Norte de Minas: camponeses resistem a ordens de despejo

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Camponeses do Norte de Minas bloquearam a rodovia MG-422 no município de Verdelândia

Centenas de camponeses, lideranças e associações camponesas sob a bandeira da Liga dos Camponeses Pobres do Norte de Minas e Bahia bloquearam a rodovia MG 422, em um combativo protesto realizado no dia 15 de julho. Uma barricada montada com paus e pedras fechou a rodovia por mais de duas horas na altura do município de Verdelândia, antiga Cachoeirinha, no Norte de Minas.

Os camponeses exigiam a suspensão das absurdas ordens de reintegração de posse emitidas pelo juiz da Vara Agrária de MG, Octávio de Almeida Neves, contra centenas de famílias que vivem e trabalham há mais de uma década na região, ignorando completamente a realidade dessas áreas e o histórico de mais de 50 anos de conflitos que envolvem posseiros e seus descendentes versus grileiros latifundiários e pistoleiros.

Uma das decisões mais gritantes da Vara Agrária tomada recentemente é a reintegração de posse contra as famílias da comunidade "Vitória" (Fazenda Ypiranga) em Cachoeirinha, onde famílias camponesas vivem e produzem há mais de 12 anos em lotes individuais que foram cercados, em suas casas de alvenaria construídas com recursos próprios, água, luz, produção agrícola, criação de animais, onde construíram estradas, escola, sonhos e esperanças. Um lugar onde não havia nada além da ressequida vegetação, chamada de "carrasco" pelos moradores da região, miséria e opressão se tornou, pelas mãos camponesas, um símbolo da resistência sertaneja contra os bandos de pistoleiros, que a soldo dos latifundiários roubam, perseguem, ameaçam e assassinam à luz do dia.

Essa mesma área recebeu em 2009 o título da terra, emitido pelo ITER – Instituto de Terras do Estado de Minas Gerais, o que torna essa decisão de reintegração de posse (com o prazo de 15 dias para ser cumprida) ainda mais absurda e descabida.  

"Vitória", como é conhecida a área, foi a retomada de uma das fazendas como símbolo da resistência dos posseiros da década de 1960 que repercutiu em todo o Brasil, sendo tema de diversos estudos e pesquisas acadêmicas até hoje. O Coronel da PM Georgino Jorge de Souza (o mesmo que comandou a invasão da Universidade de Brasília, em 1964, no golpe civil-militar fascista) comandou um dos episódios mais brutais de repressão a camponeses em 1967 naquelas terras. Na ocasião, dezenas de camponeses que resistiram, foram presos, torturados e vários foram covardemente assassinados durante a resistência. 64 crianças morreram de frio, fome e sarampo perdidas no mato quando suas mães ao tentar defendê-las das tropas policiais e pistoleiros encabeçaram uma heroica resistência.

A retomada dessa fazenda foi decidida pelo Congresso de Fundação da LCP do Norte de Minas, como um acerto de contas histórico das famílias que foram expulsas de suas terras no período do regime militar.

O protesto contra as reintegrações expressou o repúdio à política da gerência Dilma (PT) de criminalização e expulsão violenta dos camponeses de suas terras, tanto pelas reintegrações de posse dadas em tempo recordes a favor dos latifundiários, como também a favor do próprio Incra em áreas de "assentamento" segundo critérios burocráticos. Manipulam dados sobre quantidade de "famílias assentadas" (como se vê esse número não se baseia na criação de novos "assentamentos") e através de políticas ditas "ambientais", que perseguem este fim (expulsão) através de ações que vão desde multas escorchantes aos camponeses até impedimento de 100% do uso de suas terras por alegações ambientais, segundo a obtusa nova lei da "mata seca" que considera a vegetação da Serra Geral como parte do bioma da Mata Atlântica.

A manifestação dos camponeses também ergueu as bandeiras das jornadas de luta de junho em todo o país. As faixas de "Abaixo o Estado fascista e seus gerentes antipovo e vende-pátria!", "Viva a Revolução de Nova Democracia!", todas assinadas pela Frente Revolucionária de Defesa dos Direitos do Povo, somaram-se as de "Morte ao latifúndio!", "Viva a Revolução Agrária!", "Abaixo a perseguição ambiental!", assinadas pela LCP. A juventude camponesa também ergueu faixas com os dizeres: "Viva a Heroica Resistência de Cachoeirinha", "Fora Inimigos do Povo! Viva a juventude!".

Esta terra é nossa!

Toda a cidade parou. O protesto foi aplaudido pela juventude e por antigos moradores que lutaram nas batalhas históricas das décadas de 1960 e 1980.

Altivos, os camponeses percorreram a cidade permitindo apenas a passagem de ambulâncias. Já era noite quando decidiram encerrar a manifestação. Os camponeses seguem mobilizados e prometem prosseguir com novas manifestações.

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Agitação Revolucionária junto ao movimento Hip-Hop

Enviado por MEPR

Ativistas do Movimento Estudantil Popular Revolucionário – MEPR e da Liga Operária, junto aos integrantes do grupo Hip-Hop Atitude, realizaram grande agitação revolucionária na vila Alice, bairro Eldorado, Montes Claros. 

Vários MC`s de inúmeros grupos de rap da cidade, apoiadores do movimento popular e do movimento camponês combativo na região: Chambinho MC do Contos do Gueto, Douglas MC do Sistema Periférico e Dão MC, Byggyly e MC Madrugadão do Hip-Hop Atitude, além de alunas das oficinas realizadas pelo movimento hip-hop da cidade, fizeram um ensaio aberto através  do qual foi divulgado o jornal A Nova Democracia e distribuídos dezenas de manifestos  "O Brasil precisa é de uma Grande Revolução" da Frente Revolucionária de Defesa dos Direitos do Povo – FRDDP.

A agitação foi muito bem aceita pela comunidade, particularmente os jovens, que denunciaram a violência policial nas periferias de Montes Claros e o descaso com a saúde, educação e transporte públicos. Várias pessoas se somaram à campanha pelo boicote a farsa das eleições burguesas e pediram apoio para a realização de manifestações na comunidade.

Participamos também de programa de rap apresentado por Dão MC do Hip-Hop Atitude na rádio comunitária Mega. Durante o programa denunciamos a repressão policial aos protestos populares que sacodem o país, o massacre de pobres promovido pelo velho Estado nas periferias das grandes cidades e nas obras do PAC e a criminalização da luta pela terra no norte de Minas e por todo o país.         

Os organizadores da rádio se colocaram a disposição para divulgar as denúncias políticas e propaganda do movimento popular e denunciaram também a perseguição da ANATEL que por inúmeras vezes confiscou e destruiu equipamentos da rádio que há vários anos reivindica sua regularização junto ao órgão.

Ativistas do grupo Hip-Hop Atitude, do Movimento Estudantil Popular Revolucionário – MEPR e da Liga Operária já preparam novas ações de agitação política e propaganda revolucionária junto à juventude e todo o povo pobre nas periferias de Montes Claros. 


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