Osmir Venuto da Silva - Um exemplar dirigente operário

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Na noite de 23 de julho a classe operária perdeu um valoroso filho. O OSMIR VENUTO DA SILVA, operário da construção, presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção de Belo Horizonte e Região – STIC-BH Marreta, diretor da Federação dos Trabalhadores da Construção e do Mobiliário de Minas Gerais e dirigente-fundador da Liga Operária.

Ele, que se restabelecia de um infarto, sofreu nova parada cardíaca pela manhã e, após horas de luta e procedimentos médicos, seu coração combatente da classe operária, tão vigoroso e solidário, parou de bater.

Nascido no interior de Minas Gerais, em Açucena, em 14 de outubro de 1952, ele passou a infância e a juventude na antiga "Vila dos Marmiteiros", na região do bairro Padre Eustáquio, Belo Horizonte, onde forjou seu caráter de rebeldia e indignação frente a todas injustiças contra os pobres.

Foi um competente operário armador, aquele que confecciona as armações que dão estrutura ao concreto dos pilares, vãos e lajes. Participou ativamente na "Rebelião dos Pedreiros", a Grande Greve de junho de 1979 em Belo Horizonte que estremeceu a capital com mais de 30 mil operários nas ruas contra a exploração e a opressão em pleno regime militar fascista.

Trilhando os sinuosos caminhos da luta operária, uniu-se aos elementos mais combativos da classe. O canteiro de obras onde trabalhava foi a fornalha de operários que organizaram a Marreta, em 1985, para retomar o STIC-BH para a classe e expulsar os pelegos do Sindicato. Atuando ativamente na linha de frente, participou da retomada da entidade em 1988. Pouco tempo depois a chapa Marreta venceria as eleições para a direção do sindicato sustentando todos esses anos a posição classista e combativa.

Osmir dedicou a maior e mais profícua parte de sua vida a luta da classe operária, contra a exploração e opressão. Dirigiu o Marreta por 25 anos. Junto de seus companheiros e com o decisivo apoio da Liga Operária, o Marreta se desenvolveu e consolidou como um dos sindicatos mais combativos do país. Mas sua consciência de classe foi além. A partir de 1995, como dirigentes da Liga Operária, Osmir combateu implacavelmente o oportunismo e o corporativismo. Defendeu a unidade e luta das classes trabalhadoras do campo e cidade contra seus inimigos de classe: a grande burguesia, o latifúndio e o imperialismo.

Prestou toda a solidariedade e participou de mobilizações nacionais contra as privatizações, contra as reformas antipovo e anti-operárias impostas pelos sucessivos governos de turno, contra a opressão e repressão policial dos operários das obras do PAC, copa da Fifa e olimpíadas. Denunciou e combateu a exploração de trabalho escravo em inúmeros canteiros de obras. Esteve à frente de grandes enfrentamentos de nosso povo contra a dominação imperialista, como os combativos protestos contra a reunião da ALCA e Mercosul (1997), contra a agressão ianque ao Iraque (2003), contra a reunião do BID (2006).

Estimulou a formação técnica e política dos operários da construção sendo um grande entusiasta da Escola Popular Orocílio Martins Gonçalves instalada em um prédio do Marreta em Belo Horizonte e da promoção de seminários e cursos de formação política pelos quais passaram centenas de trabalhadores da construção. Também não poupou esforços e recursos para apoiar a criação de Escolas Populares no campo.

Defendeu e atuou decisivamente para a construção e fortalecimento da Aliança Operário-Camponesa, apoiando sem reservas a luta dos camponeses contra o latifúndio, por terra, pão, justiça e uma nova democracia. Visitou áreas camponesas em diversas regiões do país, participou de congressos e seminários da Liga dos Camponeses Pobres. Em todas as assembleias do Marreta, chamava a atenção para a necessidade de a classe operária apoiar decididamente a Revolução Agrária e salientava que grande parte dos operários da construção veio do campo, expulsos pelo latifúndio. Osmir foi um grande apoiador e divulgador da produção nas áreas camponesas. Estimulou a ida de delegações de operários ao campo para trabalhar e viver com os camponeses e organizou, através do Marreta, grupos de operários para promover trabalho coletivo com camponeses na construção de casas, pontes e outras benfeitorias.

Com a mesma decisão e convicção apoiou tomadas urbanas de terrenos como a Vila Corumbiara (Belo Horizonte - 1996) e Vila Bandeira Vermelha (Betim - 1999) entre outras; a construção de moradias populares no regime de mutirão em bairros proletários. Do mesmo modo, apoiou a luta da juventude trabalhadora e estudantil. Sempre buscava se informar de como os jovens participavam na luta, de como os estudantes se organizavam.

