Final da Copa das Confederações é marcada por violentos protestos

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Eram 7h da manhã, quando 11 mil homens das tropas de repressão do velho Estado chegaram ao estádio Maracanã para fazer o policiamento durante a final da Copa das Confederações, entre Brasil e Espanha. Moradores da região nunca haviam visto tamanho contingente de policiais militares do Bope, batalhão de choque, exército, força nacional e guarda municipal. Tudo para realizar um novo massacre de manifestantes, algo que a PM do Rio gosta de realizar com especial zelo.

Às 10h da manhã, um grupo dirigido por sindicatos, organizações e partidos oportunistas caminhou da Praça Saens Peña, na Tijuca, até a Praça Afonso Pena, no mesmo bairro.

Importante destacar que PSOL, PSTU e quejandos fingiram aceitar a deliberação da plenária do Fórum de Luta Contra o Aumento das Passagens, em 25 de junho, que aprovou a proposta dessas siglas para uma manifestação de manhã, desde que se comprometessem a mobilizar as pessoas para o segundo protesto, à tarde. Porém, assim como na manifestação de 27 de junho, esses renegados traíram vergonhosamente os demais manifestantes, desmobilizando seus militantes. A massa, entretanto, afluiu em maior número ao protesto da tarde, tornando este ato significativamente maior e mais representativo dos anseios populares.

Horas mais tarde, outro grupo se concentrou também na Praça Saens Peña para um ato, esse sim, rumo ao Maracanã, não importasse o custo da ousadia de se aproximar do palco da milionária final da Copa das Confederações. A manifestação reuniu cerca de dez mil pessoas e recebeu saudações por onde passou, de pessoas caminhando pela rua, moradores da região que acenavam de suas janelas e piscavam as luzes de seus apartamentos.

Repórteres da facção dominante dos meios de comunicação tentaram se aproximar e, diferente do que ocorreu no ato das 10h, manifestantes partiram para cima dos 'urubus' e os forçaram a deixar o local sob escolta da PM. Um manifestante chegou a ser detido, mas foi liberado sob os gritos da massa: "solta, solta!".

A cerca de cem metros do estádio, manifestantes se depararam com uma barreira formada por mais de mil policiais, tropa de choque, "caveirão" [nome dado ao blindado assassino de pobres nas favelas da PM no Rio], cães, agentes da força nacional de segurança de Dilma Roussef, Bope, um verdadeiro esquema de guerra montado pelos gerentes de turno que têm ido frequentemente à televisão dizer que "as manifestações têm que ser pacíficas e ordeiras".

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A massa não se intimidou e se concentrou em frente à tropa da PM, entoando palavras de ordem como: "Não vai ter copa!", "Chega de chacina, polícia assassina", "Fora Cabral", etc.

Minutos antes do início da partida dentro do estádio, como se houvesse hora marcada para dissolver o protesto, a PM atacou covardemente. Bombas de gás e balas de borracha foram atiradas contra os manifestantes que resistiram com pedras, rojões e coquetéis molotov. Um desses artefatos acertou um policial que teve a perna queimada. Após o primeiro ataque da polícia, o que se viu foi uma grande caçada aos grupos de manifestantes que se dispersavam pelas ruas vizinhas. Em diversos momentos manifestantes ficaram encurralados em ruas estreitas, sendo atacados com balas de borracha e bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo. Policiais passaram a atacar quem estivesse na rua indiscriminadamente. Um professor da rede estadual foi atingido no rosto por um tiro de bala de borracha.

Nós estávamos protestando pacificamente. Só queríamos passagem e eles começaram a atirar bombas na gente. Olha o meu rosto. Eu sou professor e esse é o tratamento que eu recebo do governo do estado — disse o trabalhador sangrando muito e limpando o ferimento com uma camisa com os dizeres "Respeito à educação".

Ninguém estava fazendo nada. Nós estávamos na nossa. Só queríamos passar e eles nos atacaram. É isso que vocês têm que filmar. Porque quebrar as coisas pela cidade não é nada. Vandalismo é isso que eles fazem com a gente — disse um estudante.

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Inúmeras denúncias e imagens dão conta de policiais atirando com pistola para o alto ou portando paus com pregos. Além disso, a polícia iniciou o ataque próximo a dois postos de gasolina, colocando em risco a vida dos manifestantes e moradores da região.

Na Rua São Francisco Xavier, próxima ao Maracanã, uma vila residencial foi cercada por centenas de policiais, após alguns de seus moradores acolherem manifestantes. Além dos residentes, a repressão desrespeitou advogados que acompanhavam a ação, adentraram nas casas e revistaram as pessoas arbitrariamente. Durante muito tempo, helicópteros da polícia dirigiam holofotes aos pequenos grupos de manifestantes que voltavam para casa.

Ao final do jogo, apesar do Brasil ter vencido a Espanha, o clima do lado de fora não era de festa. Torcedores e jogadores sentiram efeitos do gás dentro do estádio e moradores da região ficaram intoxicados. Há imagens de pelo menos quatro prédios atingidos pelos policiais, um deles numa área de lazer onde crianças assistiam ao jogo com seus pais. Manifestantes que tentaram chegar ao metrô foram atacados covardemente por PMs. A Rede Globo disse em sua reportagem no dia seguinte que "manifestantes insistiram em atacar PMs". Porém, imagens registradas pela equipe de AND mostram que o grupo, que tinha cerca de 200 pessoas, só queria chegar ao metrô quando policiais, sem mais nem menos, começaram a atirar e jogar bombas. Na ocasião, nenhum manifestante foi preso. Nove pessoas e quatro policiais ficaram feridos.

Os vídeos feitos por AND com imagens da manifestação podem ser vistos no blog da redação do jornal: anovademocracia.com.br/blog.


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