O velho conto reformista do "golpe da direita"

A- A A+
Pin It

http://www.anovademocracia.com.br/114/03.jpg

Para encobrir sua rendição às posições de direita, o reformismo e o oportunismo têm pretendido reivindicar para si o monopólio da esquerda. Tudo que não casa com sua cartilha de renegados da revolução recebe de pronto o carimbo de "direita".

Ao se aninharem comodamente nas hostes da direita, os sociais-democratas (de todos os matizes e com os mais variados ranços burocráticos) cultivam o cinismo e a astúcia de se autoclassificarem de "esquerda séria e responsável". Isto para tranquilizar seus amos imperialistas, grandes burgueses locais e latifundiários e ao mesmo tempo demarcar-se dos revolucionários, tachando-os de "aventureiros", "provocadores" e até mesmo de "agentes da CIA", no caso da história política brasileira.

E em nossa história recente, a dupla PT/pecedobê, há dez anos como gerente de turno do velho Estado burguês-latifundiário, tem expelido o cacarejo de "jogo da direita" contra todos seus críticos e oponentes. E não poderia ser outro delírio sua reação frente às multitudinárias e radicalizadas manifestações de junho/julho de repulsa e rechaço a toda essa velha ordem vigente. Acusaram-nas de massas de manobra da "direita golpista".

Uma herança kruschovista

A liquidação da Ditadura do Proletariado na União Soviética iniciou-se com o XX Congresso do PCUS, em 1956, e logo culminou com o golpe da camarilha de Kruschov. A concepção do socialismo científico foi substituída pelas teorias revisionistas dos "dois todos" – "Estado de todo o povo" e "Partido de todo o povo" – e "Três pacíficos" – "Transição pacífica", "Coexistência pacífica" e "Competição pacífica". Isto desencadeou uma tormentosa luta no movimento comunista internacional e praticamente em todos os partidos comunistas ocorreram cisões. A partir de então a esquerda que mantinha erguida as bandeiras do marxismo-leninismo, com as mais duras críticas a estas apodrecidas concepções era, inapelavelmente, estigmatizada como "agente da direita" e "a serviço do imperialismo ianque".

E foi seguindo este caminho do discurso de "aventureiros" e "direitistas provocadores" que a camarilha traidora de Kruschov e seguidores se serviram para encobrir as posições de direita assumidas pelo PCUS e o Estado soviético.

Mesmo após o contundente combate feito pelo Partido Comunista da China (PCCh), sob a direção do Presidente Mao Tsetung, episódio mundialmente conhecido como o "Grande Debate", com que as concepções revisionistas de Kruschov foram completamente desmascaradas e arrasadas, os traidores do PCUS seguiram atacando os marxistas-leninistas. Nesta oportunidade, além de emitir informes e comunicados aos demais partidos desqualificando as posições do PCCh, pretenderam atingir Mao Tsetung encomendando a seus charlatães empregados na Academia uma coletânea de impropérios. Chegaram a aglomerá-los no que denominaram por ‘Crítica às concepções filosóficas de Mao Tsetung’. Acusaram o maoísmo de "idealismo pequeno-burguês", que Mao era "antipartido", que professava uma "filosofia confuciana" e, enfim, que "fazia o jogo do imperialismo ianque". Claro, revolucionários e marxistas-leninistas eram a malta kruschovista!

Tal publicação que serviu de manual para os revisionistas mais empedernidos, também serviu de fonte para fingidos marxistas-leninistas como o capitulador João Amazonas. Mas a História já havia se encarregado muito mais cedo que se esperava em mostrar no que daria toda esta chorumela revisionista iniciada por Kruschov na URSS e pelos kruschovistas chineses como Liu Chao-shi, Teng Siao-ping, etc.

Conteúdo exclusivo para assinantes do jornal A Nova Democracia

O "Partidão" adotou essa herança podre

A torrente de lama jogada sobre Stalin, por Kruschov e seu séquito revisionista, para desviar as atenções da investida contra a Ditadura do Proletariado, criando o "partido de todo o povo", o "Estado de todo o povo" e o desarme ideológico dos partidos dos demais países com a invencionice da transição pacífica do capitalismo para o comunismo, a coexistência pacífica entre classes antagônicas e a competição pacífica entre sistema socialista e imperialismo, calou fundo junto aos oportunistas do PCB liderados por Prestes que já haviam, na prática, descartado as posições mais avançadas aprovadas no seu IV Congresso e se puseram como seguidores de Kruschov. Redigiram a nefanda ‘Declaração de março de 1958’ para entronizar a tese reformista da "democratização do Estado burguês", e, ato contínuo, convocar o V Congresso para oficializar seu revisionismo. Foi a cisão de 1962 que reconstruiu o partido sob a sigla PCdoB e que se acercou do pensamento Mao Tsetung e do caminho da guerra popular. Mas, que dada a contaminação endêmica do oportunismo, assim que a Guerrilha do Araguaia sofreu derrotas e da eliminação da maioria dos quadros revolucionários, a camarilha de João Amazonas não perdeu tempo em liquidar o partido enquanto partido revolucionário para dar origem a mais um partido revisionista, sob a continuação da sigla PCdoB, que hoje mostra toda sua podridão.

