Em SC o povo avisou: amanhã será maior!

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Em 2004, quando estourou em Florianópolis a mais impactante manifestação no país pela tarifa zero dos ônibus, o povo bradou nas ruas, durante uma semana: "Amanhã vai ser maior."

E realmente foi!

Tanto no ano seguinte, com um mês de mobilizações na capital catarinense convocadas pelo Movimento Passe Livre (com a vitoriosa anulação do aumento da passagem), quanto agora neste vibrante junho de 2013.

O mês começou escuro no estado, envolvido pelas trevas do reacionarismo de fazendeiros articulados em passeatas por diversas cidades, contra a demarcação de terras indígenas e exigindo uma absurda CPI da Funai.

Mas quatro dias depois, 18 de junho, eis que surge a luminosa presença do povo catarinense rebelado, tomando praças, avenidas, terminais de ônibus, espaços que não mais deixou até o fechamento desta edição de AND.

A partir do dia 18, os protestos contra as tarifas e a péssima qualidade do transporte público, contra a PEC 37 (que restringia as investigações do Ministério Público à corrupção e outros desmandos, agora já rejeitada pela Câmara Federal devido à pressão popular), e contra ainda a gastança com as Copas da FIFA (enquanto a educação e a saúde, em comparação relativa, ganham centavos), espalharam-se por Santa Catarina.

Numa estatística aproximada, as manifestações ocorreram em cerca de 15 cidades, reunindo um total de 200 mil pessoas.

Numa imagem emocionante, nada menos que 12 ou 15 mil rebelados tomaram integralmente as pontes Colombo Salles e Pedro Ivo (que ligam a ilha de Florianópolis ao continente). O ato foi uma questão de honra, digamos. Pois a população não esqueceu que, anos atrás, a polícia covarde espancou manifestantes para impedir que entrassem nas pontes. Desta vez os agressores toparam com uma nova realidade: O povo é quem mais ordena!

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Os mafiosos

Conforme os trabalhadores dos ônibus, o sistema empresarial do transporte coletivo em Florianópolis é um monopólio e uma "máfia".

"Não é por acaso que o transporte público tem sido um dos principais estopins das lutas populares na cidade", diz o sindicato, num sítio da internet.

Cinco empresas exploram o sistema há cerca de 30 anos. Com prazo de concessão vencido desde 2009, elas operam hoje sob um contrato de emergência. Recentemente os vereadores debateram uma nova licitação e, na cara-dura, cogitaram que o regime concessionário poderá chegar a até ... 70 anos!

Um modelo de transporte "integrado" foi implantando anos atrás pela gerente municipal Ângela Amin (PP) e gerou muitos protestos da população. Baseado numa incômoda e equivocada baldeação de passageiros, em terminais instalados em regiões da cidade, esse sistema (des)integrado, provocou o aumento da tarifa.

Quanto aos terminais, eles foram construídos em terrenos doados pela Prefeitura e a verba veio do BNDES. A farra com o dinheiro público foi tão grande que alguns estão sem uso até hoje, como o do Saco dos Limões, Capoeiras e Jardim Atlântico. Milhões de reais (do povo) jogados fora!

Quem se beneficiou foram as próprias empresas de ônibus, pois a COTISA, empresa que administra os terminais, pertence a quatro delas e a uma construtora.

Assim, cada vez que um ônibus entra num terminal as empresas pagam para elas mesmas uma taxa de utilização. Essa taxa, cobrada pelo uso de obras feitas com dinheiro público, faz parte do cálculo da tarifa que todos os passageiros florianopolitanos pagam.

Como se fosse piada de mau gosto, a COTISA também monopoliza os dados do transporte coletivo e toda vez que se deseja ter acesso a informações econômico-financeiras do setor é para essa empresa que se precisa pedir.

O ex-gerente Dário Berger (PMDB), em sua campanha eleitoral de 2004, prometeu investigar as condições reais do transporte na capital catarinense, que eram escondidas pelos empresários com a cumplicidade da Prefeitura e Câmara de Vereadores. Foi eleito e nada fez. Seria por que, como todos sabem, o próprio Berger é um empresário do setor?

Para se ter uma idéia do tamanho da exploração dos mafiosos dos transportes sobre o povo de Florianópolis, basta saber que nos últimos 18 anos (1994-2012), a tarifa teve um reajuste de 800%, enquanto que o IPCA (índice oficial de inflação no país) foi de 306,25%.

Florianópolis: catraca livre!

Em quatro de julho, centenas de manifestantes ocuparam a sede do Sindicato das Empresas de Transporte Urbano de Passageiros da Grande Florianópolis (Setuf) e fizeram dois períodos de "catracaço" junto com os trabalhadores, que utilizaram os transportes sem pagar no Terminal de Integração do Centro (Ticen).


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