho final da nota diz: "Nenhum de nós está lutando sozinho. Nós confrontamos inimigos em comum no Bahrain, Brasil, e Bosnia, Chile, Palestina, Síria, Turquia, Curdistão, Tunisia, Sudão, Sahara ocidental e Egito. E a lista continua. Em todo lugar nos chamam de vândalos, saqueadores e terroristas. Nós estamos lutando mais do que a exploração econômica, a crua violência policial, ou um sistema legal ilegítimo. Não são direitos ou uma cidadania reformada por que lutamos. Nós nos opomos às nações-estado como uma ferramenta centralizada de repressão, que permitem uma elite local sugar a nossa vida e poderes globais reterem seu domínio sobre nosso dia-a-dia. Os dois trabalham como um, com balas e transmissões e tudo entre eles. Nós não estamos advogando por unir ou igualar nossas várias batalhas, mas é contra a mesma estrutura de autoridade e poder que temos que lutar, desmantelar e derrubar. Juntos, nossa luta é mais forte".


Edição impressa

A imprensa democrática e popular depende do seu apoio

Leia, divulgue e conheça. Deixe seu nome e e-mail para se manter informado
Please wait

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Rua Gal. Almério de Moura 302/4º andar
São Cristóvão - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303
E-mail: anovademocracia@gmail.com

Comitê de apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

PUBLICIDADE

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro
Tel.: (11) 3104-8537
Reuniões semanais de apoiadores
toda segunda-feira, às 18:45

Seja um apoiador você também!
#
#
#

ONDE ENCONTRAR

Expediente

Diretor Geral 
Fausto Arruda

Editor-chefe 
Mário Lúcio de Paula
Jornalista Profissional
14332/MG

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas
Fausto Arruda
José Maria Oliveira
José Ramos Tinhorão 
José Ricardo Prieto
Henrique Júdice
Hugo RC Souza
Mário Lúcio de Paula
Matheus Magioli
Montezuma Cruz
Paulo Amaral 
Rosana Bond
Sebastião Rodrigues
Vera Malaguti Batista

Redação 
Ellan Lustosa
Mário Lúcio de Paula
Patrick Granja