Foi o que tragicamente se passou na Indonésia, para citar um exemplo de outros continentes. A ilusão num governo da grande burguesia, tratada por burguesia nacional, com a mesma cantilena de "governos com um campo conservador e outro progressista", o Partido Comunista da Indonésia, um dos maiores partidos em número de filiados, arrastou as massas populares a reboque das classes dominantes. Desarmadas ideologicamente e literalmente, o povo foi a principal vítima do banho de sangue que a reação e o imperialismo, principalmente ianque, realizaram naquele país, em 1966, num genocídio terrível de milhões, sendo pelo menos 500 mil eram filiados do PCI.

O mesmíssimo jogo está se processando, uma vez mais na América Latina nas últimas décadas, com os governos reformistas-populistas de Chávez, Morales, Ortega, Mujica, Kirshner, etc.

Ao entregar a direção da revolução brasileira à grande burguesia, se postando como seu caudatário, o velho "partidão" passou a desenvolver um pensamento que fez escola, permeando organizações cuja origem de seus corifeus, foi a crítica a esse reformismo. Dizendo-se a "esquerda" do Brasil, essas organizações repetem a mesma cantilena oportunista de direita de direções do PCB que, em diversos momentos, afirmavam que governos da grande burguesia tinham um campo conservador e reacionário e outro progressista. Ou seja, segundo tal entendimento os comunistas, revolucionários e democratas deveriam apoiar o suposto campo progressista. É com esta mesma peroração oportunista que MST, PSTU, PSOL, PCB, PCR, etc., além claro de PT, PSB e PCdoB, que são cabeça e parte integrante do sistema de governo vigente, atacam qualquer posição classista e radical de "jogo da direita".

As manifestações que explodiram espontaneamente nas jornadas de junho/julho, com que centenas de milhares de massas populares proclamaram que o "o povo acordou" e que no mais contundente rechaço do sistema político de governo, sua politicagem eleitoreira, farsante e corrupta, brandiram "sem partido"!, e ao mesmo tempo repeliram energicamente e com fúria redobrada a covarde repressão da polícia assassina, foram tratadas por essa mesma "esquerda" de fancaria – no governo e na oposição – por "manifestações da direita" e "jogo da direita". Na verdade, esse discurso é o mesmo já antigo e ensebado conto reformista do "perigo do golpe da direita" mil vezes repedido sempre que as massas radicalizam sua luta. Quando as massas se revoltam fazem tremer toda a canalha, independente da cor que se pinte ou do disfarce que vista.

O cinismo e a covardia fazem saltar à palestra o cacarejo de que "a radicalização do movimento popular pode dar motivos para o golpe da direita". Quando ainda persistia no reformismo e revisionismo, à frente do PCB, Prestes foi por diversas vezes o arauto desse velho conto dum golpe que nunca veio. E quando veio de verdade, pois de fato o golpe da direita civil-militar de 1964, ele afirmou, em alto e em bom tom, que tudo não passava de uma quartelada condenada a cair em um punhado de dias. Errou antes, depois e continuou a errar enquanto predicou o reformismo e a linha de direita. E a herança reformista, a linha de direita que fez escola no movimento popular e comunista no Brasil, disseminando ilusões eleitorais e legalistas, constituindo-se num verdadeiro câncer a corroer o espírito rebelde de seguidas gerações e cumprir o funesto, vergonhoso e traiçoeiro papel de desviar as massas do caminho revolucionário para o pântano eleitoreiro.

As massas é que fazem a história

Como perderam a perspectiva revolucionária, ou nunca a tiveram, essa gente se dá, tão somente, ao labor negro de se recolher aos conchavos parlamentares e sindicaleiros, ao empoleiramento na burocracia do velho Estado, na prática da mais descarada corrupção e do cinismo e dissimulação, como métodos, critérios e estilos de se fazer política.

Pegos de surpresa pelo levante popular e diante da repulsa das massas sublevadas aos partidos eleitoreiros e seus trapos embandeirados, logo se puseram a conjecturar uma conspiração da direita para a tomada do poder e a conclamar a união de todos para formar uma frente antifascista.

Quanta falta de fé no povo!

Quanta pequenez ao se medirem com meia dúzia de skinheads. Quando os vários partidinhos se retiraram da manifestação da Paulista sem bandeiras e sem moral, deixando para trás a "massa de direita", deram uma patética demonstração de sua incurável miopia política. Mais que isto, como revolucionários de apitos e nariz de palhaço, máximo de suas proposições de formas de luta para as massas, ademais de suas greves economicistas ou de manobras das massas para desgastar concorrentes na farsa eleitoral, como socialistas de palavras e reformistas de fato, miseráveis moral e ideologicamente não podem sequer compreender que são as massas que fazem a história, quanto mais encarnar esta verdade quando as massas entram a provocar desordens contra a velha ordem.