Erguendo a bandeira do internacionalismo proletário, apoiou as lutas da classe operária e dos povos oprimidos em outros países, visitou e trocou experiências de luta com organizações classistas e populares no Paraguai, Nicarágua, Holanda, Alemanha e Turquia.

Denunciou e combateu a farsa eleitoral e os partidos eleitoreiros. Ardoroso defensor da necessidade do verdadeiro partido revolucionário da classe, vanguarda comunista do proletariado marxista-leninista-maoísta para dirigir a Revolução de Nova Democracia ininterrupta ao Socialismo, para promover transformações radicais em nossa sociedade, e construir uma nova sociedade sem a exploração do homem pelo homem.

Operário, dirigente sindical classista, comunista convicto, Osmir Venuto será sempre lembrado pelos operários da construção, camponeses, estudantes, homens e mulheres que trabalham de sol a sol no campo e cidade em nosso país. Ele nos deixa inapagável legado de firmeza, humildade, simplicidade, dedicação, trabalho incansável, solidariedade e combatividade.

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Homenagens ao combatente

Desde a madrugada de 24 de julho, até seu sepultamento às 17 horas, centenas de pessoas entre familiares, amigos e companheiros, representantes de inúmeros sindicatos, camponeses, estudantes, trabalhadores de diversos canteiros de obras, renderam suas homenagens a este grande lutador de nossa classe e nosso povo. Em nome do AND, Fausto Arruda, presidente de nosso conselho editorial, deixou sua saudação de despedida.

A cerimônia de homenagem a Osmir Venuto foi uma ato classista, combativo e revolucionário. Em destaque, painéis com as fotos dos grandes dirigentes do proletariado internacional: Marx, Engels, Lenin, Stalin e Mao Tsetung. Jovens revolucionários revezaram-se na Guarda de Honra do funeral.

A sede do Marreta ficou superlotada, como nas inúmeras e acaloradas assembleias que decidiram os combates dos operários da construção nos últimos 25 anos.

Uma grande fila se formou no final da cerimônia. Centenas de pessoas, de punho erguido, deixaram suas saudações revolucionárias e palavras de despedida.

Emocionados, nos despedimos de um combatente da classe, um comandante do proletariado, um homem de verdade.


"Lutar, lutar, lutar, com muita raça e orgulho para vencer"

(do hino do seu Clube Atlético Mineiro)

Um traço marcante do companheiro Osmir é que em seu peito batia um coração alvinegro, as cores do Clube Atlético Mineiro pelo qual, desde a infância nutria verdadeira paixão como entusiasta que era do futebol como esporte e arte do povo. Não perdia a oportunidade exaltá-lo nas vitórias, sofrer nas derrotas. Por coincidência, o 25 de março, data de fundação do Partido Comunista do Brasil em 1922, também é a data de fundação do Clube Atlético Mineiro, em 1908. E foi essa data que Osmir escolheu para abandonar o cigarro, do qual se manteve dependente durante vários anos e foi cortado de uma só vez, com a mesma decisão com que se portava na luta.

E foi justamente na véspera de um dos jogos mais importantes da história do seu Galo que Osmir faleceu, um dia antes da final da Copa Libertadores da América. Nas semanas que antecederam o jogo decisivo, todos os companheiros cercavam Osmir de cuidados, para que não se exaltasse nos jogos. Bobagem. Ele estava tranquilo e confiante.

Na cerimônia de homenagem em seu funeral, a bandeira do Clube Atlético Mineiro cobria seu corpo junto da bandeira vermelha com a foice e o martelo, a bandeira histórica do Partido Comunista, partido que Osmir lutava por sua reconstituição para dirigir a revolução em nosso país.

Durante seu sepultamento, após o canto do hino dos trabalhadores em todo o mundo, A Internacional, das canções revolucionárias O Guerrilheiro, Bandeira Rubra, Bella Ciao e Cipó de Aroeira, foi entoado por todos o hino do Galo. Salvas de foguetes ribombavam nos céus da cidade naquelas horas que antecediam o grande jogo.

E como previra Osmir, o jogo foi tenso, emocionante até o fim, mordido, e terminou com uma grande, a maior vitória da trajetória do Clube Atlético Mineiro em sua história ("até hoje", completaria seguramente Osmir).


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