O editorial da última edição de AND, ao analisar a postura das várias agremiações, notamos que as organizações centristas prontamente se solidarizaram com os governistas: "Já PSOL, PSTU e outros grupos reformistas, ainda que desde o início tenham participado dos atos visando protagonismo e promoção eleitoral, também tiveram suas bandeiras rejeitadas. Não realizando seus intentos dirigistas e sob vaias e ataques das massas que rejeitavam a presença de qualquer sigla do Partido Único. Também a reação destes não foi diferente, somaram-se ao ridículo conto da "direita comandando os protestos". Engrossaram o coro de condenar os "vândalos" e, por fim, trilharam o caminho da desmobilização."

O verdadeiro perigo de direita

Em suas memórias, Gregório Bezerra pontua que a grande ironia de sua vida foi o fato de que no Levante de 35 ele, como responsável pelo Tiro de Guerra em Pernambuco, tinha armas e não tinha homens. Já em 1964, quando estava à frente de cerca de cinco mil camponeses, também em Pernambuco, tinha homens e não tinha armas. Nas duas oportunidades o "partidão" foi golpeado por haver praticado o mesmo erro: não acreditar no povo. Em 1935, privilegiou as articulações nos quartéis em detrimento de organizar os operários e os camponeses. Em 1964, Prestes não queria saber de armar os camponeses, pois pela cartilha kruschovista, a transição deveria ser pacífica.

A história tem mostrado que a socialdemocracia no poder, por sua ilusão em democratizar o Estado burguês na época da dominação do capital financeiro e dos setores mais reacionários do capital e a posição de se prestar à conciliação de classes, só tem servido para atrasar a revolução. Começaram sua trajetória negra de ratazanas entregando e assassinando da forma mais vil a Karl Liebnecht e Rosa Luxemburgo. Desde então, não pararam mais em seu papel sinistro contrarrevolucionário mundo afora.

O Brasil, nos últimos dez anos, sob o gerenciamento PT/pecedobê/FMI, não vive situação diversa. A corporativizacão da sociedade com o encurralamento das massas mais pobres entre um incremento nunca visto da mais brutal da repressão e do clientelismo-assistencialismo das bolsas-esmolas; o impulsionamento de setores altamente privilegiados dentro da sociedade como a oligarquia financeira e o agronegócio e o uso mistificador da propaganda oficial, criando uma cortina de fumaça para iludir o povo, completam um conjunto de práticas que caracterizam o fascismo sofisticado. 

Ao cristalizarem esta forma de pensamento continuarão se assustando com a presença do povo nas ruas. Recentemente a Fundação Astrogildo Pereira, ligada ao PPS, realizou um seminário que transformou em livro com o titulo "O que é ser esquerda hoje". Praticamente todos os quarenta e cinco participantes desenharam uma esquerda chinfrim ao negarem a luta de classes, a ditadura do proletariado e a violência revolucionária. São estes militantes, professores, intelectuais, jornalistas e sindicalistas que continuam disseminando o veneno da "Declaração de março de 1958" revisionista, oportunista de direita.

Ainda que pagando um alto custo, indiferentes à capitulação do oportunismo, as massas se auto-educarão na violência revolucionária e darão cobro à dominação do imperialismo, da grande burguesia e do latifúndio, através de uma revolução de Nova Democracia ininterrupta ao Socialismo, exatamente porque de seus combates, inevitável, iniludível e obrigatoriamente, emergirá sua autêntica vanguarda proletária. Aguardemos!


Edição impressa

Endereços

Jornal A Nova Democracia
Editora Aimberê

Rua Gal. Almério de Moura 302/4º andar
São Cristóvão - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2256-6303
E-mail: anovademocracia@gmail.com

Comitê de apoio em Belo Horizonte
Rua Tamoios nº 900 sala 7
Tel.: (31) 3656-0850

Comitê de Apoio em São Paulo
Rua Silveira Martins 133 conj. 22 - Centro
Reuniões semanais de apoiadores
toda segunda-feira, às 18:45

Seja um apoiador você também!

Expediente

Diretor Geral 
Fausto Arruda

Editor-chefe 
Mário Lúcio de Paula
Jornalista Profissional
14332/MG

Conselho Editorial 
Alípio de Freitas
Fausto Arruda
José Maria Oliveira
José Ramos Tinhorão 
José Ricardo Prieto
Henrique Júdice
Hugo RC Souza
Mário Lúcio de Paula
Matheus Magioli
Montezuma Cruz
Paulo Amaral 
Rosana Bond
Sebastião Rodrigues
Vera Malaguti Batista

Redação 
Ellan Lustosa
Mário Lúcio de Paula
Patrick Granja